A preocupação com a saúde bucal da criança deve começar ainda no útero. Cuidados que a mãe toma durante a gestação podem garantir qualidade na formação dos dentes do bebê. A prevenção é sempre o melhor remédio. É por isso que comprar creme dental infantil vai além da escolha de marca, sabor e preço. O consumidor deve ficar atento à quantidade de flúor expressa no verso da embalagem.
Estudos mostram que até os 5 anos de idade as crianças engolem em média 30% da pasta utilizada na escovação. ''Enquanto a criança não sabe cuspir, o creme dental deve ser sem flúor. O flúor ingerido em excesso pode causar fluorose, que provoca manchas brancas no esmalte dos dentes permanentes'', explica a odontopediatra Ana Lúcia da Rocha Morais, que também ministra palestra sobre saúde bucal em curso de gestantes. Este tipo de produto é encontrado em farmácia ao preço médio de R$ 12 (o tubo de 70 gramas). ''Há um tempo atrás só existia uma marca no mercado sem flúor, mas hoje há várias disponíveis'', observa.
Os supermercados, em geral, vendem cremes dentais infantis com flúor. Segundo a odontopediatra, quando a criança começa a aprender a cuspir, é possível comprar estes tipos de produtos, porém, com quantidade reduzida de flúor, cujo índice vem expresso no verso do tubo. ''Para crianças nessa fase, é recomendado creme com 500 ppm (partes por milhão) de flúor. Existem algumas marcas, fáceis de encontrar, que trazem esta quantidade'', afirma Ana Lúcia.
Os demais cremes contêm acima de 1.000 ppm de flúor - quantidade compatível com a pasta dos adultos - e são indicados apenas para crianças que já sabem cuspir. Os preços das pastas com flúor vão de R$ 2 a R$ 5, dependendo da marca e do tamanho da embalagem.
Outra observação feita pela odontopediatra é em relação à quantidade de creme a ser colocada na escova, que deve ser mínima, o equivalente a um grão de arroz. ''O objetivo é fazer a criança a se habituar com pouca pasta'', diz. Quanto à escova, Ana Lúcia diz que a mais adequada é a de material emborrachado, com cabeça pequena, cerdas mascias e bordas arredondadas.
A odontopediatra esclarece que o flúor - quando não ingerido - é fundamental para a dentição. ''Fortalece o esmalte do dente, dificultando o surgimento das cáries'', destaca. Ela explica que a fluorose - alteração no esmalte do dente provocada pelo excesso de ingestão de flúor - tem vários graus e as manchas que surgem nos dentes podem ser reduzidas ou não (em consultório), dependendo do nível do problema.
''Na fluorose de grau três, por exemplo, o dente nasce todo poroso e vai lascando. Mas hoje isso é raro. Antigamente era mais comum por causa da utilização das pastas com flúor em crianças pequenas e devido à alta dosagem de flúor na água tratada'', repara Ana Lúcia. No entanto, ela alerta que a fluorose é preocupante, principalmente pela estética. ''É importante que os pais saibam que mesmo aquela pequena quantidade de flúor ingerida pela criança todo dia pode provocar o surgimento da fluorose'', reforça.

Cuidados devem começar na gestação
  A formação dos dentes de leite começa na sexta semana de vida intra-uterina e a da dentição permanente no quinto mês de gestação. Daí a importância dos cuidados com a saúde física e emocional da gestante. ‘‘Infecções no organismo da mulher podem provocar alterações na formação dos dentes da criança’’, informa a odontopediatra Ana Lúcia da Rocha Morais.
  Quem nunca ouviu falar que antibiótico estraga os dentes? Pois, Ana Lúcia esclarece que não é o medicamento o responsável pelos possíveis danos, mas o motivo pelo qual se tomou o remédio - a exemplo de infecções. Ela ressalta ainda a importância da amamentação materna. ‘‘Além do aspecto emocional, o ato de amamentar desenvolve a musculatura dos maxilares e faz com que a criança aprenda a respirar corretamente pelo nariz. Também promove um melhor alinhamento da dentição’’, explica.
  Quanto ao momento de iniciar a higiene bucal da criança, a profissional diz que a partir dos primeiros meses de vida é recomendado o uso de uma gaze só com água filtrada e ao nascer o primeiro dentinho é ideal misturar água filtrada com água oxigenada dez volumes (proporção de três para um). ‘‘Sempre massageando com carinho, fazendo deste um momento de prazer’’, observa.
  A introdução da escova com creme dental sem flúor, segundo Ana Lúcia, deve acontecer quando surgirem os primeiros molares, por volta de um ano de idade. Ela diz que, ainda assim, é bom reforçar a higienização com a gaze. (G.M.)

Mães reconhecem a importância da prevenção
  O uso de creme dental infantil sem flúor é um hábito na família da professora Maria Alice Valente Gomes. Foi assim com a filha Maria Isabel, 11 anos, e o mesmo está acontecendo com Maria Carolina, 3. ‘‘Temos dentistas na família e, além disso, a profissional que nos atende reforça bastante esses cuidados. A minha geração não teve esse tipo de informação. E, se agora temos, por que não prevenir?’’, observa Maria Alice, que também é mãe de Rafael, que ainda não completou um mês de vida.
  Ela compra o creme dental sem flúor para Maria Carolina em farmácia pelo preço médio de R$ 12. ‘‘Não é barato, mas dura muitos meses. O tubo é grande e a quantidade diária usada é bem pequena’’, repara. Segundo Maria Alice, a filha de 3 anos já sabe cuspir, mas ainda engole parte da pasta. Ela diz que vai insistir nos hábitos corretos com Maria Carolina, levando em conta os benefícios que já percebe na dentição da filha mais velha.
  A professora universitária Fabiana de Andrade Melo Sterza, mãe de Giovana, 1 ano e 11 meses, e Gabriela, 4 anos e meio, compra creme dental com quantidade reduzida de flúor em supermercado. ‘‘Com a Gabriela, usei a pasta sem flúor durante os primeiros anos, mas com o nascimento da Giovana passei a utilizar uma marca com flúor reduzido para as duas’’, conta.
  Fabiana reconhece a importância do creme sem flúor para a caçula, que ainda não sabe cuspir, mas observa que o produto nem sempre é fácil de se achar, além de ser mais caro. ‘‘Por causa da praticidade, opto pela pasta com flúor reduzido que encontro em qualquer supermercado’’, diz. (G.M.)

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