Curitiba – Com a chegada do inverno é normal a procura por pratos e bebidas mais saborosos e quentes que atendam às necessidades do corpo e também do paladar. O queijo e o vinho ganham à mesa do consumidor nesta época do ano, fazendo com que os supermercados aumentem as vendas desses produtos. Porém, harmonizar vinhos com os alimentos é uma arte. O primeiro segredo para acertar na combinação é respeitar o paladar pessoal de cada um. A dica é do sommelier da rede de supermercados Angeloni, Carlos Eduardo de Sousa. O prato nunca pode ter sabor mais marcante que o vinho.
  Ele disse que alimentos mais condimentados combinam com vinhos mais encorpados feitos com uvas cabernet sauvignon e shiraz. ‘‘O que determina um prato, é a forma como ele é preparado’’, destacou. Sousa explicou que um queijo como o parmesão, massas com molho ao sugo ou bolonhesa e carnes vermelhas casam bem com os vinhos encorpados.
  Já o queijo Gruyère, mais leve, vai bem com um vinho produzido a partir de uva sauvignon blanc – que também acompanha bem carnes brancas, peixes e frutos do mar.
  Sousa explicou que a harmonização também pode ser feita por contraste. Um bom exemplo disso seria um queijo gorgonzola - que possui sabor marcante - com um vinho doce a partir de uva sauternes ou late harvest, que equilibram o sabor forte do queijo.
  Os frutos do mar já têm uma acidez característica, por isso, não é aconselhável servir estes pratos com vinho tinto encorpado. Mas, nada impede de utilizar um vinho tinto seco mais leve a partir de uva pinot noir ou um vinho branco. Por outro lado, um salmão preparado com várias ervas e condimentos requer um vinho tinto. Caso este prato seja preparado da forma tradicional, pede um vinho branco.
  As entradas - como canapés - devem ser servidas com espumante brut (seca) ou champanhe. Mas, a dica de Sousa é não se prender apenas as regras. ‘‘O principal é agradar a todos os convidados’’, disse. Uma forma de aprender a diferenciar os vinhos também é degustá-los, sempre levando em conta o paladar pessoal.
  O sommelier apontou algumas grandes gafes. Uma delas seria comprar o queijo e o vinho mais caros para uma recepção. ‘‘Não é preciso gastar muito para tomar bons vinhos e degustar bons queijos’’, disse. Segundo ele, outro erro é achar que peixes devem ser servidos apenas com vinho branco e carnes vermelhas, só com vinho tinto.
  Souza destacou que na Serra Gaúcha é onde são produzidos os melhores vinhos do País. A melhor produção nacional, segundo ele, é de espumantes. ‘‘Nosso clima é propício para uvas brancas e uvas merlot’’, destacou.
  Queijos – O queijo tem sabor forte e, em geral, é gorduroso. Além disso, é salgado e pode ser ácido. Já os vinhos podem ficar mais amargos em contato com o sal e têm seu sabor recoberto, se não forem tão ácidos quanto o queijo.
  Esta combinação pode ser feita por contraste ‘‘Vinhos doces para queijos de sabor marcante ou similares vão bem, como também vinhos leves para queijos de sabores delicados. O fundamental é o equilíbrio entre ambos, pois os queijos e os vinhos devem se completar e não se sobrepor’’.
  ‘‘O segredo é experimentar o vinho. Para quem cozinha é mais fácil’’, disse o empresário Renato Stolfa. Ele destacou que muita gente tem preconceito com vinhos brancos mas, na opinião dele, são os que mais harmonizam com vários pratos. ‘‘O vinho rosê é o coringa’’, lembrou.
  A corretora de imóveis Gina Schroeder acredita que, para quem tem conhecimento, é fácil combinar vinhos com os pratos. Ela disse que a dica para aprender é fazer cursos, ler sobre o assunto e degustar vinhos. ‘‘É um assunto infinito. Quanto mais você aprende, mais quer saber’’, comentou. Para o fisioterapeuta Álvaro Lopes Quintas Neto não é difícil fazer a harmonização. ‘‘É uma coisa muito individual. Vai do paladar de cada um, ou seja, do que traz o prazer de tomar vinho e comer queijos’’, disse.

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