SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de agosto de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Polido (ou branco), parboilizado e integral são os principais tipos de arroz encontrados nos supermercados. No geral, há pelo menos dez marcas nas prateleiras. Se for para economizar, as primeiras opções são os mais consumidos no Brasil: o polido e o parboilizado, cujos pacotes de cinco quilos vão de R$ 4 a R$ 13. Pelo valor nutricional, a melhor indicação é o integral, que garante maior quantidade de fibras, vitaminas e minerais por preservar a casca e a película.
Mais caro e difícil de ser encontrado, o integral vem em embalagens menores (custa cerca de R$ 5 o pacote de um quilo). Além de ter uma vida mais curta de prateleira, podendo ficar rancificado com o tempo, o integral tem maior preço também pelo fator do marketing. Ele ganha outro status, já que é mais consumido por quem faz regime e busca vida saudável, observa Maria Victoria Grossmann, professora do departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Do ponto de vista nutricional, o parboilizado é a opção mais acessível. Segundo a professora, este tipo de arroz passa por um tratamento hidrotérmico, que faz com que as vitaminas presentes na película penetrem no grão. Isso garante ao cereal um alto teor de vitaminas e lipídeos, além da característica de arroz que nunca gruda depois de cozido. Por outro lado, é um produto de cor escura e sabor acentuado, que não agrada a todos os consumidores. Mas aos poucos vem conquistando o seu espaço
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz Parboilizado (Abiap), o produto já ganha mais de 20% dos consumidores de arroz do mercado. E como novas empresas estão entrando no setor do parboilizado, este tipo de produto também está ficando mais barato, com o preço praticamente equiparado ao do polido - o parboilizado já foi até 20% mais caro.
Consumido em maior escala no Brasil, o arroz polido é o mais pobre em nutrientes. O processo de beneficiamento remove totalmente a casca e as películas que protegem o grão. Com isso, há uma perda nutricional em termos de vitaminas do complexo B e proteínas de alto valor biológico, destaca Maria Victoria.
Seja qual for o tipo de arroz consumido, o importante é não deixar faltar o ceral nas refeições diárias. É um alimento facilmente digerido e rico em vitaminas do complexo B, sais minerais e amido. O seu principal papel é fornecer energia para o organismo. Junto com o feijão, forma a combinação perfeita.
Ambos oferecem aminoácidos que fornecem proteínas de melhor qualidade ao organismo. Eles se completam: no feijão falta a metionina, que está presente no arroz. Já o arroz é pobre em lisina, encontrada no feijão, explica a nutricionista Mirtz Ayumi Nakamura, professora do curso de nutrição da Unifil.
As proteínas influenciam no desenvolvimento dos ossos, músculos, cabelos, unhas e na cicatrização. Como a carne é um alimento de alto custo e nem todos os brasileiros têm acesso, o arroz com feijão é a combinação ideal para fornecer proteína de boa qualidade, observa a nutricionista, reforçando que a opção mais saudável é o integral. Por ser rico em fibra, o integral previne alguns tipos de câncer e a obstipação intestinal.
Consumidores são fiéis às marcas
Quando o assunto é arroz, os consumidores ouvidos pela FOLHA geralmente se mantêm fiel a uma ou duas marcas (do polido). Independente do preço, essas pessoas levam sempre o produto com o qual estão acostumadas e já sabem como vai ficar depois de pronto. Uma promoção, porém, é capaz de levar o consumidor a experimentar algo diferente.
Compro uma única marca desde que foi lançada. É um arroz de qualidade, fica sempre soltinho e não unidos venceremos. É mais caro, mas vale, diz a dona de casa Beatriz Vieira Urizzi, cuja família (ela e o marido) consome apenas dois quilos do cereal por mês. O pacote de cinco quilos da marca escolhida por ela custa em torno de R$ 13.
Jesiane Sotana, também dona de casa, é fiel a duas marcas. Se não acha uma, leva a outra, independente do valor. São tipos de arroz muito bons. Os grãos ficam miudinhos e soltinhos na panela. São mais caros, mas vou pela qualidade, diz ela, que mensalmente compra em média dois pacotes de cinco quilos de arroz de marcas que custam entre R$ 11 e R$ 13 (o pacote).
Acostumado a consumir uma mesma marca há vários anos, o motorista Luiz Perseti resolveu experimentar um produto diferente que estava em promoção: R$ 4,85 (o pacote de cinco quilos). Gosto de arroz soltinho, que cresce na panela. Vamos ver se este é bom. O preço chama atenção, afirma. A família de Perseti consome cerca de quatro pacotes de cinco quilos de arroz por mês. (G.M.)


