O hábito do cafezinho a qualquer hora do dia pode até ser imbatível. Mas o chá já ganha boa parte desse terreno no dia-a-dia dos brasileiros. Segundo dados da consultoria especializada Nielsen, em 2007 o mercado de chá pronto para consumo movimentou R$ 187 milhões (53 milhões de litros) e o de chá seco R$ 245 milhões (5,4 milhões de quilos). O crescimento médio do mercado nos últimos anos foi de 12% no segmento líquido e de 7% no seco. Os dados mostram ainda que o chá verde, nas duas versões, é a bola da vez nesse cenário.
Há consumidor para tudo. Os que recorrem aos chás pelas suas propriedades medicinais ou pelo prazer de tomar a bebida. Nesse universo existem aqueles que não abrem mão do tradicional chá feito com ervas desidratadas, que podem ser encontradas em lojas especializadas e, em alguns casos, nos supermercados. A justificativa é que dessa forma é possível aproveitar melhor as propriedades terapêuticas da planta.
Um exemplo é a nutricionista Katia Favoreto Nery. Ela compra ervas à granel e segue o jeito dos japoneses de tomar chá sem açúcar e sempre morno ou quente. ''Assim (morno ou quente) é possível aproveitar ainda mais as propriedades. Isso é milenar'', orienta.
Katia sempre gostou de chá, mas conta que adquiriu um novo hábito depois que passou a trabalhar em um hospital, em Londrina: tomar chá verde diariamente. ''A pedido da direção, não pode faltar chá verde na garrafa térmica. Tomo todos os dias e me sinto muito bem. É antioxidante, diurético, digestivo'', conta.
Para os pacientes do hospital, a nutricionista prescreve chá mate à tarde e os chás claros (camomila, erva-doce, erva-cidreira) na ceia - neste caso ela opta pelos sachês pela praticidade. ''À noite, nada de bebida estimulante. Optamos pelas ervas que acalmam, relaxam'', observa Katia, que também cultiva o hábito de tomar chás ''calmantes'' antes de dormir.
A comerciante Maria Anunciata Polizelli, dona de uma loja de produtos naturais aberta há 10 anos em Londrina, afirma que tem crescido a procura por ervas desidratadas. ''Dessa forma o consumidor pode visualizar, cheirar, sentir o chá que está comprando'', observa ela, que trabalha com cerca de 200 tipos de plantas desidratadas e algumas opções de chás em saquinhos.
Há oito anos, a comerciante realizou um trabalho junto aos hospitais de Londrina, reforçando os conceitos de que o chá à granel ''é mais saboroso, mais concentrado e tem suas propriedades mais acentuadas, além de ser barato''. Os preços variam entre R$ 4,60 a R$ 6 (cada 100 gramas). Hoje, ela diz que tem muitos profissionais da área da saúde entre seus clientes.
Entre as ervas mais procuradas estão espinheira-santa, cáscara-sagrada, sene, melissa, mulungú e o chá verde. A Camellia Sinensis, mesma planta que faz o chá verde, dá origem também ao chá branco e ao chá preto. ''O chá verde utiliza a planta adulta, o chá preto a planta tostada e o chá branco a folhinha bem novinha'', explica Anunciata. A versão branca é a mais pura e também a mais cara (R$ 9,50 por 100 gramas), enquanto a verde custa (R$ 7) e a preta (R$ 4,60).
Os chás verde e branco são considerados alimentos funcionais, pois nutrem o organismo e combatem doenças. Nos supermercados, o chá da Camellia Sinensis pode ser econtrado na forma seca (em folhas e em saquinhos) e na linha líquida nas versões longa-vida, latas de 340 ml, embalagem de 1 litro e com os mais diversos sabores: limão, limão com soja, laranja com gengibre, entre outros.


Receita ‘‘Chá da Vó’’
Ingredientes
Cascas de abacaxi
Maçã desidratada (comprada em loja de prdutos naturais)
Cravo e canela
Hortelã fresca
Açúcar

Preparo
Coloque uma xícara de açúcar em uma panela, leve ao fogo e deixe ‘‘queimar’’ um pouco. Lave as cascas de abacaxi em água corrente e coloque no açúcar queimado juntamente com a maçã desidratada, o cravo e a canela. Acrescnte água e deixe ferver por mais de quinze minutos (o tempo vai variar conforme a quantidade). Um pouco antes de apagar o fogo, acrescente a hortelã fresca. Adoce se achar necessário.

* A comerciante Sebastiana Cândido Terciotti, criadora da receita, diz que não há quantidade definida
para os ingredientes.
Isso vai variar de acordo com quanto se quer


A receita caseira que virou negócio de chá e sua concentração.
  Enquanto os fabricantes não param de abastecer o mercado com novas opções de chás, uma comerciante de Londrina aproveita para também divulgar a sua receita de forma inusitada. Proprietária de um restaurante rural, ela oferece aos clientes, depois do almoço, um chá que sempre preparou em casa. Batizado de Chá da Vó, o produto tem roubado a cena do cafezinho e dos chás industrializados que também ficam à disposição dos clientes.
  ‘‘Das três garrafas térmicas, a do Chá da Vó é a que esvazia primeiro’’, conta Sebastiana Cândido Terciotti, que prepara todo os domingos (dia em que o restaurante funciona) 15 litros da bebida no panelão. A receita? Casca de abacaxi, maçã desidratada, canela, cravo e hortelã fresca. As pessoas gostam tanto que não costumam tomar apenas uma xícara. ‘‘E todo domingo tem gente querendo saber o que vai no chá. Não escondo de ninguém. Acho tão bom aprender uma receita, então eu passo’’, diz.
  O Chá da Vó já vem adoçado e quente, mesmo no calor. ‘‘Esse chá tem que ser servido quente. Tem função digestiva para ser tomado depois do almoço, além de ser muito prazeroso’’, diz Sebastiana, que sempre cultivou o hábito de tomar ‘‘um chazinho’’. No seu restaurante, a comerciante diz que a bebida funciona como um ‘‘mimo’’ aos clientes. (G.M.)

Saiba mais sobre o preparo
  Não é porque chá é natural que é possível sair tomando de qualquer forma. Segundo a nutricionista Katia Favoreto Nery, é preciso analisar o que se toma, a quantidade de erva utilizada e a forma correta de preparo:
3 As folhas nunca são fervidas. O ideal é deixar em infusão por no máximo cinco minutos. Já as cascas, sementes e raízes passam por fervura
3 Para o chá verde (de folhas desidratadas), por exemplo, o ideal é utilizar duas colheres (sobremesa cheia) de erva para um litro de água. Deixar em infusão
3 As ervas desidratadas podem durar meses desde que acondicionadas corretamente em lugar seco e arejado. Por exemplo, em sacos plásticos bem fechados

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