Curitiba - O mês de outubro é o paraíso das crianças e o desespero dos pais. A data é esperada com ansiedade pelos pequenos e por alguns nem tanto assim, por terem a certeza que vão ganhar presentes, em especial, brinquedos. As lojas já preparam novidades de encher os olhos e, em alguns casos, de esvaziar os bolsos. Independente do valor do agrado, o importante é os pais estarem atentos à faixa etária da criança e confrontá-la com o brinquedo desejado. A combinação desastrosa destes dois itens pode resultar desde um susto até uma fatalidade.
A principal dica da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) é observar no objeto o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial). ''O selo é garantia de segurança, caso contrário, a criança está sujeita a riscos'', declara o presidente da entidade, Synésio Batista da Costa.
Ele ainda denuncia que a compra de presentes de contrabando, além de ser crime e não dar suporte ao consumidor em caso de troca; prejudica a saúde, pois podem trazer na composição química substâncias cancerígenas como o chumbo. ''Não se pode esquecer que as crianças menores levam tudo à boca'', diz. Ele recomenda ainda tomar cuidados com peças pequenas que podem se soltar do objeto e sufocar.
A Abrinq prevê alta média de 6% nas vendas nacionais, o que é muito bom, segundo a entidade, já que a data festiva representa 40% do faturamento anual. As empresas já rechearam as prateleiras das lojas com 800 novos lançamentos.
A ''farra dos brinquedos'' é também muito comemorada pelo comércio parananense que espera crescer cerca de 9% em relação a data passada, segundo a Associação Comercial do Paraná (ACP). ''As datas festivas vêm apresentando alta de consumo nos últimos três anos, devido ao aquecimento da economia e melhora do poder aquisitivo'', comenta o vice-presidente de Serviços da ACP, Élcio Ribeiro.
O executivo aposta que os presentes, na média, ficarão em R$ 60 e que o consumidor não deve esperar muito por ofertas de ocasião e nem se preocupar com o preço dos importados. ''A alta do dólar, neste momento, não altera os valores porque as compras foram efetuadas antes da crise'', afirma.
Para a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), os consumidores deverão gastar entre R$ 30 e R$ 70, de acordo com a classe social ao qual pertencem. As vendas nessa data devem apresentar um crescimento entre 10% e 12% em relação aos resultados apresentados no ano passado, impulsionado pelos lançamentos de brinquedos que acontecem na época.
Entre os principais lançamentos que devem incentivar as vendas, estão brinquedos manipulados por controles remotos, como aviões, helicópteros e carrinhos, que devem custar em média R$ 40. Já para as meninas, os principais produtos deverão ser bonecas que interagem com a criança, cujo preço pode variar de R$ 40 a R$ 150.


Lojistas apostam nas novidades
  Apostar em novidades é a estratégia de uma rede de lojas de brinquedos que atua no Paraná e também em outros estados. O gerente Bruno César Romão afirma que a empresa aumentou os estoques para vender entre 9% a 11% a mais que o ano passado. Ele aponta os produtos exclusivos como os bonecos gêmeos Twins (R$ 249,50) e as bonecas Anne Guedes (R$ 99,90) com as coqueluches deste Dia das Crianças. Na lista de topes da loja, ainda aparecem uma kombi que toca MP3 e pisca luzes (R$ 349), um dinossauro robotizado que emite sons e agarra objetos (R$ 499,90), telescópio (R$ 39,90) e os famosos carrinhos Hot Wheels (R$ 5).
  Outra loja, do bairro Portão, o estoque está 30% acima que no ano passado, de acordo com o chefe do setor, Jean Juliano. Brinquedos para meninas estão em maior volume. A aposta para este ano estão nas motos elétricas (varia entre R$ 449,90 e R$ 1.399,90), motocas convencionais (R$ 69,90), réplicas de utensílios domésticos e bonecas, ambos com valores variados. Além de brinquedos, a loja conta com a oferta de roupas e móveis infantis. Embora não seja o costume presentear com estes artefatos, dependendo da idade da criança, também são opções de compra que chamam a atenção do cliente, segundo informações da gerência.
  O casal Irinéia Blaszczyk e Emerson Peruceli deve gastar até R$ 400 para agradar aos quatro filhos. O objetivo é encontrar artigos no estilo bom-bonito-barato. ‘‘Procuramos qualidade e preço, dentro daquilo que as crianças querem de presente. Se for muito além do que podemos pagar, vamos negociar novas escolhas. Afinal, são quatro!’’, diz a mãe. Para os dois meninos de 6 anos e mais um de 10 anos, o embrulho virá recheado de dinossauros e carrinhos em miniatura. Já a mocinha de 8 anos está dando trabalho. ‘‘Ela não quer mais boneca, diz que está grande. Talvez joguinhos de tabuleiro ou objetos para brincar de casinha’’, comenta o pai.
  A atendente de telemarketing, Michele Patrícia Machado, quer dar um presente à sobrinha de 6 anos de até R$ 80. ‘‘Tem que ser algo que ela não perca o interesse rapidamente’’, prevê. Para ela o desafio está em encontrar algo neste nível e a preço compatível diante de tantos lançamentos e escolhas. Desde que passou a comprar agrados para a pequena, ele tem achado que os brinquedos estão a cada ano mais caros. A preocupação com a segurança é outro fator que chama atenção da tia. ‘‘Sempre olho a indicação da idade nas embalagens e converso com ela sobre como utilizar o brinquedo para ele não quebre ou a machuque’’. (C.P.)

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