SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Além dos diversos tipos de lanches e salgados, é cada vez mais comum a presença de vendedores de frutas nas ruas de Londrina. Em carrinhos que percorrem vários pontos da cidade, em bancas fixas ou em veículos estacionados nas principais avenidas, as frutas da época entram em evidência. Para os consumidores, a vantagem é a praticidade de não ter que enfrentar fila no supermercado, além da possibilidade - na maioria dos casos - de comprar produtos de qualidade.
Em uma volta pelas ruas é possível encontrar goiaba, banana, poncã, maçã, mamão, caqui e morango. Diferente dos supermercados ou dos sacolões, muitas vezes a venda nas ruas é feita por dúzia ou por saquinho com várias unidades. Os vendedores dizem que vão três vezes por semana à Ceasa (Central de Abastecimento) comprar os produtos e optam pelos itens da época. O consumidor que chega cedo consegue encontrar as frutas mais bonitas. Quanto melhor a aparência, mais cedo o produto some da banca.
Quando tem aquelas goiabas bonitas, vende tudo rapidinho. Banana bonita, bem lisinha, vende bem também, observa a vendedora Conceição Ribas dos Santos, que tem banca de frutas no centro de Londrina há 23 anos. Entre os clientes dela, há os que passam a caminho do ponto de ônibus e levam frutas em maior quantidade para a casa e os que compram apenas uma unidade para o lanche no intervalo do trabalho.
Para a vendedora, o cliente da rua é tão exigente quanto o do comércio formal. O pessoal quer coisa boa, mas também reclama se o preço sobe de um dia para o outro. Hoje em dia esse ramo não está dando muita renda para a gente porque a mercadoria subiu muito, repara.
O taxista Antonio Lemes de Proença, que trabalha no centro, não volta para casa sem levar frutas diariamente. Eu e minha esposa consumimos muita fruta. Costumo comprar goiaba, mexerica, abacaxi, quase sempre em uma mesma banca porque sei que lá o produto é bom, conta. Na opinião do taxista, o preço, às vezes, pode até ser mais caro na rua do que no supermercado, mas a praticidade compensa. Saio à noite do serviço, e se ainda tiver que passar no mercado vou ter que enfrentar fila. Só vou mesmo ao mercado para fazer outras compras, diz.
Outro tipo de consumidor é aquele que está passando pelo centro e não resiste às frutas com boa aparência. Quando vejo aquelas goiabonas, paro e compro. Também já comprei pêssego e caqui, afirma a pensionista Nair Zaninelli Tizon, que estava acompanhada da filha, a dona de casa Julieta Zaninelli Arjonas. Durante as compras no centro da cidade, elas pararam num carrinho de frutas para levar morango e goiaba. Gosto de comer morango com creme de soja. Achei os daqui da rua mais bonitos que os do supermercado, conta Julieta.
A auxiliar de administração Bruna Rafaela Cardoso saiu do trabalho e comprou morango para fazer suco a pedido da mãe. Ela (a mãe) acha que o morango vendido nas ruas é mais vermelhinho, diz. Bruna observa que não compensa ir ao supermercado, já que os preços das ruas são compatíveis.
Segundo a Prefeitura de Londrina, a quantidade de vendedores de frutas nas ruas é desconhecida. Muitos não têm parada e novos surgem a cada dia. A informação é de que vários deles não têm licença para atuar.
Frutas devem ser bem higienizadas
As frutas compradas nas ruas exigem os mesmos cuidados que as adquiridas em supermercado. O perigo está em consumi-las na hora, sem fazer a higienização. Existe risco de intoxicação alimentar por causa dos agrotóxicos e contaminações presentes na casca, alerta a nutricionista Carla Jadão Alves, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar). O ideal, segundo ela, é entrar em algum estabelecimento e pedir para usar a torneira, lavando as frutas em água corrente.
Para uma higienização mais completa em casa, ela recomenda o uso de uma bucha (sem sabão ou detergente), além de deixar as frutas de molho durante quinze minutos na água potável com vinagre (duas colheres de sopa para cada litro de água) ou na água potável com hipoclorito de sódio. Muita gente desconhece, mas o hipoclorito é o produto mais recomendado para higienizar frutas e verduras. É encontrado em forma de pó nos supermercados. A dosagem adequada é indicada na embalagem, explica Carla.
Na opinião da nutricionista, a boa higienização é capaz de reduzir grande parte do agrotóxico presente na casca da fruta. O mais problemático é o morango. Das frutas, é ele o que mais absorve o agrotóxico, diz.
Quanto aos benefícios das frutas para a saúde, Carla destaca que elas são fontes de vitaminas, minerais e fibras, que ajudam a regularizar o intestino e reduzem a incidência de doenças. Devem ser ingeridas após as refeições e também nos intervalos. A recomendação é de cinco unidades por dia. (G.M.)


