A corrida de rua ganhou status e vem conquistando cada vez mais adeptos no Brasil. Segundo a Comissão Nacional de Corridas de Rua, há cerca de 600 eventos de corridas no Brasil por ano, que reúnem 4 milhões de praticantes. É um mercado que movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano apenas em material esportivo, com crescimento médio anual de cerca de 40%. Londrina, por exemplo, sedia no próximo dia 2 de agosto o Saturday Night Run - evento que reúne corrida e artes -, que deve ajudar a impulsionar as vendas do segmento esportivo na região.
''É uma modalidade que conquista muita gente porque dá para você praticar quando quiser, em qualquer lugar, inclusive quando viaja. Você se exercita, conhece pontos turísticos e ainda faz amizade'', afirma Cristiano Ferraz, supervisor da rede Tecnosport, que tem seis lojas especializadas em roupas, calçados e acessórios esportivos no Paraná e Mato Grosso do Sul.
A maior parte dos clientes da rede é de atletas amadores, que compram quase todos os meses algum item para correr. Os preços atendem bolsos variados. Um shorts custa de R$ 49 a R$ 149; uma camiseta, de R$ 39 a R$ 239; e um tênis, a partir de R$ 200 até R$ 700. Além de ser o produto mais caro, o tênis é substituído com frequência pelos atletas - em média a cada cinco meses. ''Tênis bom para corrida tem que ter amortecimento, além de ser apropriado ao peso da pessoa e ao tipo de pisada'', esclarece Ferraz.
As roupas, segundo o supervisor, são feitas em ''tecidos tecnológicos'', que garantem a secagem rápida do suor. ''Várias marcas trazem esses tecidos, que são testados em laboratório. A secagem rápida das roupas ajuda a manter baixa a temperatura do corpo, melhorando a performance'', diz Ferraz. Ele afirma que há camisetas com proteção contra os raios solares - até com fator 100 - e shorts com sungas (internas) antibacterianas.
Tantas novidades fazem com que os adeptos da corrida estejam sempre consumindo. ''Vou sempre pela qualidade. Às vezes, tem produto que nem é tão bonito, mas é o mais adequado para a modalidade'', diz a empresária Juliana Calixto, que pratica corrida há três anos e gasta em média R$ 1 mil a cada dois meses em artigos esportivos. Tênis, ela troca a cada cinco meses.
Atleta profissional há cinco anos, Rodolfo Cesar Guimbarski consome em média R$ 800 por mês em roupas e tênis, mas os custos são bancados por patrocinadores. O último tênis que ele comprou custou R$ 600. ''É um modelo bom para fazer treino longo, evita lesão, é bem confortável. Uso um tênis para correr de três a quatro meses, depois disso ele começa a perder o amortecimento'', diz o atleta, que tem 20 pares.
A empresária Giane Castello, que corre há um ano e meio, conta que sempre compra artigos esportivos em loja onde possa receber orientações. ''Tenho consciência de que preciso adquirir produtos que se adequem ao meu perfil, seja roupa ou tênis. Por isso, gosto de vendedores bem treinados e capacitados'', diz ela, que gasta em média R$ 150 por mês em loja especializada.

Escolher o tênis certo melhora a performance
  Segundo o personal trainner Marcio Simão, o tênis é o principal item das compras para a prática da corrida. Ele afirma que o modelo não precisa ser o mais caro, mas aquele que se adeque ao perfil do atleta e ao estilo da corrida. ‘‘É importante optar por uma marca relativamente boa porque essas geralmente fazem pesquisa para garantir a qualidade do produto’’, destaca.
  Simão observa que o tênis adequado garante ao atleta melhor performance, já que absorve o impacto, evita lesões e proporciona conforto. ‘‘Isso tudo faz com que a pessoa corra mais sem sentir muito cansaço’’, diz. Ele informa que o tênis deve ser leve, mas se o atleta for participar de uma maratona, por exemplo, o calçado tem que agregar durabilidade. ‘‘Num percurso de mais de 40 quilômetros, o amortecedor não pode ser tão mole porque vai deformar no trajeto’’, repara.
  Na medida do possível, o personal recomenda aos praticantes de corrida que tenham dois pares de tênis para fazer o revezamento. ‘‘Quem corre todo dia é bom alternar os modelos, porque a parte do amortecedor demora até 24 horas para voltar ao estado normal’’, explica, informando que a vida útil de um tênis de corrida é de 600 a 700 quilômetros de trecho percorrido. Quanto às roupas, Simão indica que o mais importante é usar tecidos leves e que tenham boa ventilação.
  Para os que querem começar a correr, Simão alerta que é necessário passar por consulta com médico e avaliação física com profissional de educação física. ‘‘O ideal é começar caminhando e passar a correr gradativamente’’, diz. (G.M.)

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