SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
As altas de preços registradas nos últimos meses estão mudando o comportamento dos consumidores nos supermercados. Alguns procuram substituir os produtos considerados de primeira por similares; outros reduzem a freqüência a estes estabelecimentos para não cometer excessos ou comprar supérfluos, e quase todos apelam para o recurso mais antigo e eficiente recurso na hora das compras: a pesquisa de preços.
A corretora de imóveis Vera Muraska diz que está mudando alguns de seus hábitos de consumo em função dos constantes aumentos de preços. Realmente, os preços elevados obrigam os consumidores a comprar produtos similares: a gente tem feito isso. Ela diz que passou a fazer pesquisas de preços regularmente para encontrar mercadorias mais em conta sem reduzir a qualidade do que precisa. A gente procura um produto bom e barato, com certeza; algo que faça o mesmo efeito sem prejudicar o nosso costume. Se a gente pesquisar bem, a gente acha o que está procurando. Vera diz que mantém a rotina de ir ao supermercado uma vez por semana para comprar carnes, frutas e verduras.
A saída encontrada pela comerciante Tânia Müller foi reduzir o consumo de produtos supérfluos. Houve mudanças de hábitos com certeza; a gente fica mais restrito ao básico mesmo. Além disso, ela diz que está substituindo tudo que é possível. Sempre procuro as promoções e, entre os mesmos produtos, compro o de menor preço. Esta estratégia, segundo ela, acaba interferindo na qualidade dos produtos. Tânia afirma também que tem ido com menos freqüência aos supermercados. A compra de frutas e verduras tenho feito em quitandas, porque se você vai ao mercado só para comprar tomate e cebola, acaba levando um monte de coisas que não estavam previstas e enche o carrinho.
O representante comercial Leandro Matias não teve dúvidas ao responder se estava mudando seus hábitos de consumo em função dos aumentos de preços. A gente está mudando tudo praticamente; desde a alimentação até o combustível. Para ele, o consumidor só tem uma alternativa nestas circunstâncias. Hoje em dia, você tem que pesquisar preços, tem que ir de mercado em mercado e comprar só o necessário; em síntese, acho que a gente tem que economizar.
Matias afirma que, ao menos por enquanto, mantém a freqüência mensal ao supermercado para a compra básica e uma vez por semana para os produtos perecíveis. A gente tem que comer e não tem como fugir disso e, por enquanto, não estamos substituindo os produtos, mas se continuar assim, vamos ter que mudar, brinca.
Economista atribui aumentos a oligopólios
A professora e economista Maria Eduvirge Marandola acredita que os aumentos de preços verificados atualmente não se devem apenas à lei da oferta e da procura, mas principalmente à interferência do poder econômico. A maior parte da economia é formada por oligopólios, e as indústrias têm grande poder para definir preços.
Segundo ela, a dona de casa não deve se preocupar muito com a qualidade dos produtos nestes momentos. O consumidor deve preservar o seu poder de compra e substituir tudo o que for possível; um produto top por outro de qualidade inferior, ou seja, o arroz do tipo 1 por um do tipo 2.
A economista afirma que a população de baixa renda é a mais prejudicada pelos aumentos de preços. Os produtos que estão em alta são bens de primeira necessidade, como por exemplo o arroz, o leite e os derivados de soja e trigo. Assim, a população de baixa renda é a mais afetada porque seu orçamento fica muito apertado.
Eduvirge, porém, não se mostra pessimista em relação ao futuro. O Brasil é um grande produtor agrícola e o governo anuncia uma safra recorde; assim, o que podemos esperar para os próximos seis meses é que os preços se acomodem e o consumidor possa encontar produtos mais baratos. (E.A.)


