SUAS COMPRAS
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
As mulheres superam os homens em vários setores da economia, no mercado de trabalho e nos bancos das universidades. Mas além disso, elas estão ocupando alguns segmentos que antes eram quase que exclusivamente masculinos. Primeiro foram os postos de combustíveis; agora são as lojas de materiais de construção. Uma pesquisa da Telhanorte, realizada nas 26 lojas da rede em todo o País, constatou que as mulheres são responsáveis atualmente por 42% do movimento em suas lojas. E, na verdade, não é preciso muito esforço para se chegar a esta conclusão.
As irmãs Cláudia Denobi, vendedora, e Jaqueline Corbanez, professora, fizeram uma parceria há alguns anos para a construção de suas residências. Na época, Jaqueline morava nos Estados Unidos e a Cláudia assumiu a obra da irmã em sua totalidade. Eu construi a casa dela e agora ela está me ajudando; a minha casa já está na fase de acabamento, afirma.
As duas estavam em uma loja de materiais de construção para comprar pisos, o que para elas já se tornou rotina. A compra destes produtos não é mais uma atividade masculina. Agora, até a areia, a pedra e o cimento é por nossa conta. Cláudia afirma que acompanha todo trabalho e que seu marido fica 15 ou 20 dias sem ir à obra.
A parceria entre as irmãs foi tão boa que Jaqueline aprovou tudo o que foi feito, mesmo estando fora do País na época. A minha irmã fez a minha casa do começo ao fim e eu aprovei tudo, ficou perfeito. Agora, ela acompanha todos os detalhes da casa da irmã e até coloca a mão na massa, se for necessário. A mulher é boa também neste tipo de coisa; em tudo é preciso haver um toque feminino. O toque final é sempre da gente mesmo. Isto não significa que o marido de Jaqueline não tenha participação no investimento. É sempre a gente que compra o material e faço tudo do meio jeito; ele só paga a conta.
A advogada Márcia Coelho está reformando a casa onde mora há um ano e diz que faz tudo sozinha porque é separada. No meu caso, não tenho alternativa, mas quando era casada meu marido também não vinha. Ela reconhece que hoje está bem mais fácil a própria mulher vir à loja de materiais de construção até porque algumas lojas facilitam tudo para a gente.
Márcia concorda que as mulheres estão assumindo tarefas que eram exclusivas dos homens. Hoje em dia, a mulher ocupa seu espaço e para ela não há problema em fazer a mesma atividade que o homem faz. Mas acha que o homem tem o direito de dar alguns palpites na construção de uma casa. O homem, geralmente, só vem para casa para descansar e ficar com a família. Mas no caso de uma obra, ele pode escolher o lugar para a churrasqueira; o resto é com a mulher.
Sexo feminino está sobrecarregado, diz socióloga
A socióloga Francisca Vergíneo Soares reconhece que as mulheres estão realizando uma série de tarefas que antes eram típicas dos homens, mas encara isto com certa preocupação.
Segundo ela, a mulher conquistou vários direitos e o mercado de trabalho, mas a um preço muito alto. Não se pode observar apenas um lado da moeda. As conquistas vieram por uma necessidade de sobrevivência. A responsabilidade da mulher aumentou demais e hoje ela sofre uma sobrecarga de trabalho.
A socióloga explica que, além do trabalho fora de casa, a mulher continua cuidando das obrigações domésticas, da educação dos filhos, e boa parte ainda assumiu a chefia da casa, se tornando a única responsável pelo sustento da família.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, o número de mulheres que são chefes de família subiu de 10,3 milhões em 1996 para 18,5 milhões em 2006, ou seja, um aumento de 80% em um período de 10 anos.
Outro detalhe citado por Francisca é que, embora a mulher tenha duplas ou triplas jornadas, ela ainda se cobra demais em termos de resultados. A mulher se vê na obrigação de estar produzindo cada vez mais. (E.A.)


