SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de setembro de 2008
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
De produto específico para dietas, as barrinhas de cereais caíram no gosto popular e ganharam o posto de alimento prático e saudável. Hoje, têm lugar de destaque nos supermercados e são encontradas facilmente nas farmácias. Desde a primeira barrinha a surgir no mercado há 14 anos, apareceram as clássicas ''cereais e frutas'', as versões de soja e as inusitadas misturas com chocolate, que mais parecem um bombom. Agora, que tal uma de sorgo?
A opção foi apresentada ontem durante o 27º Congresso Nacional de Milho e Sorgo, que segue até amanhã no Centro de Eventos de Londrina, numa realização do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Embrapa Milho e Sorgo. Ainda em fase de experimentação em laboratório, a barra de cereais com adição de pipoca de sorgo foi oferecida para degustação aos participantes e, para surpresa dos pesquisadores, agradou em cheio.
''O que nos surpreendeu foi a alta aceitação, já que isso geralmente não acontece quando um produto novo é apresentado'', observa a nutricionista Valéria Vieira Queiroz, pesquisadora da área de segurança alimentar da Embrapa Milho-Sorgo, de Sete Lagoas (MG). De 125 pessoas que provaram a barrinha, cerca de 90% deram notas entre 7 e 9, o que significa que gostaram ''moderadamente'' ou ''extremamente''.
O objetivo, segundo a pesquisadora, é observar a aceitação do público em relação ao sorgo, cereal introduzido no Brasil no século passado, mas que até hoje é utilizado no país somente na alimentação animal. ''Na África, 80% do sorgo produzido é destinado à alimentação humana'', informa Valéria. A produção concentra-se no Centro-Oeste e chance de ganhar fôlego diante o cenário de escassez de alimentos e sua relação direta com a produção de biocombustíveis.
Segundo a pesquisadora, a barrinha de sorgo pode ser colocada no mercado futuramente, desde que haja fabricante interessado. Por enquanto, ela diz que uma empresa de Belo Horizonte já demonstrou interesse, mas não há nada concretizado.
Com 25 gramas, o produto é semelhante às demais barrinhas existentes no mercado. Além do sorgo, leva aveia, flocos de arroz, banana desidratada, glicose de milho, óleo vegetal, lecitina de soja e açúcar mascavo. No preparo, os pesquisadores diminuíram a quantidade de arroz e adicionaram a pipoca de sorgo. O cereal é rico em fibras e compostos antioxidantes, cuja importância está no combate de doenças crônico-degenerativas como o câncer.
''Agora que já sabemos da boa aceitação, vamos aumentar a quantidade de sorgo na barrinha'', diz Valéria. Ela informa que a composição nutricional do produto ainda não está detalhada para constar num futuro rótulo. Mas ainda tem uma outra boa notícia: quando entrar no mercado, a barrinha de sorgo deverá ser vendida a um preço abaixo das demais - hoje uma caixinha com três unidades nos supermercados custa em média R$ 3.
Invenção da Embrapa tem sabor suave
A maioria das pessoas que experimentou a barrinha de pipoca de sorgo, ontem, gostou do sabor e garantiu que se tornaria consumidora do produto caso seja industrializado. É muito bom. Jamais diria que isso aqui é sorgo, disse a bióloga Beatriz Marti Emygdio. Como a gente não está acostumada com o sorgo na alimentação, imagina que é pesado. Mas, pelo contrário, é muito suave. Das barrinhas vendidas hoje nos supermercados, Beatriz prefere as mais naturais.
A modelo Karina Fernandes, que é fiel às barrinhas com recheio de chocolate e castanha, aprovou a invenção da Embrapa. É gostosa, bem mais macia que as outras, parece até mais light. Eu compraria, disse. Ela costuma escolher este tipo de produto no supermercado pelo sabor e não pela maior ou menor quantidade de caloria. É bem prático, dá para levar na bolsa.
Para o estudante de agronomia Asthor de Moura Neto, a barrinha de sorgo não tem diferença das demais. É gostosa igual às outras, afirmou ele, que gosta de andar sempre com uma barra de cereais no bolso. Achei sensacional a iniciativa da Embrapa em difundir a cultura do sorgo para agregar valor em gêneros alimentícios, disse. (G.M.)
Saiba escolher o produto
Com tantas opções de barrinhas no mercado, alguns detalhes devem ser observados para que se obtenha um produto realmente saudável. A nutricionista Valéria Vieira Queiroz, pesquisadora da Embrapa Milho-Sorgo, observa que as barrinhas são opções ideais para quem não tem tempo de fazer as refeições em casa. Podem ser facilmente transportadas e acondicionadas em locais sem refrigeração. Ela dá algumas dicas na escolha do produto:
Escolha as barrinhas que tenham
- maior teor de fibras
- mais frutas desidratadas
- menor teor de gordura
Evite o produto que tenha
- chocolate na cobertura ou recheio
- mais calorias embutidas


