SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O consumo de sal em todas as camadas da população pode ser bem maior que o imaginado pela maioria das pessoas. É que as famílias quase sempre consideram apenas o sal usado no preparo dos alimentos em casa. O recomendado pelos organismos de saúde é de no máximo quatro gramas por dia, mas basta fazer uma conta simples para observar que este número pode ser bem maior. As famílias de tamanho padrão têm quatro pesssoas e geralmente compram um quilo de sal por mês - neste caso dá uma média de oito gramas por dia. O maior problema, entretanto, está no consumo dos produtos industrializados. Há estudos que apontam que pelo menos dois terços do consumo de sal provém deste tipo de alimento.
A estudante Stefânia Reis diz que prepara as próprias refeições e leva em conta a quantidade de sal na hora de temperar os alimentos. Mesmo assim, ela diz que é difícil manter o consumo sob controle, principalmente em função dos alimentos que compra já preparados. ''A gente tem que controlar um pouco, mas é difícil porque o mercado de industrializados está aí e, querendo ou não, a gente acaba consumindo''. Stefânia reconhece que o excesso de sal pode causar problemas à saúde e, por isso, busca uma alimentação mais balanceada. ''Procuro consumir também produtos naturais, com muita fibra e cereais''.
O advogado Carlos Rumiato diz que se preocupa com uma alimentação saudável e consome pouco sal por recomendação médica. ''Em casa a gente usa o sal light, e procura diversificar com carne branca, legumes e verduras para melhoria na saúde''. Rumiato tem problemas renais e a sua esposa é hipertensa. Ele afirma que se preocupa com o excesso de sal nas lazanhas, pizzas, enlatados e embutidos, mas admite que o consumidor não tem muita alternativa. ''Você fica refém de uma situação; se você não compra, você mesmo tem que fazer, e então entra a questão da disponibilidade de tempo''. Rumiato reconhece que o excesso de sal nos alimentos industrializados pode anular o efeito no consumo de sal light. ''A gente não tem controle nenhum com esses alimentos preparados fora de casa e tem que consumir com o sal que eles colocam''.
A professora Silvani Cristine Ribeiro Doná tem dois filhos pequenos, de um e cinco anos, e diz que se preocupa com a quantidade de sal que usa em casa e prefere os temperos já preparados. Ela evita dar salgadinhos industrializados para as crianças, exatamente por causa do excesso de sal. ''A gente vê que o que sobra na embalagem é puro sal, parecem grãozinhos de sal mesmo. Além disso, eles ainda têm excesso de corantes e conservantes; então procuro evitar''. Silvani diz que usa o sal branco em sua casa apenas por causa do iodo, um produto que é adicionado ao sal para evitar as doenças de tireóide.
Propaganda vai restrigir excesso de sal, açúcar e gordura
Agência Graffo
Alimentos com alto teor de sal, açúcar e gordura podem desaparecer da televisão antes das 21h. É que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por regular a propaganda de bebidas e remédios, tem uma proposta para regular a propaganda de alimentos também.
A preocupação principal é com os horários que os anúncios sobre alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal são veiculados - geralmente antes do almoço e à tarde -, para atingir o público jovem, que inclui especialmente crianças e adolescentes. Segundo especialistas, crianças são vulneráveis à essas propagandas e não conseguem diferenciar o que é desenho animado e o que é propaganda desses alimentos.
Até o fim do ano, o Ministério da Saúde pretende adotar várias regras para restringir e regular esse tipo de publicidade. Além do horário, a publicidade terá mensagens de alerta sobre os males dos ingredientes desses produtos, como: O consumo excessivo de gordura aumenta o risco de desenvolver diabetes e doença do coração, além de proibir o uso de figuras, desenhos e personagens que sejam admirados pelo público jovem em propagandas desses alimentos.
Segundo o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília, os produtos com alto teor de gordura, açúcar e sal, como biscoitos, fast food, sorvetes e salgadinhos de pacote, entre outros, representam 72% do total de anúncios de alimentos veiculados na televisão.
Industrializados representam 88% do consumo, diz médico
O cardiologista Evander Botura afirma, com base em algumas pesquisas, que o consumo de sal varia entre duas a cinco vezes mais do que o recomendado. Segundo ele, o ideal é consumir menos de quatro gramas de sal por dia. Entretanto, há estudos que mostram que esta quantidade é bem superior.
Uma pesquisa realizada recentemente em 32 países concluiu que o consumo médio diário de sal é de 10 gramas, enquanto outras pesquisas mais localizadas indicam o consumo entre 12 a 20 gramas por dia.
Botura afirma que o maior problema está nos alimentos industrializados, que representam 88% do consumo de sal. O médico explica que o sal em excesso é um dos fatores relacionados à hipertensão arterial, que pode afetar cinco órgãos: o coração, o cérebro, os olhos, os rins e as artérias das pernas.
Ele diz que a situação preocupa por que atualmente cerca de um bilhão de pessoas tem hipertensão arterial, o que corresponde de 25% a 30% da população mundial adulta. Este número deve aumentar em 60% até o ano de 2.025, segundo informações oficiais. Botura aconselha as pessoas a evitarem alimentos cujo rótulo indique a presença de mais de 300 miligramas de sódio.
O cardiologista acrescenta que o problema não está apenas no consumo excessivo de sal, mas também no consumo reduzido de potássio. Segundo ele, as pessoas deveriam consumir ao menos cinco gramas de potássio por dia, mas consomem apenas a metade. O potássio é encontrado principalmente nas frutas, legumes e verduras. (E.A.)


