Curitiba - Na hora de comprar uma peça de louça, o consumidor deve estar atento a alguns detalhes para levar para casa um produto de qualidade. Uma das primeiras coisas a ser observada é se há pontos pretos na pintura, que podem indicar excesso de ferro.
Outra dica é verificar sempre a marca embaixo da peça. A gerente da loja da fábrica Germer, de Campo Largo, Eliane Vaz da Silva Steiger, diz que, geralmente, as pessoas usam peças de cerâmica com espessura mais grossa para o dia-a-dia e a porcelana mais fina acaba ficando para jantares mais ocasionais.
Segundo ela, quando a porcelana é de segunda linha tem detalhes visuais que identificam esta característica, como defeitos no verniz e na pintura. Mas, estes detalhes não influenciam na parte funcional da peça.
O funcionário da Germer, Juliano Leal, destacou ainda que o consumidor pode segurar o prato por baixo com a mão bem aberta para verificar se está torto. Outra dica é juntar dois pratos encostando as bordas. Ao fazer isso, tem que ocorrer um fechamento perfeito.
O consumidor deve observar ainda, antes de usar a porcelana, se pode ser colocada no lava-louças, no microondas e no forno elétrico e a gás. A porcelana de linha branca não pode ser colocada no forno. As peças com filete de prata ou ouro não são compatíveis com lava-louças, microondas e forno. A linha de alta resistência não pode ser usada no forno. Já a linha refratária permite uso em lava-louças, microondas e forno. As peças de alta resistência geralmente têm a pintura embaixo do verniz.
A cerâmica tem cerca de 70% a 80% da composição de argila e é submetida a queimas com temperaturas mais baixas. A porcelana é queimada a cerca de 1.400 graus Celsius e utiliza na composição caulim, feldspato, bentonita, silício e alumina.
O pólo de empresas de cerâmica e porcelana localizado em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, oferece várias opções de produtos que são vendidas em todo o mercado nacional.
Durante a Feira da Louça, que acontece no mesmo município até 14 de setembro, é possível encontrar produtos mais sofisticados como um conjunto de 95 peças de chá, jantar e café com filete de ouro no acabamento por R$ 2.400,00. Mas, também há jogos de jantar, chá e café com 42 peças por R$ 133,00 e de jantar e chá com 30 peças por R$ 118,00.
O local oferece também produtos mais populares como canecas por R$ 3,00, jogo de jantar e chá com 20 peças por R$ 36,00 e jogo de pratos para bolo por R$ 5,00. O proprietário da Porcelarte, Marcelo Cavalli, que trabalha com peças de cerâmica e porcelana, informa que a cerâmica lasca com mais facilidade. Segundo ele, a feira oferece preços de 15% a 20% mais baratos, mas não em todas as peças.
Os Sindicatos das Indústrias de Cerâmicas e Porcelanas dos Estados do Sul, São Paulo e Minas Gerais realizaram testes em laboratórios certificados pelo Inmetro com peças de porcelana chinesa. As amostras analisadas, no segundo semestre de 2007, apontaram que estes produtos contêm elevados teores de chumbo na tinta utilizada para decorar os produtos. Os produtos poderiam ter, no máximo, 0,9 por decímetro quadrado de chumbo. Segundo os testes, a porcelana chinesa chega a ter 1,5 a 3 por decímetro quadrado de chumbo.
Preço
Ao escolher uma peça de louça, os consumidores levam em conta, principalmente, a beleza e o preço. ''Olho sempre a estética, o preço e a utilidade. Se for caro, não compro'', diz a administradora Ana Fonseca.
''O produto tem que ser bonito. Prefiro porcelana porque a cerâmica fica feia com qualquer batidinha'', afirma a dona de casa Walkiria Sanchotene. Além disso, ela leva em conta o preço e as imperfeições da peça.
Para a funcionária pública Glaci Maria Ferreira da Silva, o preço é fundamental. Mas, ela também prioriza novidades, desenhos e cores diferentes. ''A peça precisa ter um detalhe que chame a atenção'', destaca.

Campo Largo é a capital da louça
  Campo Largo tornou-se a capital da louça por sediar as maiores empresas de cerâmica da América Latina. Ao todo são 35 fábricas, que produzem anualmente 450 milhões de peças. O pólo cerâmico exporta para os países do Mercosul, Europa, Austrália, Estados Unidos, Dinamarca, Inglaterra, Alemanha, Suíça, entre outros países.
  As empresas do Paraná respondem por 90% de toda a porcelana comercializada, 50% da cerâmica eletro-eletrônica e 30% da cerâmica branca. Em 2007, o setor teve uma arrecadação de impostos de R$ 34,266 milhões. O segmento emprega 3.500 funcionários diretos no Paraná e cerca de 2.800 indiretos.
  A produção do setor cresce de 10% a 20% ao ano no pólo de porcelana de Campo Largo. Segundo o presidente do Sindilouça-PR, o mercado recuou bastante, mas, nos últimos quatro anos, está voltando a ocupar o espaço que tinha perdido. ‘‘As pessoas voltaram a comprar porque o poder aquisitivo está melhorando e houve aumento da oferta de crédito’’, disse. (A.B.)

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