O nutricionista Waldyr Martins Cunha, especialista em Gestão de Qualidade de Alimentos, resolveu analisar, por conta própria, a quantidade de água no frango congelado. Ele comprou seis amostras do produto, com tempero e sem tempero, em um supermercado de Londrina. O interesse pela análise surgiu depois que a FOLHA publicou uma reportagem com consumidores reclamando do excesso de água no frango congelado.
Foram comprados dois frangos congelados sem tempero, dois congelados temperados, uma amostra de peito temperado e outra amostra de coxa e sobrecoxa também temperada. A diferença entre uma e outra é que o limite de água: no frango sem tempero é de 6% e no frango temperado é de 20%.
Ele deixou as amostras descongelando por 16 horas, começando em uma noite e terminando na hora do almoço do dia seguinte. Cunha faz questão de afirmar, antes de tudo, que as análises não têm nenhum caráter técnico ou científico, sendo que poderiam ser feita por qualquer dona de casa. Apesar do detalhe, as amostras foram pesadas em uma balança digital de alta precisão. Ele concluiu que duas amostras do frango sem tempero e uma do frango temperado estavam com água acima do limite permitido, como mostra o infográfico.
Após o descongelamento, os frangos foram recolocados em sacos plásticos e levados à geladeira, onde se constatou que a água continuava saindo algumas horas depois. Cunha afirma que o frango é alimento rico em proteínas e que o excesso de água não interfere na qualidade do produto. ''O único problema é que o consumidor compra água por frango''.
O nutricionista reconhece que o problema do excesso de água no frango está na origem, ou seja, no frigorífico que faz o abate, mas considera que o revendedor também é responsável. ''A água no frango além do limite de 6% é crime, é um ato de má fé, e o supermercado que aceita este produto comete o mesmo crime''.
Ele ainda questiona o limite de 20% de água permitido no frango temperado. ''O consumidor já paga pelo tempero e como esse tempero absorve mais água, ele paga duas vezes uma coisa sem necessidade''.
Cunha afirma também que esta não é sua primeira experiência com excesso de água em frango congelado. Há algum tempo, ele deixou um frango descongelando em uma vasilha e ficou surpreso quando foi conferir o resultado. ''O frango estava boiando na água; resolvi medir o tanto, por curiosidade, e a água chegou a 23% do peso, o que achei um absurdo''. Na ocasião, ele tentou reclamar no Procon, e depois de quatro horas passando por vários atendentes, foi aconselhado a procurar o Inmetro, e deste órgão, foi encaminhado ao Ministério da Agricultura. ''Me deparei com várias dificuldades para fazer a denúncia; é um jogo de empurra-empurra, e a gente acaba desistindo porque perde muito tempo''.
Apesar das dificuldades, ele sugere algumas alternativas para o consumidor quando encontrar frango com excesso de água: ''Entrar em contato diretamente com o frigorífico para repudiar a atitude; conversar sobre o assunto com o gerente do supermercado; falar com a vizinha e o círculo de amigos, e denunciar ao órgão competente, no caso a Vigilância Sanitária''. Ele aconselha ainda que ''nós temos que lutar para que o governo cumpra a sua função de fiscal; os órgãos públicos têm a obrigação de defender o consumidor''.
O nutricionista explica que o consumidor deve evitar o frango congelado em promoção ''por que este produto geralmente está com excesso de água''. E acha que uma forma do consumidor evitar problemas é sempre optar pelo frango resfriado.
Cunha fez uma comparação entre o frango que abastece o mercado interno e o produto que é exportado. E para ele, não há dúvidas de que o tratamento equivale a dois pesos e duas medidas. ''O produto exportado é de ótima qualidade. Ele é analisado na entrada do País e se for constatado que está fora das normas, esse produto é devolvido, o que cria uma imagem muito negativa para a indústria''.
Para ele, é importante o consumidor ficar atento à qualidade dos alimentos, não apenas por uma questão de economia, mas principalmente em defesa da própria saúde e de sua família. ''O alimento é o primeiro foco de contaminação que há no meio ambiente; e se você não consumir alimentos em boas condições sanitárias, você corre um sério risco de adquirir doenças''.

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