SUAS COMPRAS
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
O mercado de instrumentos musicais, equipamentos e acessórios vem crescendo de 8% a 12% ao ano na última década. A expectativa da Associação Brasileira da Música (Abemúsica) é que o segmento feche o ano de 2008 com uma movimentação de R$ 550 milhões, cerca de 10% a mais que em 2007. O crescimento vegetativo da população, o aumento da renda familiar e o número crescente de festivais, filmes e até a popularização dos MP3 players estão entre os fatores que impulsionam o mercado.
O surgimento das novas tecnologias influenciam de forma positiva porque amplia o acesso das pessoas à música e faz aumentar o interesse pelos instrumentos musicais, segundo avaliação de Synésio Batista da Costa, presidente da Abemúsica. Outro mecanismo de fomento deste mercado é a realização da Expomusic - Feira Internacional da Música, maior evento do setor da América Latina, que viabiliza cerca de 30% dos negócios do setor ao ano. A 25ªedição da feira terminou no último domingo em São Paulo.
Fora dos grandes centros, o músico amador é quem alimenta o mercado de instrumentos musicais, avalia o comerciante Edno Frutos da Silva, que tem uma loja do gênero há 13 anos em Londrina. O músico profissional ainda não é tão bem remunerado, principalmente na nossa região, e não investe tanto em instrumentos, justifica.
Ele informa que o setor está animado com a aprovação pelo governo federal da lei que institui a música como disciplina do ensino regular nas escolas a partir de 2010. Era um sonho do nosso mercado que isso acontecesse. O mercado dos Estados Unidos, onde o ensino da música está na grade curricular, é abastecido, em grande parte, pelas escolas, observa.
Segundo o comerciante, pessoas de todas as classes compram instrumentos musicais atualmente. E há opções para bolsos variados. Os instrumentos chineses invadiram o mercado e estão sempre entre as opções mais baratas. O violão, o instrumento mais popular, pode ser encontrado a preços que variam de R$ 99 a R$ 2 mil. A diferença é de uma jóia para uma bijuteria. Tem a ver com acabamento, madeira utilizada, afinação, explica.
O problema do mercado de instrumentos é que nos momentos de crise este é um dos primeiros produtos a serem cortados do orçamento das pessoas. A vantagem é que o setor também se alimenta de sonhos. Quando uma pessoa vem comprar uma guitarra, ela já se imagina em cima do palco. É como uma mulher que olha um vestido na vitrine e já se vê dentro dele, compara Silva.
Comércio local tem mais opções para músico amador
O comerciante Vinícius Caccavella é um exemplo de músico amador que investe em instrumentos musicais. Ele tem dois violões, uma guitarra e um amplificador. Desses, o último que adquiriu foi um violão de aço, por R$ 950, no cartão de crédito.
Comprei em loja. Geralmente, elas oferecem boas opções, parcelam. Até pesquisei na internet, mas ia ficar um pouco mais caro por causa do frete, diz ele, que estuda música há oito anos e costuma gastar em média R$ 30 cada vez que vai às lojas comprar pedais, palhetas, entre outros itens.
O baterista Guilherme Rossini, músico profissional, acha que as lojas fora dos grandes centros, como Londrina, oferecem poucas opções para o mercado profissional. Os comerciantes optam por trabalhar com o mercado que gira mais (o amador) e criam um sério problema para os profissionais, diz.
Integrante de um grupo de percussão de Londrina, Rossini conta que eles tiveram que comprar por meio do site de uma loja do Rio de Janeiro 35 instrumentos que estavam precisando, pois não acharam na cidade. (G.M.)


