SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de julho de 2008
Andrea Bertoldi 
Curitiba - Os supermercados tornaram-se grandes centros de compras onde é possível encontrar de tudo, desde alimentos até roupas, eletroeletrônicos e artigos para presentear. De acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o setor de não-alimentos representa 34,8% do faturamento das redes de supermercados brasileiras. Nesta lista entram têxteis, tabaco, perfumaria, outros produtos, mercadorias em geral, itens de limpeza, de farmácia e eletrônicos.
As redes Big e Wal-Mart têm produtos de bazar, têxtil e eletroeletrônicos. O diretor comercial do Grupo Wal-Mart, Marcelo Mendes, disse que a concentração de produtos variados no mesmo local facilita a vida do cliente. ''Atendemos a necessidade das pessoas da falta de tempo. Isso gera fidelização para as lojas'', afirmou.
O Grupo Pão de Açúcar está nesta área de itens não-alimentícios desde 1971, com a extinta rede Jumbo, sediada em Santo André (SP). Em Curitiba, o grupo tem quatro lojas Pão de Açúcar e duas Extra. A companhia trabalha com eletrodomésticos, roupas, acessórios, calçados, artigos para casa, mesa e banho, artigos esportivos, automotivos, material escolar, brinquedos, entre outros.
O Extra realiza duas feiras específicas - a de informática e a de telefonia. No Grupo Pão de Açúcar, os produtos não-alimentícios representam 25,2% do faturamento total. Segundo o diretor de têxtil do grupo, Jorge Letra, o objetivo é aumentar essa participação para 33% em 2010. A companhia teve um faturamento de R$ 17,6 bilhões em 2007 e para este ano prevê investir R$ 733 milhões. A previsão é registrar vendas brutas de R$ 20 bilhões em 2008, com crescimento nominal de 6,5%.
A rede Carrefour trabalha com eletroeletrônicos, bazar (móveis, bicicletas, artigos esportivos, produtos para cada) e têxteis (roupas, calçados, cama, mesa e banho, bolsas e moda íntima). Além disso, oferece serviços como a Drogaria Carrefour, postos de gasolina e agências de turismo de ''marca própria''. O grupo ainda conta com a parte de soluções financeiras que inclui a emissão de cartões da rede e contratação de seguro para o cartão.
Na rede Angeloni é possível encontrar produtos de bazar, eletroeletrônicos e têxteis. Na parte de bazar, são oferecidos itens como faqueiros, panelas, aparelhos de jantar, artigos de decoração e cristais. O grupo fechou 2007 com um faturamento de R$ 1,2 bilhão. Na rede Condor, os produtos não-alimentícios respondem por 23% do faturamento total. No ano passado, o grupo faturou R$ 927 milhões. Hoje, a companhia conta com 25 lojas.
Consumidores aprovam diversificação
O professor de comportamento do consumidor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Aldin Freitas, acredita que a venda de produtos variados nos supermercados aumenta a conveniência para o consumidor.
Com o crescimento dos supermercados, que se tornaram supercentros, aumentou o mix de produtos, o tamanho das lojas e o número de checkouts (caixas). Enquanto o consumidor está fazendo compras, pode deixar o carro para lavar,
disse.
As facilidades que as grandes redes oferecem fazem até o cliente se deslocar distâncias maiores para ir em um hipermercado. Ele lembrou que, o lado negativo, é que, com a ampliação dos supermercados muitas lojas de departamento e panificadoras deixaram de existir.
As grandes redes supermercadistas também conseguiram um poder de barganha maior junto aos fornecedores e, com isso, negociam preços melhores. Ele destacou que, com um mix maior, as redes tiveram que criar uma gestão mais sofisticada, tiveram que controlar quebras de estoque como produtos danificados, consumidos ou até extraviados nos estoques.
Segundo ele, nos supermercados, muitas vezes, o consumidor não tem um atendimento mais próximo por parte dos funcionários. Se a pessoa quer fazer uma compra mais complexa é melhor ir em uma loja especializada que pode ajudá-la a tomar uma decisão melhor, disse.
Os supermercados sofisticaram muito. Ir a uma loja dessas é um entretenimento (para o consumidor), destacou. No entanto, ele alerta para a compra de eletroeletrônicos de marca própria que, em alguns casos, têm qualidade duvidosa e não oferecem assistência técnica.
Nos supermercados, é possível encontrar tudo no mesmo local. O preço é mais barato (em relação a outros lugares) e a qualidade é a mesma, disse o cabeleireiro Luiz Carlos Zana. Ele contou que costuma comprar roupas e eletroeletrônicos nestes estabelecimentos. A auxiliar de tesouraria, Elizabeth Daniel de Souza, considera razoável o preço dos itens não-alimentícios nos supermercados. Não tenho do que reclamar da qualidade dos produtos, disse a londrinense Elizabeth. Ela estava comprando tênis em um supermercado de Curitiba recentemente. Você começa a andar e olhar os produtos no supermercado. Se estiver dentro do orçamento e interessar, eu compro, afirmou. (A.B.)


