Curitiba - A alimentação em geral ficou 12,93% mais cara nos últimos 12 meses. Com isso, uma família que gastava R$ 1 mil com alimentos, hoje deixa R$ 1.129,00 no supermercado para garantir todas as refeições do mês. O reajuste foi calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a pedido da Folha. Um levantamento realizado pelo supervisor técnico e economista da entidade, Cid Cordeiro, mostrou que o almoço básico formado por arroz, feijão e carne subiu 27% nos últimos 12 meses. O custo mensal destes três itens para uma pessoa passou de R$ 31 para R$ 39. O arroz ficou 29% mais caro, a carne 20% e o feijão 135%.
Para quem almoça fora de casa, ou seja, em restaurantes e bufês, o custo aumentou 8,93%. Cordeiro explica que os restaurantes não repassaram todo o aumento do preço dos alimentos. Isso porque as matérias-primas como arroz, feijão, carne e hortifrutigranjeiros respondem por 60% do preço da refeição que ainda tem a influência de outros custos como gás de cozinha, luz, água, aluguel e funcionários.
O café da manhã mais simples composto por pão, leite e café está 21% mais caro. Há um ano, o gasto mensal para uma pessoa com a primeira refeição do dia era R$ 14,00. Hoje, não sai por menos de R$ 17,00.
Hoje, a alimentação tem um peso de 20% no orçamento das famílias que ganham de um a oito salários mínimos. Há um ano, o percentual era menor e ficava em 19%. Para quem tem renda menor, os alimentos pesam mais no bolso. Já para as famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, a alimentação consome 13,5% do orçamento mensal.
O grande problema é que, no atual momento, o consumidor tem pouca margem de manobra para driblar a alta dos alimentos. Cordeiro lembrou que, em situações anteriores, ocorria o reajuste de alguns itens, o que permitia a substituição de alimentos. Agora, o que ocorre é um aumento generalizado dos alimentos.
Para economizar, a dica dele é reduzir na qualidade dos produtos. Por exemplo, substituir carne de primeira por de segunda, trocar um arroz de melhor qualidade por um de segunda classe. Outra dica é fazer pesquisa de preço e aproveitar as ofertas, o que pode levar a uma economia de 30% a 50% por item comprado.
Ele acredita que os alimentos ainda devem subir, mas em patamares inferiores que os atuais. Os principais motivos que levaram a alta dos alimentos foram a redução dos estoques mundiais e o aumento do consumo nos países asiáticos e a alta do petróleo que influenciou o reajuste dos fertilizantes e do transporte. Outro problema foi a especulação financeira. Com a queda das bolsas de valores e dos imóveis nos Estados Unidos, os fundos de investimento voltaram os olhos para as commodities agrícolas.
No mercado nacional ocorreram problemas climáticos que afetaram alguns produtos, aumento de custo de insumos agrícolas e recuperação de margem de itens como arroz e feijão.
A aposentada Erminda Carniel que estava fazendo compras na última sexta-feira com a nora Roseli Nunes Carniel e a neta Maria Eduarda, percebeu que os produtos que mais subiram foram carne, farinha de trigo, pão, macarrão, feijão e arroz. ''Não cortei nenhum alimento, mas faço uma pesquisa de preços antes de comprar'', disse.
A bancária Ana Cláudia de Jesus contou que procura aproveitar as promoções. ''Cortei muita coisa como suco, enlatados, congelados e batata frita'', disse. Ela trocou os produtos mais industrializados por alimentos naturais como arroz, feijão, carne, batata, verduras e legumes.

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