SUAS COMPRAS
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terça-feira, 15 de julho de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Loca 
Não é só a alimentação humana que está ficando mais cara. O preço da ração já pesa no bolso de quem tem cães e gatos em casa. Do início do ano até agora, o produto registrou alta de até 20%, o que fez boa parte dos donos de animais substituir as variedades caras pelas mais baratas. Segundo os comerciantes, a alta é motivada pela inflação e também pelo fato de a ração de animais domésticos ter entrado para o regime da Substituição Tributária, que prevê a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na fonte.
''Mas é a inflação em cima dos alimentos o que dá mais impacto no preço da ração. Foi um reajuste de fábrica mesmo, então subiu no geral, independente de lojista ou de distribuidor'', analisa Vanessa Melges Lens, proprietária da loja Pappa Dog, há 15 anos no mercado em Londrina. ''O que está nos ajudando a não repassar o reajuste de uma vez é o nosso estoque. Assim, conseguimos desconto no volume e, na medida do possível, nos prevenimos das altas'', observa Adriana Freitas, dona do Pet Shop Com-Tour, há três anos na Cidade.
Atualmente, a média de preço do saco de 15 quilos de ração para cachorro vai de R$ 18 (a mais básica) a R$ 120 (super premium). As intermediárias ficam na média de R$ 35 (standard) e R$ 80 (premium). A embalagem de 15 quilos - a mais comprada pelos donos de animais - é suficiente para alimentar um cão de médio porte durante um mês. Quem compra ração específica por raça ou para algum tipo de doença do animal vai desembolsar em média R$ 60 (por cada saco de dois a três quilos).
No caso dos gatos, o valor gasto pelos donos é cerca de 40% superior ao preço da alimentação canina. ''Além disso, é mais complicado substituir o tipo de ração porque o gato é mais seletivo, tem o paladar mais aguçado que o cachorro'', explica Vanessa. Os comerciantes do setor sempre alertam as pessoas que querem trocar a ração sobre as possíveis reações no organismo dos bichos.
Mesmo sabendo dos riscos, alguns donos tentam a substituição para driblar a alta. O empresário André Becegato trocou a alimentação de seus três cães (um filhote de chow chow e dois pit bulls adultos) e não se arrepende. ''Eles se adaptaram, estão bem saudáveis. A ração que eu usava subiu muito, então mudei para uma mais barata, mas ainda assim com boa qualidade'', diz ele, que driblou a alta de R$ 50 que teria no seu gasto mensal com ração. Com a manobra, continua gastando R$ 150.
A dona de casa Adelaide Woczinski também está tentando fazer a troca. ''Mas nem sempre meus animais gostam. Ultimamente, encontrei um tipo de ração mais barata que eles gostaram. Só fico com as de qualidade, não vou dar 'palha' só para matar a fome'', diz Adelaide, que tem quatro cães vira-latas e vários gatos que tirou das ruas. Só com a alimentação dos animais, ela tem um gasto mensal médio de R$ 800.
A dona de casa diz que pensa em cozinhar para os cachorros para economizar, mas acredita que não compensa. ''Os cães adoram quando eu faço arroz com fígado de galinha ou de boi. Dou uma fritada e deixo aquele caldinho. Depois coloco cenoura ou outro legume. Só que no preço que está a comida, pode ficar até mais caro'', constata.
Para algumas pessoas, porém, a troca é inadmissível. ''Mesmo se subir mais, vou continuar com a mesma ração. Apesar de caro, compensa'', afirma a estudante Desirée Nápole, dona de um cão yorkshire, de um ano, que come ração super premium (R$ 24,90 o pacote de um quilo).
Quem também não abre mão da ração que utiliza é a vendedora de consórcio Neuza Félix, proprietária de dois poodles que consomem cerca de R$ 60 em alimentação por mês. ''O ser humano se vira com uma omelete. Já o cachorro a gente fica morrendo de dó. Enquanto eles estiverem vivos, vou tratar deles com uma boa ração, mesmo que suba mais'', diz.


