O mercado de medicamentos genéricos cresceu 15% em volume no primeiro semestre de 2008. Foram comercializadas no período 128,3 milhões de unidades contra 111,5 milhões nos seis primeiros meses de 2007, segundo os dados do IMS Health, instituto que audita o mercado farmacêutico no Brasil e no mundo. O preço, em média até 40% mais barato do que os medicamentos de referência, é o principal fator que leva os consumidores a fazer a opção. Profissionais das áreas médica e farmacêutica ouvidos pela FOLHA alertam, porém, que é preciso estar atento à origem do remédio e à diferença entre os genéricos e os similares.
  O presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Antonio Caetano de Paula, orienta que todo paciente deve conversar com o médico sobre a possibilidade de o medicamento prescrito ser genérico ou não. Segundo ele, é o médico que deve dizer também qual é o genérico mais indicado, pois há diferentes laboratórios. ‘‘Há, sim, genéricos de excelente qualidade mas é o médico que deve orientar o paciente sobre o melhor’’, diz.
  Outro aspecto a ser observado, conforme o médico, é em relação aos preços. ‘‘O que acontece é que o balconista da farmácia, com freqüência, troca o medicamento da receita. E nem sempre esse medicamento é mais barato do aquele que o médico pediu’’, alerta. Segundo Caetano de Paula, ainda que o responsável pelo estabelecimento seja um ‘‘farmacêutico competente’’, a substituição do remédio – dessa forma – pode acontecer por parte dos atendentes.
  Segundo o farmacêutico Jackson Rapkiewicz, do Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM) do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, a legislação dos genéricos dá autonomia para os farmacêuticos substituírem o medicamento de referência pelo genérico.
  Ele informa que os genéricos trazem a mesma substância ativa – com equivalência na quantidade e na forma farmacêutica – que os remédios de referência. E o mais importante: são submetidos a testes de bioequivalência, que comprovam que a sua absorção pelo organismo é em igual quantidade e na mesma velocidade.
  Os similares, conforme Rapkiewicz, passam por testes de qualidade, mas não tem a comprovação da bioequivalência. ‘‘Mas a partir de agora o governo federal também está exigindo que os similares passem pelos mesmos testes dos genéricos’’, diz.
  Desde que foram lançados, em 1998, os medicamentos genéricos passaram por várias campanhas de informação. ‘‘A população já perdeu o medo de comprar esse medicamento. O mercado está bem consolidado’’, diz. O farmacêutico observa que em geral os genéricos custam até 40% mais baratos, mas há casos em que podem ser mais caros que os remédios de referência.

mockup