Depois de dois meses de queda nos preços, a cesta básica em Londrina subiu 4,45% em setembro - em julho, o recuo foi de 6,06% e em agosto de 7,73%. Dos treze produtos pesquisados, os que subiram foram o açúcar, o arroz, o café, a carne, o feijão, a margarina e o tomate. Já a banana, a batata, a farinha de trigo, o leite C, o óleo e o pão apresentaram queda. No ano, a cesta já subiu 6,93% e nos últimos doze meses 22,51%.
Os dados fazem parte do levantamento mensal do kit básico de alimentos feito pelos alunos da Empresa Júnior da Faculdade Pitágoras sob coordenação do professor e economista Flávio Oliveira Santos. Pela pesquisa - que envolve nove supermercados -, a cesta básica para uma pessoa ficou em R$ 188,29 e para quatro pessoas (família com dois adultos e duas crianças) R$ 564,88.
Fazendo pesquisa de preço e comprando os produtos mais baratos entre todos os estabelecimentos, uma família economizaria 36,34% (R$ 165,19). Já a diferença de preço encontrada entre o supermercado mais caro e o mais barato foi de 23,51% (R$ 117,99).
O item que mais pesou na cesta de setembro foi a carne, que registrou alta de 10,61%. Segundo Santos, a carne corresponde a 40% do valor total do kit básico e, portanto, teve responsabilidade sobre a alta da cesta em setembro. ''Não encontramos nenhum supermercado fazendo promoção de carne durante a pesquisa. O quilo do coxão-mole variou de R$ 10,49 a R$ 13,78'', avalia o economista.
Entre outros produtos que também contribuíram para a alta estão o feijão (10,34%), o açúcar (8,46%) e o arroz (8,57%). ''O feijão, por exemplo, ainda está sofrendo do efeito dos baixos estoques. Já o açúcar era para estar mais barato porque estamos na safra de cana-de-açúcar. Por outro lado, aumentou a demanda por álcool, e isso pode ter afetado o preço do açúcar'', observa Santos.
Conforme o economista, pelo menos uma vez por semana vale a pena o consumidor passar em dois ou três supermercados com a lista de produtos para fazer pesquisa de preços e aproveitar as ofertas. ''Isso é importante para aumentar o poder de compra e deixar a situação menos pior'', pondera Santos.
A alta da cesta básica reflete no bolso dos consumidores e provoca mudança de hábitos. ''Senti a alta do café, do arroz, do feijão e principalmente da carne ultimamente. Quando é possível, levo a marca mais barata, mas quando não dá, substituo o produto'', diz a artista plástica Maria Aparecida de Souza Itow. Para economizar, ela afirma que opta pelo frango, às vezes peixe, e carne de segunda. ''É só tirar a gordura'', observa.
O oficial de manutenção Joaquim Carlos Bandolin acha que os preços sobem constantemente e, por isso, adota o hábito de não fazer compras por mês, mas por semana. Dessa forma, consegue economizar entre 25% e 30%. ''Francamente, quase tudo está meio exagerado no nosso Brasil. Então, se fico sabendo que algum produto está em oferta, quando saio de casa aproveito para ir lá comprar'', diz.

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