SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Antigamente, os cabelos só recebiam tinta quando começavam a aparecer os primeiros fios brancos. Hoje - conforme salões de Londrina ouvidos pela reportagem - 90% das mulheres, independente da idade e classe social, mudam a cor do cabelo. Dessas, a maioria quer o loiro. São consumidoras exigentes, que não toleram um possível descuido do cabeleireiro na hora de acertar o tom.
Investem de R$ 50 até R$ 400 para mudar o visual e voltam em média a cada vinte dias ao salão para fazer a manutenção da cor. O preço varia conforme o comprimento do cabelo, a qualidade dos produtos utilizados e o nível do estabelecimento.
Há casos em que as loiras são as principais responsáveis pela movimentação do salão. ''A maioria aqui pinta de loiro. Mas, mesmo entre as que não pintam, praticamente todas querem ser loiras, e só não escolhem essa cor porque o marido ou o namorado não deixam. Ainda existe preconceito'', revela Malta de Souza Carvalho, cabeleireira há 10 anos e loira há seis.
Dona de um salão popular, ela cobra em média 20% a mais pela pintura de um cabelo quando a cliente opta pelo loiro. ''Tem tintas que custam a partir de R$ 6 e outras que chegam perto de R$ 20 o tubo. O loiro exige produtos de maior qualidade para garantir melhor acabamento. E dá trabalho, tem que retocar a cada vinte dias, fazer hidratação e manter sempre escovado. Mas as mulheres investem com prazer'', conta Malta, cujos preços cobrados pela pintura vão de R$ 50 a R$ 100. A manutenção (retoque da raiz) fica entre R$ 35 e R$ 45.
No caso das mulheres que já têm 70% de fios brancos, manter-se loira garante maior praticidade. ''Elas podem demorar até 30 dias para retocar a raiz, já que os fios brancos se confundem com os loiros e não chamam muita atenção'', diz Rose Caetano Souza, proprietária de um salão em Londrina, que faz parte de uma franquia nacional. No estabelecimento, que atende a classe alta e utiliza só produtos de primeira linha, o loiro é a principal opção entre as mulheres de diversas idades - em segundo lugar vêm os vários tons de marrom. Os preços para pintar vão de R$ 140 a R$ 400, enquanto a manutenção da cor fica entre R$ 90 e R$ 120.
A mulher que quer clarear os cabelos tem à disposição entre cinco e sete tons de loiro, desde o escuro até o ultra-claro, com 42 ''cores fantasia'', que levam números ou letras. A identificação é padronizada por diversas marcas. ''Mas não adianta escolher: 'quero aquela cor da cartela'. Primeiro é preciso descobrir o pigmento invisível do cabelo natural para saber quantos tons é possível clarear'', explica a cabeleireira Dora Seibel Araujo, que já foi técnica de várias marcas de produtos para cabelo e hoje é profissional do salão de Rose Souza.
Dependendo do caso, ela leva até dois dias para transformar a cor do cabelo da cliente. E as loiras são as consumidoras mais criteriosas. ''Se você escurecer um tom a mais de uma loira, ela tem um chilique. Ela chora. Qualquer mudança no cabelo de uma mulher exige todo um trabalho para estudar a personalidade dela. Há casos em que é necessário assinar um termo autorizando a mudança'', contextualiza Dora.
Há 15 anos lidando com a vaidade feminina, ela observa que o ''cabelo para a mulher é a alma, tem ligação com o lado espiritual''. E por que grande parte quer ser loira? ''Para chamar atenção. A mulher sente que ficando loira, todos vão olhar para ela'', diz.
Dizer que uma loira não faz diferença é mentira
A agrônoma Lorena de Araújo Moreira não abre mão de ser loira e investe para isso. Todo mês, ela deixa no salão em média R$ 600 para pintar, retocar a cor, hidratar e escovar o cabelo. Não precisa marcar horário. Tem agendamento fixo todo final de semana. Quem não tem tempo, disposição e paciência não pode ser loira, diz Lorena, que se definiu pela cor há 15 anos. E dinheiro? Claro, dinheiro também. Conheço mulheres que abrem mão de muita coisa para manter o cabelo.
Ela conta que desde a adolescência pinta o cabelo e já passou por diversas cores. Eu tenho pele clara, olhos claros, mas sinto que não nasci tão loira quanto gostaria. Não é por futilidade, está muito além disso, tem a ver com auto-estima. Eu me sinto loira, explica a agrônoma, cuja cor natural do cabelo é castanho claro.
Lorena leva tão a sério a dedicação com o visual que já chegou a pegar avião para retocar a cor do cabelo. Eu morava no Norte do país e uma vez por mês ia para São Paulo num salão da minha confiança. Trocava de avião quatro vezes para chegar. É o tipo de coisa que loira, se puder, paga para ter, repara. Atualmente, ela não fica mais de quinze dias sem retocar a raiz e faz hidratação toda semana.
O resultado, segundo Lorena, é compensador. Já tive cabelo negro, castanho, vermelho e posso dizer que o impacto que uma mulher loira causa é completamente diferente. Dizer que uma loira não faz diferença quando chega é mentira, atesta a agrônoma. (G.M.)
Uso incorreto pode causar irritação do couro cabeludo
Quem costuma tingir o cabelo precisa tomar alguns cuidados para não ter resultados desagradáveis. Segundo a médica dermatologista Silvia Mara Ávila Santilli, quando usada de forma incorreta a tintura pode irritar o couro cabeludo, causando vermelhidão, coceira ou descamação. Nestes casos - ou em situações de alergia ao produto - a recomendação é suspender o uso e procurar atendimento médico.
Conforme a dermatologista, um dos principais descuidos é deixar a tintura agir mais tempo do que o indicado na embalagem. Ela informa que o consumidor deve seguir corretamente as instruções do fabricante quanto ao tempo para o produto agir e a utilização. Deixar o produto mais tempo no cabelo não vai tingir mais, mas aumenta o risco de irritação do couro cabeludo, observa.
Silvia informa ainda que o intervalo para tingir o cabelo deve ser de no mínimo 30 dias e para retocar a raiz 20 dias. Ela recomenda fazer também hidratação, para evitar que o cabelo perca a umidade, e a cauterização, para recompor a queratina. A tinta tende a ressecar o cabelo, pois altera a queratina que é o protetor natural dos fios. O cabelo pode também ficar opaco, quebradiço. Então, esses cuidados são necessários, destaca.
Ela observa, porém, que as tintas de cabelo hoje estão bem menos agressivas do que antigamente e, desde que utilizadas corretamente, não fazem mal. Por precaução, devem ser evitas por grávidas durante os primeiros três meses de gestação. (G.M.)


