Curitiba - A cesta básica de Curitiba fechou o quarto mês consecutivo com alta. Entre março e junho, o aumento da cesta foi de 15,82%. No mês passado, os 13 produtos pesquisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) subiram 3,10%. No ano, a cesta subiu 21,55% e nos últimos 12 meses a alta acumulada é de 33,13%.
O economista do Dieese, Sandro Silva, lembrou que a cesta registra alta desde agosto de 2007. Neste período, o reajuste acumulado foi de 35,58%. Hoje, seriam necessários 1,64 salários mínimos para comprar os 13 produtos para uma família formada por um casal e duas crianças. Em junho, o custo da cesta fechou em R$ 682,74.
Em junho, oito dos 13 produtos pesquisados ficaram mais caros. Silva destacou que o aumento da carne foi determinante. Caso este produto tivesse ficado com o preço estável, a cesta teria apresentado uma queda de 0,40%. Hoje, a carne representa 35,70% do valor da cesta básica. Este alimento está em entressafra e as geadas têm prejudicado as pastagens, o que faz o preço do produto subir. A carne também teve aumento da cotação internacional. Entre maio e junho, a carne subiu 18,94%. Em março, o quilo do produto era vendido por R$ 10,35. Em junho, custava R$ 12,31.
O produto que mais subiu na cesta foi o arroz (22,10%). Este alimento vem em alta desde março e de lá para cá subiu 42,58%. Em fevereiro, o quilo do produto era vendido por R$ 1,55. Em junho, saía por R$ 2,21. Silva explicou que o arroz teve atraso no plantio com a estiagem e também ocorreu escassez do produto na Ásia, o que aumentou a cotação internacional. Em junho, o arroz subiu em todas as 16 capitais pesquisadas. Curitiba teve o quinto maior aumento.
Outro alimento que subiu em junho foi a batata (10,60%). O produto ficou mais caro em todas as 16 capitais. Curitiba teve o sexto maior aumento. Entre março e junho, a alta da batata foi de 27,48%. Em março, o quilo custava R$ 1,31 e, em junho, R$ 1,67. Além da questão climática, o produto está no final da safra da batata das secas.
O açúcar foi o quarto produto que mais subiu na cesta (9,09%). Este item ficou mais caro em nove das 16 capitais e Curitiba registrou a maior alta. Nos últimos dois meses, o produto subiu 17,65%. Não há uma explicação para o aumento já que a cana-de-açúcar ainda está em safra. A maior queda ocorreu com a banana (-21,52%). Em junho, o quilo do produto custava R$ 1,93.
Silva destacou que nos últimos 12 meses, o salário mínimo teve reajuste de 9,21% e a cesta de 33,13%. Isso fez o poder aquisitivo do mínimo cair. Curitiba fechou junho com a sétima cesta mais cara e o quarto menor aumento em percentual. A estimativa é quem em julho, a cesta continue subindo, o que vai depender muito do preço da carne.

Higiene e limpeza se mantêm estáveis
  Curitiba - Os produtos de higiene e limpeza ficaram praticamente estáveis em junho e fecharam o mês com queda de 0,04%. Os itens de limpeza apresentaram queda de 0,34%, influenciada principalmente pelas quedas da esponja de louça (-11,60%), desinfetante (-5,27%), apesar da alta no sabão em barra (2,79%).
  Nos produtos de higiene
foi verificada uma alta de 0,16%, com destaque para os aumentos nos preços do
sabonete (4,65%), desodorante (6,68%) e no condicionador (3,62%), apesar das quedas no absorvente (-10,35%) e no papel higiênico (-1,90%).
  Nos produtos de limpeza, as maiores variações entre o maior e o menor preço ocorreram com o balde (106,92%), vassoura (81,94%), sapólio em pó (74,40%), pano de chão (67,96%) e no álcool (66,95%). As menores variações ficaram com o detergente líquido (15,12%), sabão em pó (20,77%) e desinfetante (26,90%).
  Nos produtos de higiene, as maiores variações aconteceram no desodorante (75,61%), bronzeador (60,22%) e no papel higiênico (54,65%). As menores variações foram registradas no xampu (18,40%), creme para pele Vasenol (18,63%) e no condicionador (25,63%). O economista do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, destacou que os produtos de higiene e limpeza consomem 5% do orçamento familiar. (A.B.)

Nas capitais, aumento no semestre chegou a 29%
Folhapress
  São Paulo - O custo da cesta básica subiu nas 16 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no primeiro semestre de 2008. Os maiores aumentos foram apurados em Recife (29,24%), Natal (25,91%) e João Pessoa (25,37%). As menores altas acumuladas ocorreram em Aracaju (12,03%), Goiânia (11,83%) e Belém (10,47%).
  Além de Curitiba (21,55%), também registraram aumento Brasília (19,86%), Rio (21,44%), Salvador (16,90%), Florianópolis (24,80%), São Paulo (14,26%), Porto Alegre (15,87%), Belo Horizonte (15,25%), Fortaleza (23,85%) e Vitória (16,33%).
  Os aumentos acumulados em 12 meses de julho de 2007 a junho de 2008 são expressivos e superiores ao reajuste de 9,21% concedido, este ano, ao salário mínimo. As principais elevações foram verificadas em Natal (51,85%), João Pessoa (45,02%) e Recife (44,92%). Porto Alegre (27,24%) e São Paulo (30,83%), apesar de serem as duas cidades mais caras em junho, têm as menores variações acumuladas em 12 meses.
  Apenas no mês de junho, o preço subiu em 14 das 16 capitais pesquisadas. Os maiores aumentos foram registrados em Goiânia (10,64%), Brasília (6,43%), Rio de Janeiro (5,93%) e Salvador (5,38%). As únicas quedas foram registradas em Vitória (-1,13%) e Fortaleza (-0,35%).
  Porto Alegre, cujos produtos essenciais básicos tiveram aumento de 4,29%, voltou a ter a cesta mais cara (R$ 246,72). São Paulo continua no segundo posto, com a cesta valendo R$ 245,24. Os menores custos foram registrados em Aracaju (R$ 191,75) e Salvador (R$ 185,53).

O que você está fazendo para driblar a alta dos preços dos alimentos?

‘‘Mudei as marcas do arroz, óleo de soja, açúcar, trigo, leite e café. Tenho que mudar a qualidade dos produtos. O consumo continua o mesmo’’.
Tânia de Fátima S. de Oliveira, secretária


‘‘Tive que cortar o supérfluo e trocar por marcas mais baratas. Tem coisas que não dá para substituir. Estou fazendo mais comida em casa. Deixei de comprar bolo pronto. Ontem, gastei R$ 35,00 no mercado para fazer o café da tarde’’.
Simone do Rocio da Silva, costureira

‘‘Procuro as ofertas e promoções dos supermercados para tentar conciliar a alta dos alimentos’’.
Lúcia Helena Menosso, bancária

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