As altas de preços registradas nos últimos meses estão mudando o comportamento dos consumidores nos supermercados. Alguns procuram substituir os produtos considerados de primeira por similares; outros reduzem a freqüência a estes estabelecimentos para não cometer excessos ou comprar supérfluos, e quase todos apelam para o recurso mais antigo e eficiente recurso na hora das compras: a pesquisa de preços.
  A corretora de imóveis Vera Muraska diz que está mudando alguns de seus hábitos de consumo em função dos constantes aumentos de preços. ‘‘Realmente, os preços elevados obrigam os consumidores a comprar produtos similares: a gente tem feito isso’’. Ela diz que passou a fazer pesquisas de preços regularmente para encontrar mercadorias mais em conta sem reduzir a qualidade do que precisa. ‘‘A gente procura um produto bom e barato, com certeza; algo que faça o mesmo efeito sem prejudicar o nosso costume. Se a gente pesquisar bem, a gente acha o que está procurando’’. Vera diz que mantém a rotina de ir ao supermercado uma vez por semana para comprar carnes, frutas e verduras.
  A saída encontrada pela comerciante Tânia Müller foi reduzir o consumo de produtos supérfluos. ‘‘Houve mudanças de hábitos com certeza; a gente fica mais restrito ao básico mesmo’’. Além disso, ela diz que está substituindo tudo que é possível. ‘‘Sempre procuro as promoções e, entre os mesmos produtos, compro o de menor preço’’. Esta estratégia, segundo ela, acaba interferindo na qualidade dos produtos. Tânia afirma também que tem ido com menos freqüência aos supermercados. ‘‘A compra de frutas e verduras tenho feito em quitandas, porque se você vai ao mercado só para comprar tomate e cebola, acaba levando um monte de coisas que não estavam previstas e enche o carrinho’’.
  O representante comercial Leandro Matias não teve dúvidas ao responder se estava mudando seus hábitos de consumo em função dos aumentos de preços. ‘‘A gente está mudando tudo praticamente; desde a alimentação até o combustível’’. Para ele, o consumidor só tem uma alternativa nestas circunstâncias. ‘‘Hoje em dia, você tem que pesquisar preços, tem que ir de mercado em mercado e comprar só o necessário; em síntese, acho que a gente tem que economizar’’.
  Matias afirma que, ao menos por enquanto, mantém a freqüência mensal ao supermercado para a compra básica e uma vez por semana para os produtos perecíveis. ‘‘A gente tem que comer e não tem como fugir disso e, por enquanto, não estamos substituindo os produtos, mas se continuar assim, vamos ter que mudar’’, brinca.

Economista atribui aumentos a oligopólios
  A professora e economista Maria Eduvirge Marandola acredita que os aumentos de preços verificados atualmente não se devem apenas à lei da oferta e da procura, mas principalmente à interferência do poder econômico. ‘‘A maior parte da economia é formada por oligopólios, e as indústrias têm grande poder para definir preços’’.
  Segundo ela, a dona de casa não deve se preocupar muito com a qualidade dos produtos nestes momentos. ‘‘O consumidor deve preservar o seu poder de compra e substituir tudo o que for possível; um produto top por outro de qualidade inferior, ou seja, o arroz do tipo 1 por um do tipo 2’’.
  A economista afirma que a população de baixa renda é a mais prejudicada pelos aumentos de preços. ‘‘Os produtos que estão em alta são bens de primeira necessidade, como por exemplo o arroz, o leite e os derivados de soja e trigo. Assim, a população de baixa renda é a mais afetada porque seu orçamento fica muito apertado’’.
  Eduvirge, porém, não se mostra pessimista em relação ao futuro. ‘‘O Brasil é um grande produtor agrícola e o governo anuncia uma safra recorde; assim, o que podemos esperar para os próximos seis meses é que os preços se acomodem e o consumidor possa encontar produtos mais baratos’’. (E.A.)

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