Curitiba – A cesta básica de Curitiba ficou 5,36% mais cara em maio. O prato de arroz com feijão respondeu por quase 1 ponto percentual do total do aumento dos 13 produtos básicos pesquisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O economista da entidade, Cid Cordeiro, disse que a alta em maio surpreendeu porque a cesta já vinha com aumento em abril de 6,37%. Ele lembrou que os alimentos dispararam desde o segundo semestre de 2007. De janeiro a maio, a cesta já subiu 17,9% enquanto no mesmo período do ano passado teve uma elevação de apenas 1%. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 30,11%. Em maio, o custo da cesta para uma família curitibana foi de R$ 662,22.
  Cordeiro disse que o salário mínimo teve um aumento real de 4% mas não conseguiu segurar o poder aquisitivo da população. Ele destacou que os salários estão crescendo acima da inflação, no entanto, com a disparada dos alimentos, o trabalhador não consegue manter o poder de compra. Entre abril de 2007 e abril de 2008, a renda subiu 2% acima da inflação, a alimentação em geral ficou 7,5% acima da inflação e a cesta básica 16% mais elevada do que os índices inflacionários. No período, a inflação subiu 5%. No ano passado, a cesta consumia 48% do salário mínimo e, hoje, este percentual passou para 58%.
  Nos últimos 12 meses, o arroz subiu 29%, a carne 21% e o feijão preto 135%. Cordeiro destacou que quanto menor a renda do trabalhador, maior é o peso da alimentação no orçamento familiar. Para as famílias que têm renda de um a oito salários mínimos, a alimentação tem um peso de 20% na renda. Já para um rendimento de um a 40 salários, o peso diminuiu para 17%. Ele lembrou que, os alimentos básicos são essenciais e não têm como serem substituídos.
  Cordeiro explicou que os motivos que levaram os alimentos a ficarem mais caros foram o aumento do petróleo que afetou o custo de produção devido a elevação dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis. Outro fator que levou ao aumento dos itens de alimentação foi o crescimento da demanda mundial, especialmente, da China, Índia e Rússia. A especulação dos preços e os fatores climáticos também ajudaram a determinar os aumentos.
  Os produtos da cesta que mais subiram em maio foram o arroz (13,13%), a batata (11,85%), o feijão (9,10%), a farinha de trigo (8,73%), o açúcar (7,84%) e a carne (6,20%). Também tiveram aumento de preço o pão (5,93%), o tomate (3,37%), a banana (2,50%), a manteiga (2,14%) e o leite (1,29%). Os únicos produtos que tiveram queda foram o café (-1,24%) e o óleo de soja (-1,53%).
  Cordeiro explicou que o feijão teve uma boa safra mas teria subido em função de aumento de custo e de margem de lucro. Este produto vem em alta desde agosto do ano passado quando era vendido por R$ 2,15 o quilo. Em maio, o preço saltou para R$ 4,21 o quilo. Em maio de 2007, o quilo do produto custava R$ 1,79. Apesar de estar em período de safra, Cordeiro acredita que o arroz subiu devido ao aumento do custo de produção e a elevação da cotação internacional. A batata está em entressafra e o tomate aumentou devido a problemas climáticos.


O que você está fazendo para tentar driblar a alta dos alimentos?

‘‘Não compro tantas massas. Tentei substituir mais por verduras porque a farinha de
trigo subiu muito ’’,
Ilaine Heinz, publicitária

‘‘Esse aumento dos alimentos pesa no bolso de todos. Qualquer brasileiro vai substituir o mais caro pelo mais barato. Eu não deixo de fazer a pesquisa de preços’’, Ane Zamataro, economista

‘‘Procuro aproveitar os alimentos o máximo possível. Reaproveito as sobras das refeições e compro produtos de época. A alimentação mais saudável é mais barata’’,
Maialu Garcia da Luz, educadora física


Produtos de limpeza aumentam 2,55%
  Curitiba – Os produtos de higiene e limpeza tiveram aumento de 2,55% em maio. Os itens de limpeza subiram 2,08% influenciados principalmente pelas altas na esponja de louça (16,63%), sabão em pó (2,12%), apesar da queda na cera para assoalho
(-2,83%). Nos produtos de higiene, a alta foi de 2,87%, com destaque para os aumentos nos preços do papel higiênico (7,43%), do xampu (6,50%) e do absorvente (5,61%), apesar das quedas no condicionador
(-2,93%) e no bronzeador
(-4,22%).
  Os números fazem parte de uma pesquisa mensal divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com relação a variação entre o maior e o menor preço os destaques nos produtos de limpeza foram o balde, com variação de (304,73%), esponja de louça (121,67%), cera para assoalho (94,85%), sapólio em pó (91,50%) e lustra móveis (89,59%). As menores variações ficaram com o rodo (22,75%), detergente líquido (23,38%) e sabão em pó (25,37%).
  Nos produtos de higiene as maiores variações ocorreram no creme para pele Nivea (71,03%), sabonete (64,58%) e no xampu (57,05%). As menores variações aconteceram no bronzeador (34,37%), papel higiênico (43,01%) e no creme para pele Vasenol (43,06%).
  A pesquisa é utilizada para subsidiar a Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná (Feaconspar) nas negociações coletivas e nas concorrências públicas do setor. (A.B.)

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