Ter uma vida saudável está se tornando uma necessidade para boa parte da população. E para atender a este anseio, os supermercados trabalham cada vez mais com produtos orgânicos, com zero açúcar, com baixas calorias ou sem gordura trans. Mas estes produtos não são diferentes apenas na composição ou na embalagem, mas principalmente nos preços. Às vezes, a diferença é tanta que chama a atenção dos consumidores pelo inusitado. É o caso de uma margarina para reduzir os índices de colesterol. Enquanto uma embalagem ''normal'' com 500 gramas custa R$ 2,50, em média, a outra custa R$ 10,95 a embalagem com metade do peso. Ou seja, oito vezes mais.
A arquiteta Adriana Pizaia diz que se preocupa mais com os benefícios que um alimento pode trazer a saúde do que necessariamente com preços. Por isso, ela estava à procura de uma margarina light ou sem gordura trans e diz que compra estes produtos porque o marido tem colesterol alto. E mesmo dizendo que o preço fica em segundo plano, ela ficou muito surpresa quando viu a margarina para redução de colesterol, que custa R$ 10,95 a embalagem com 250 gramas.
''Não havia prestado atenção porque o meu consumo de margarina é muito pequeno, mas acho esse preço um absurdo''. Para ela, um produto tão caro não é acessível para a maioria das pessoas. ''Quem precisa deve buscar alternativas para substituir o produto ou mudar de hábitos porque esse preço é coisa de louco''.
A assistente social Letícia Bento comprou uma margarina que custa R$ 2,95 a embalagem com 500 gramas e viu a outra que custa bem mais e tem apenas a metade do peso. ''Eu não sabia que essa margarina era tão cara, e agora que olhei o preço, acho que está fora da realidade''. Ela acha que a redução de preços é a única maneira de atender a população que precisa deste tipo de produto. ''A maioria que tem hipertensão arterial ou problemas de colesterol é pobre e não tem acesso a esse produto''. Letícia afirma que seus avós têm colesterol alto e consomem duas embalagens desta margarina especial por mês, mas ela mesma diz que não vê graça nenhuma no produto. ''Já experimentei desta margarina e não gostei; não tem nada que lembre a margarina que a gente conhece, só a textura''.
A bancária Solange Ramalho gosta de três marcas de margarina e adota o critério de preço na hora da compra. Ela havia comprado uma embalagem de 500 gramas por R$ 2,45. E além de ser mais conta, acha que a margarina tradicional é mais saborosa. ''Eu não tenho problema de colesterol e, por isso, nem passo perto desse tipo de produto. Só acho que é um absurdo a pessoa, além de ter problema de saúde, ainda ter que pagar mais caro por esta margarina''.

Consumidor deve priorizar vegetais
  O cardiologista Antonio Nechar Junior afirma que todas as pessoas deveriam ter bons hábitos alimentares e não somente aquelas com histórico de doenças cardíacas na família. Segundo ele, o consumidor deve priorizar os óleos vegetais, as verduras e legumes, e evitar os carboidratos em excesso e também os produtos com gordura animal.
  Nechar afirma que 90% dos produtos disponíveis nos supermercados têm carboidratos de farinha refinada que ‘‘se transformam rapidamente em gordura’’.
  Ele reconhece que está havendo uma procura bem maior pelos produtos considerados saudáveis e acredita que são mais caros em função da tecnologia usada na fabricação.
  Quanto à margarina que reduz os índices de colesterol, o médico alerta que a pessoa não deve cair em contradição, ou seja, consumir esta margarina no café da manhã e comer uma costela na hora do almoço. Isto não significa, entretanto, que a costela deve ser abolida da alimentação. Em sua opinião, não há problema no consumo eventual deste tipo de carne. ‘‘O que se recomenda é moderação’’, afirma. (E.A.)

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