Na primavera fica mais fácil comprar flores não só pela variedade, mas também pelo preço que em alguns casos pode cair até 20%. Segundo a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) – que abastece grande parte do mercado nacional –, 71% dos tipos de flores comercializados pela empresa são mais propícios no período que vai de setembro a dezembro.
  Apesar de serem bem-vindas em qualquer ocasião, as flores costumam entrar na vida da maioria dos brasileiros apenas em datas especiais. A falta de hábito aliada ao baixo poder aquisitivo de grande parte da população faz o consumo ser moderado no país.
  O brasileiro gasta, em média, US$ 9 por ano com flores e plantas ornamentais, enquanto os europeus e norte-americanos consomem US$ 60 e US$ 40, respectivamente. Para os comerciantes do setor, além de comemorações como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia da Secretária, as datas especiais do cotidiano funcionam como chamariz. As flores também entram em cestas decorativas com diversos temas.
  ‘‘Todo dia tem alguém comprando flor para alguma ocasião, seja nascimento, aniversário, casamento, morte’’, diz Valmir Rostirolla, dono de uma floricultura que funciona há mais de 40 anos em Londrina. Embora em menor quantidade, também existem os compradores habituais. ‘‘São mulheres que não ficam sem flor em casa ou homens românticos que estão sempre mandando flores para a esposa, namorada’’, repara o comerciante.
  Entre os vários tipos de consumidores estão os empresários e profissionais liberais que costumam comprar flores toda semana para decorar ambiente de trabalho, fechando ‘‘pacotes’’ mensais.
  Aroldo Robert, funcionário de uma floricultura há 12 anos no mercado em Londrina, destaca a importância do movimento do dia-a-dia nas floriculturas, independente de datas comemorativas. ‘‘Todo dia sai um buquê de rosas. É sagrado. Dias atrás veio um senhor de 80 anos comprar flores para a esposa. Às vezes tem gente passando que entra aqui só para comprar um botão’’, observa.
  O bom para o mercado, na opinião de Robert, é que as flores são um produto que não tem idade ou data específica. ‘‘É claro que nas datas comemorativas vende mais, mas há público para todos os dias’’, destaca.
  Assim como muitas regiões do país, a maior parte das floriculturas de Londrina é atendida por produtores de Holambra (SP). Os caminhões passam várias vezes na semana trazendo dezenas de variedades. Entre as flores de corte mais procuradas pelos consumidores estão as gérberas, as rosas, os lírios, os lisiantos, os antúrios. A média de preço vai de R$ 1 a R$ 3 a unidade. No caso dos vasos, cujos preços médios ficam entre R$ 3 e R$ 60, têm sucesso garantido as begônias, as azaléias, as gérberas, as orquídeas, os lírios e as violetas.



Alegram e trazem paz, dizem consumidores
  Há vários tipos de consumidores de flores. O gerente empresarial Jorge Luiz Bicudo é o romântico. A cada dez dias, pelo menos, ele surpreende a esposa com um vaso. Mas não tem hora marcada, nem data especial. ‘‘Perdi um relacionamento anterior e isso me doeu muito. Nesse segundo casamento, descobri que para ser feliz tenho que deixar alguém feliz’’, diz Bicudo.
  Ele revela que até abriu conta em uma floricultura, onde compra flores plantadas em vaso – paga em média R$ 30 cada – e pede para entregar no local de trabalho da esposa. ‘‘Aí que está a diferença. Se for em casa, não vai ter o mesmo efeito porque ninguém vai ver. Quando vou buscá-la no trabalho, ela está com o sorriso lá nas costas. O dia muda. Descobri a importância dessa forma de cortejo e acho que todos os homens deveriam se atentar para isso’’, afirma.
  O cabeleireiro Fábio Farias não deixa faltar flores no seu salão. Toda quinta-feira, uma floricultura envia um vaso para decorar a sala de espera. ‘‘Acho importante manter o ambiente sempre com flores. Fica mais alegre, mais bonito. Os clientes percebem esse cuidado ’’, diz ele, que fechou um pacote mensal de R$ 80 com uma floricultura. Funciona como uma espécie de parceria, já que muitos clientes do salão acabam se encantando com as flores. ‘‘Tem gente que gosta tanto que liga na hora (na floricultura) pedindo um vaso semelhante’’, conta.
  Na casa da professora aposentada Regina Maria de Almeida, as flores estão presentes na sala, na cozinha e no banheiro. ‘‘Além de decorar, elas trazem paz e alegria. Faz bem a todos’’, diz ela, que compra vasos simples em feira e diz não calcular o quanto gasta. ‘‘Prefiro a feira porque é perto de casa e porque as flores são mais baratas’’. (G.M.)

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