SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
Não é uma peixaria, nem um pesque-pague, mas ali é possível escolher o peixe ainda vivo no aquário e levá-lo para casa inteiro ou já limpo, pronto para ser temperado e ir ao fogo. Uma loja agropecuária de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) entrou no comércio de peixe por acaso e já ganha fama na região com seus pacus entre 8 a 12 quilos. Inicialmente sem pretensão, a novidade já contribui para o faturamento da empresa, que é uma espécie de shopping rural e não tem na venda de peixes o seu foco principal (ver matéria nesta página).
Quando o empresário Élcio Azevedo Pinto começou a criar os peixes em uma represa de sua fazenda, não imaginava que o hobby iria virar negócio. Isso foi há sete anos. ''Soltei uns 500 juvenis e fui tratando, só para divertir, pescar, assar. Os peixes começaram a crescer e fiquei sem saber o que fazer. Então pensei: 'vou ter que vender''', conta.
Há seis meses, Azevedo começou a transportar os pacus da sua fazenda em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana) para a loja em Jataizinho, aproveitando os dois tanques que existiam no pátio para ornamentação. Sem divulgar o negócio, o empresário já vendeu cerca de mil peixes em seis meses. ''Para alguns clientes que entram na loja (para outras compras) a gente mostra os peixes. A venda é automática. Também tem o boca-a-boca que ajuda'', observa Azevedo.
O empresário investiu R$ 25 mil para implementar o negócio. Comprou um tanque de dois mil litros para transportar os peixes em cima de um caminhão com sistema de oxigenação e construiu um poço artesiano no terreno da loja, além de instalar sistemas de filtragem e oxigenação. ''O poço foi necessário porque se colocar água com cloro os peixes morrem'', explica.
O peixe é vendido a R$ 10 o quilo. O cliente escolhe o animal no tanque e os funcionários fazem a ''pesca'' com uma rede. Dependendo do peso, pode custar até R$ 150. O trabalho de ''limpeza'' do peixe é terceirizado por um açougue próximo à agropecuária. ''Em vinte minutos o peixe está na mão'', diz Azevedo. Quem tem pressa, pode optar pelo congelado.
Surpreso com os rumos do negócio, o empresário diz que não pensa em trabalhar com outra espécie ''porque seria um trabalho a mais''. Os peixes que ele vende demoraram sete anos para atingir o tamanho atual - entre 8 e 12 quilos. As vendas, por enquanto, resultam entre R$ 10 mil e R$ 15 por mês. Daqui para a frente, porém, o volume de animais deve ser menor e o tamanho também. ''A partir de dois e meio a três quilos é o ideal para comercializar'', repara.
O sabor é outro e não tem gordura
Quem compra os peixes dos tanques da agropecuária de Jataizinho destaca o fato de serem tratados só com milho e não com ração. O sabor é outro e não tem gordura. É carne mesmo. Conhecer a procedência é importante na hora de comprar peixe, diz o escriturário Reinaldo Cícero Martins, que já levou vários peixes dali. Ele prefere os grandes e já limpos.
Martins tempera o pacu (na véspera) com limão, gengibre e sal e leva para a grelha sem papel alumínio. A escama dele é dura, nem precisa do pa-pel, diz. Depois de assado, acrescenta molho à vinagrete e maionese.
O empresário Roberto Vieira da Silva costuma presentear amigos que moram fora com peixes comprados em Jataizinho. Coloco numa caixa de isopor com gelo e levo para Curitiba, para Brasília. O pessoal adora, conta. Ele gosta de escolher o peixe ainda no tanque. Esses mais finos têm menos gordura, aponta ele, que não tempera o peixe antes de assar por achar que resseca.
Antes de ir ao fogo, eu passo uma boa camada de maionese e encho o peixe como se fosse um frango, com ervilha, milho. Depois de assado, a maionese vai penetrar e dar gosto. Na hora de servir, você acrescenta um molho de shoyu, gengibre e limão, ensina. (G.M.)
Negócio marcado pela variedade
Funcionando há dois anos e meio num terreno de 2,8 mil metros quadrados e 1,6 mil metros quadrados de área construída, a Agropecuária Azevedo não chama atenção só pelos pacus vivos, mas pela variedade de produtos reunidos num só lugar. Com o conceito de shopping rural, o local tem produtos veterinários, ferramentas, produtos para piscina, funilaria, artigos de pet shop, pequenos animais (pássaros, pintinhos, galinhas, coelho, porquinho da Índia) e até roupas e acessórios masculinos no estilo country.
O pessoal foi pedindo, fomos colocando (os produtos) e o negócio foi se transformando, conta Gustavo Azevedo Pinto, que administra a empresa junto com o pai Élcio Azevedo Pinto e a mãe Maria Elaine Pinto. Outra característica é o fato de o negócio ter sido marcado por uma tragédia na família, o que acabou dando força para o empreendimento prosperar. A agropecuária foi aberta para o filho mais velho, Élcio Júnior, administrar. Ele era veterinário e tinha o sonho de ver a obra concretizada, mas morreu em um acidente de carro 24 dias após a inauguração. (G.M.)


