Depois de três altas consecutivas, os preços dos alimentos voltaram a cair em Londrina. No mês passado, o custo da cesta básica teve recuo de 6,06%, ficando em R$ 195,37 para uma pessoa e R$ 586,10 para uma família (formada por dois adultos e duas crianças). Dos 13 produtos pesquisados, 10 tiveram queda nos preços: açúcar, arroz, café, carne, feijão, leite C, margarina, óleo de soja, pão francês e tomate (veja quadro). No ano, a cesta básica acumula alta de 10,94%, enquanto nos últimos 12 meses o reajuste acumulado é de 36,45%.
  A maior redução ocorreu nos preços da carne, que ficou, em média, 13,06% mais barata, seguida pelo café e óleo de soja. As únicas altas foram registradas nos custos da banana, batata e farinha de trigo. ‘‘Depois de tantas altas consecutivas nos meses anteriores, os preços foram revertidos’’, diz o economista Flávio Oliveira dos Santos, coordenador da pesquisa que acompanha a evolução dos preços em Londrina. Ele acrescenta que a entrada da safra de cana-de-açúcar contribuiu para a redução de preços do açúcar.
  ‘‘A queda do consumo de produtos que estavam com preços muito altos pode ter forçado a baixa dos preços’’, avalia Santos. Ele acrescenta que se a cesta básica fosse comprada no supermercado mais caro o preço seria de R$ 643,43 (para a família), enquanto uma pessoa gastaria R$ 214,48. Se o consumidor fizesse pesquisa de preços e comprasse cada produto apenas no supermercado mais barato os alimentos seriam comprados por R$ 478,07 (para a família) e R$ 159,36 (uma pessoa). O levantamento é realizado mensalmente em nove supermercados da cidade por alunos da Empresa Júnior da Universidade Pitágoras.
  ‘‘A pesquisa de preços traria uma economia de 34,59% ou
R$ 165,36 aos consumidores. Só estes números já justificam a pesquisa’’, salienta. Entre os produtos a maior diferença encontrada foi no custo do quilo da batata, que apresentou variação de 101,01%. O quilo do legume foi vendido entre R$ 0,99 e R$ 1,99. Em seguida, o quilo da banana também foi comercializado por R$ 1,10 e
R$ 1,99, diferença de 80,91%. No quilo da carne - produto com maior redução de preço - foi verificada variação de 38,79% entre os supermercados. O menor custo encontrado foi de R$ 9 o quilo, enquanto o maior foi R$ 12,49.
Consumo
  Entre os consumidores a percepção sobre a alta de preços é geral. A pedagogoa Vilze Vidotti Costa acredita que o maior aumento de preços ocorreu no preço da carne. ‘‘O consumo caiu porque há menos pessoas em casa e, agora só em duas, estamos gastando quase a mesma coisa’’, comenta. Ela diz não ter tempo para fazer pesquisa de preços e que, por isso, costuma fazer compras no supermercado mais próximo. A advogada Anna Cláudia de Brito Gardemann também não costuma pesquisar antes de comprar, mas fica atenta às promoções dos supermercados.
  ‘‘O que subiu mais foram os preços dos alimentos básicos como carne, arroz e feijão. Percebi que estou gastando 10% mais de uma compra para outra e esse aumento é gradativo’’, avalia Anna Cláudia. Já a professora Aparecida Canônico Cremasco não costuma comprar muitos alimentos nos supermercados porque prefere almoçar em restaurantes self-services. ‘‘Compensa mais almoçar fora do que fazer comida em casa só para mim. Mas os preços dos restaurantes também subiram entre 5% e 10%, conforme o lugar’’, comenta. Para comprar produtos de higiene e limpeza ela diz observar as promoções. ‘‘Aproveito as oportunidades, se estou perto de um supermercado entro e compro o que está mais barato’’, observa.

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