O Brasil está entre os 10 principais mercados mundiais da indústria têxtil – é o segundo fornecedor de índigo e o terceiro de malha – e figura na lista dos cinco mais importantes produtores de confecção, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Entre tantas opções acessíveis de marcas e grifes, há um público que ainda prefere criar as próprias roupas sob medida. São, na maioria, mulheres consideradas exigentes com o caimento e a exclusividade das peças e que também querem gastar menos – dentro do padrão de qualidade que buscam.
  O ateliê da modelista e costureira Claudia Leite é um dos destinos de muitas dessas consumidoras em Londrina. Profissional com 25 anos de experiência, ela tem uma cartela de 150 clientes de classe média alta em toda a região. Cobra de R$ 60 (camisa) a R$ 380 (blazer) para roupas do estilo esporte-fino e a partir de R$ 350 para vestidos de festa. Também costura para noivas e em breve deve abrir uma loja específica para este público em um shopping da cidade.
  A principal propaganda de Claudia é o boca-a-boca. O comentário de que o acabamento do trabalho dela é bom rende a cada dia novas clientes. Uma vez a modelista atendeu o pedido de uma cliente para fazer um blazer nos moldes do que é vendido por uma grife famosa por cerca de R$ 1,3 mil. ‘‘É um blazer sequinho, com aquele caimento que toda mulher quer. Fui aprimorando a modelagem e hoje é praticamente igual ao da grife. Uma cliente foi contando para outra e agora esse é o blazer que eu mais faço’’, conta. O preço da mão-de-obra é R$ 380.
  Com a experiência de ter trabalhado com grandes estilistas de Londrina, Claudia carrega a fama de ‘‘acertar’’ na modelagem alto padrão. ‘‘Tenho a modelagem pronta de blazer, calça, camisa e saia, e ajusto às medidas de cada cliente. As mulheres que fazem roupa direto aqui não precisam nem provar’’, afirma. A costureira tem duas funcionárias (e vai contratar mais duas) e seis máquinas de costura industrial. ‘‘São máquinas avançadas, bem diferentes daquelas de pedalzinho de quando comecei’’, lembra Claudia, que entrou para o mundo das linhas e agulhas fazendo roupas de boneca por influência de uma tia.
  O perfil da clientela de Claudia é semelhante ao de Marcia Silveira, proprietária de uma loja de tecidos aberta há seis anos em um shopping de Londrina. Ela trabalha com diversos tipos de tecidos – a maioria importados –, entre eles, o algodão (de R$ 12 até R$ 29 o metro), o linho rústico (R$ 19), o linho puro (R$ 89), a seda pura (até R$ 120) e a renda francesa (até R$ 330). Também há tecidos pintados pela própria comerciante, que é estilista e desenha os modelos para os clientes.
  Como estilista, Marcia atuou 14 anos em uma das principais lojas de tecidos que Londrina já teve – na época, há cerca de 20 anos, as grandes magazines ainda trabalhavam com tecidos. Hoje, ela adota na sua loja o atendimento personalizado que desenvolvia antigamente. ‘‘De acordo com o que a pessoa quer e o tipo de evento, eu desenho o modelo. Também oriento na escolha do tecido, levo a pessoa na frente do espelho, jogo o tecido por cima’’, detalha a comerciante, que também é dona de uma loja de aviamentos no mesmo shopping.
  Ela reconhece que o mercado de tecidos hoje é restrito diante do crescimento da indústria da confecção. Mas a clientela é exigente e paga pela qualidade. Segundo Marcia, quem procura por tecido quer ‘‘preço, caimento sob medida e exclusividade’’. Ela observa ainda que este é um hábito que passa de ‘‘mãe para filha’’. Na avaliação da comerciante, mandar fazer roupa na costureira pode ficar até ‘‘três vezes mais barato’’ do que comprar a peça pronta – dentro do mesmo padrão.

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