Projeto evita que população jogue as lâmpadas no lixo

  Apucarana - O descarte de lâmpadas fluorescentes está deixando de ser um grave problema de ordem ambiental em Apucarana, no Norte do Paraná, desde que a máquina ‘‘papa-lâmpadas’’ iniciou suas ‘‘visitas’’ à cidade. Todo segundo sábado de cada mês é montado um ponto de coleta de lâmpadas e outros objetos na Praça Rui Barbosa, ao lado da Catedral. O projeto foi implantado para evitar que a população jogue as lâmpadas fluorescentes em qualquer lixo ou na primeira caçamba que encontre pela frente. Até agora, foram recolhidas cerca de duas mil lâmpadas por mês.
  O advogado Irmo Celso Vidor levou três lâmpadas fluorescentes ao ponto de coleta. ‘‘Esta é uma forma que a gente encontrou de incentivar a reciclagem porque a preservação do meio ambiente é de extrema importância e a gente não pode esperar que a iniciativa parta sempre do poder público’’. Para ele, a coleta ainda é pequena porque nem todos estão conscientes a respeito do problema. ‘‘Tem muita gente que nem separa o lixo em casa e joga o que sobra no fundo do quintal’’. Vidor acredita que a conscientização sobre o meio ambiente passa, necessariamente, pela educação. ‘‘Nós temos que levar essa idéia para a escola para atingir um resultado mais eficiente porque o adulto é um pouco mais difícil de se conscientizar’’.
  A adolescente Maria Fernanda Teixeira, que estuda o segundo ano do ensino médio, levou uma lâmpada ao ponto de coleta. ‘‘Esta é a primeira vez que trago uma lâmpada e para mim isto é importante porque cada um deve fazer a sua parte’’. A estudante reconhece que há muitos jovens que jogam estas lâmpadas em ruas e calçadas, sem saber que isto prejudica o meio ambiente. ‘‘Acho que os jovens precisam se divertir, fazer um pouco de bagunça, mas sem prejudicar os outros e o meio ambiente’’. Maria Fernanda concorda que a mudança de atitude em relação ao assunto depende também da escola.
  O jovem Marcos Alexandre da Silva trabalha como auxiliar administrativo em uma loja de utilidades domésticas que aceita de volta as lâmpadas usadas por seus clientes. ‘‘As lâmpadas têm um prazo de validade e a loja faz a troca se elas queimam antes do prazo’’. Ele foi ao ponto de coleta com uma grande caixa de papelão onde estavam cerca de 30 lâmpadas fluorescentes. ‘‘Acho que este tipo de trabalho é importante não só para a natureza mas também para a saúde das pessoas’’. Na opinião de Silva, este trabalho de conscientização está dando resultado positivo pois já observou a redução do número de lâmpadas quebradas nas ruas.


Material causa danos ao meio ambiente
  Toda lâmpada entregue no ponto de coleta é triturada no próprio local por uma máquina que tem o nome de ‘‘papa-lâmpadas’’. A empresa cobra R$ 0,50 do consumidor por lâmpada triturada. O responsável por este trabalho no Norte do Paraná é o microempresário e eletricista industrial Junior Muniz Dias, que tem licença da empresa que coleta estes resíduos em vários locais do Brasil.
  A máquina funciona em grande tambor adaptado. A lâmpada é colocada em uma espécie de cano, onde é triturada. Neste processo são separados o vapor de mercúrio, o vidro e os outros resíduos (pedaços de alumínio, pó fosfórico e pinos de latão). ‘‘Quando a lâmpada é descartada sem esses cuidados, o vapor de mercúrio vai para o solo e com o tempo pode contaminar a água e toda a cadeia de alimentos’’, afirma Dias.
  Segundo ele, as pessoas não têm consciência dos danos que as lâmpadas fluorescentes podem causar ao meio ambiente. A maior parte das lâmpadas é entregue por indústrias e universidades.
  A coleta de lâmpadas fluorescentes é uma parceria entre a Naturalis Brasil e a Prefeitura de Apucarana. O superintendente da Secretaria de Meio Ambiente do Município, Sérgio Bobgi, diz que a quantidade de lâmpada coletada ainda é pequena porque o trabalho de conscientização está sendo iniciado. ‘‘Se a gente não começar, a gente nunca vai atingir o objetivo que é recolher todas as lâmpadas’’.
  Bobgi reconhece que há uma legislação obrigando o comércio a receber de volta as lâmpadas usadas por seus clientes, ‘‘mas ninguém assume esta responsabilidade’’, afirma. (E.A.)

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