SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Muito se fala em consumo consciente e os impactos positivos que pode trazer para a sociedade. É certo que tal prática pode ser exercitada em qualquer supermercado, mas existem lugares onde isso se torna mais fácil, seja pela diversidade de produtos ecologicamente corretos ou pela facilidade de saber sobre sua origem, sua história e envolvimento com a comunidade. O Centro Público de Economia Solidária de Londrina é um exemplo.
Aberto há pouco mais de um ano, o local oferece dezenas de produtos feitos por cerca de 300 pessoas que integram o Programa Municipal de Economia Solidária, cujo objetivo é apoiar iniciativas coletivas de geração de trabalho e renda para grupos que se organizam com base na auto-gestão. Além de toda a filosofia que envolve o trabalho, os produtos ganham fácil os consumidores pela originalidade e pelo preço considerado justo.
Lá é possível encontrar almofadas, bolsas, instrumentos musicais, tapetes, toalhas de mesa, pijamas, camisetas, xales, gorros, caixas decorativas, cestos rústicos, colchas, jogos de banheiro, móveis rústicos e até bombons, licores, bolachinhas e doces em compota. Tudo artesanal, feito em grupo e utilizando diversas técnicas como patchwork, arte em retalhos, crochê, bordado.
O produto mais barato (R$ 1) é o bombom e o mais caro (em torno de R$ 230) uma colcha de crochê bordada. Mas há várias opções de peças entre R$ 15 e R$ 30. Um diferencial é a presença dos ícones de Londrina em alguns produtos, como camisetas, tapetes e almofadas que trazem estampas sutis de café, da terra vermelha, de praças, monumentos e pontos turísticos da Cidade.
Levei licor de café e algumas camisetas numa viagem que fiz a Campo Grande (MS) e as pessoas adoraram, conta a psicóloga Luciana Gusmão, que faz compras com freqüência no Centro de Economia Solidária. Ela costuma presentear as pessoas com produtos de lá e lembra que no Natal passado gastou cerca de R$ 300 em presentes para toda a família.
Além da originalidade, me causa um impacto muito grande saber que estou comprando produtos feitos com respeito ao meio ambiente e que vão ajudar a inserir pessoas no mercado de trabalho de forma não exploratória, diz a psicóloga.
Consumidora de carteirinha de artesanato, a promotora de saúde Maria Abadia Lúcia vê no Centro de Economia Solidária a oportunidade de estar sempre levando algo interessante para a casa. Grande parte da decoração da casa dela é de lá, como o tapete de crochê e as almofadas e o tapete de retalhos vermelhos.
Achei tão lindo (o tapete) que cobri o sofá com ele, derrete-se a consumidora, que gasta cerca de R$ 60 por mês em compras no Centro. O artesanato enche os olhos. E o fato de esse trabalho (Programa Municipal de Economia Solidária) agregar pessoas em torno daquilo que elas têm habilidade é fantástico. Isso me chama atenção, observa.
Originalidade que gera renda
Além do Centro Público de Economia Solidária, os produtos feitos pelos grupos podem ser comprados no Centro Regional de Economia Solidária, na Zona Norte de Londrina, e no Espaço Paineiras, dentro do Parque Arthur Thomas Esses dois locais passaram a funcionar como pontos de comercialização no mês passado, quando o programa municipal completou três anos. No início, o artesanato era vendido nas próprias comunidades e nas feiras livres.
Segundo a coordenadora do programa, Sandra Nishimura, a sede da Zona Norte funciona como local de reuniões e de produção de dois grupos de produtos alimentícios e um de confecção. Lá é possível adquirir produtos feitos somente por esses grupos. No Arthur Thomas, o consumidor pode encontrar peças que trazem ícones do parque (animais, natureza). Também há sucos e salgados.
Oferecemos produtos voltados para o consumo consciente e também solidário, pois geram mais trabalho e mais renda para pessoas do próprio Município, diz Sandra. Tudo é feito com base na auto-gestão, onde todos têm participação nas decisões e a distribuição da renda é feita de forma igualitária, completa.
A artesã Luci Alves Varjão sempre trabalhou com artesanato sozinha e há poucos mesmes integra o grupo Arte no Retalho do Programa Municipal de Economia Solidária que produz tapetes, colchas e almofadas. Em grupo, a gente produz melhor. O nosso trabalho tem boa aceitação (junto aos consumidores), diz ela, que leva até dois dias para produzir um tapete grande em retalhos, vendido por R$ 180. (G.M.)


