Que a utilização de amaciante faz toda a diferença no acabamento das roupas a maioria sabe - não só quem lava e passa, mas principalmente aquele que usa as peças. O que muita gente não leva em conta é que o preço nem sempre é o mais importante na hora de escolher uma entre quase dez marcas disponíveis nos supermercados. ''Muitas vezes se paga pouco por um produto que vai trazer também pouca eficiência'', destaca José Carlos de Andrade Abrahão, professor do Departamento de Química da Unopar (Universidade Norte do Paraná).
As embalagens de amaciantes, em geral, falam de maciez, suavidade, aroma, mas não trazem informações suficientes para que o consumidor faça sua escolha com base na composição do produto, concentração, entre outros. Uma das saídas para tentar acertar na escolha, portanto, é escolher as marcas mais conhecidas. ''Os grandes fabricantes, geralmente, colocam no mercado produtos mais concentrados, que têm maior rendimento. Para os consumidores, há compensação nisso'', afirma Abrahão.
Segundo o professor, todos os amaciantes têm como base o mesmo princípio ativo, ou seja, os sais quaternários de amônio, cujo efeito principal é deixar o tecido mais macio. ''O segredo industrial envolve não só a concentração do produto, mas a utilização de aditivos que sejam menos agressivos ao meio ambiente e à saúde. Há várias empresas atentas para isso'', repara o professor.
Um mesmo produto pode ter diferentes opções de aroma, mas esse quesito não interfere na eficácia, segundo o químico. Quanto à quantidade a ser utilizada na lavagem da roupa, Abrahão observa que deve-se seguir o que indica o fabricante no rótulo. ''Levando isso ao pé da letra, até para o meio ambiente vai ser melhor'', afirma.
Preocupados em economizar, alguns consumidores compram a matéria-prima para fazer em casa o seu próprio amaciante, cuja receita leva, normalmente, pasta base, corante, essência e formol. O professor de química alerta, no entanto, que o uso do formol é perigoso para o leigo, podendo trazer sérios danos à saúde. ''Para quem não está habituado, pode causar intoxicação'', diz. Como opção caseira e ecológica, ele sugere uma receita que inclui água, glicerina, sabonete picado e Leite de Rosas.
Para o empresário Francisco Pita, que fabrica produtos de limpeza (linha profissional para empresas) há 25 anos, além de conferir maciez, o amaciante tem função neutralizante. ''Se ficar resíduo de sabão na roupa, o amaciante ajuda a neutralizar''.


Consumidores analisam preço e qualidade
  Consumidores ouvidos pela FOLHA valorizam aspectos variados na hora de escolher o amaciante. O eletricitário Gelson Rocha faz compras com a lista feita pela esposa, que já determina a marca do produto preferido pela família há cerca de cinco anos. ‘‘Já tentamos usar outro, mas não deu certo. Voltamos para esta marca que apesar de ser mais cara, deixa a roupa mais cheirosa e macia, e também fácil de passar’’, diz Rocha, que compra em média quatro frascos de dois litros de amaciante por mês.
  Já a psicóloga Fernanda Corrêa sempre escolhe o produto mais barato entre as três marcas que considera de qualidade. ‘‘A que estiver com melhor preço eu levo’’, conta. Ela compra dois frascos de dois litros por mês e opta pelos produtos que ‘‘rendem mais e deixam a roupa mais cheirosa’’.
  Rita Isabel Barzotto, dona de lavanderia, compra amaciante da linha profissional, mas eventualmente leva o produto de supermercado. ‘‘O amaciante faz toda a diferença na hora de passar a roupa, além de garantir a maciez ao vestir. Costumo comprar um produto importado que é bem concentrado. Mas às vezes levo amaciantes de supermercado e opto pelos mais suaves. Há clientes (da lavanderia) que têm alergia, então nestes casos uso um amaciante de nível médio. Tem até algumas pessoas que pedem para não usar nada’’, diz. (G.M.)

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