SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O consumidor anda com tanta falta de tempo e tão acostumado aos produtos descartáveis, que às vezes nem observa quando uma mercadoria tem a vida útil reduzida a menos da metade. É o que está acontecendo com as escovas de dentes disponíveis no comércio. Até há pouco tempo, a durabilidade das escolas - de modo geral, era de três meses, podendo ser de quase o dobro dependendo da forma de conservação. Hoje, mesmo que a pessoa tome uma série de cuidados, a vida útil das escovas não passa de 30 dias.
A bancária Marly Pupim compra escovas de dentes para sua família todo mês. A gente percebe que a escova não faz mais efeito quando está chegando a um mês de uso e já precisa ser substituída. Ela concorda que a vida útil das escovas está bem menor, mas diz que ainda não havia parado para pensar sobre o assunto. Marly afirma que procura comprar, na maioria das vezes, as escovas recomendadas pelos dentistas. Mas se a gente vê que outro produto é bom e está em oferta, a gente compra aquele que está com o preço menor. Ela acha que a menor durabilidade das escovas se deve ao atual processo de fabricação.
A também bancária Sandra Maria Gutierrez reconhece que há pouco tempo as escovas de dentes duravam bem mais. Antes, a gente trocava as escovas a cada quatro ou cinco meses. Agora, Sandra compra escovas para as quatro pessoas de sua família todo mês e acredita que a duração menor do produto se deve à baixa qualidade do material usado pela indústria. As cerdas estragam muito rápido e deixam de fazer uma boa escovação, o que obriga o consumidor a comprar escovas todo mês. Ela afirma que compra as escovas recomendadas pelo dentista, mas às vezes busca novas alternativas. O que observo é que, independente da marca, as escovas duram sempre o mesmo tempo; não vejo diferença entre uma e outra.
O analista de crédito Wilson Hirata diz que já sentiu no bolso a diferença causada pela redução da vida útil das escovas de dente. Hoje, gasto R$ 20,00 por mês, em média, só com escovas para as quatro pessoas da família. Há pouco tempo, as escovas em casa duravam entre dois e três meses e hoje não chegam a 30 dias. Hirata afirma que tem preferência por duas marcas mas, às vezes, busca outras opções para testar a durabilidade do produto, o que parece não surtir resultado. O tempo que as escovas duram é sempre o mesmo; não vejo nenhuma diferença por mais que se mude de marca. Para ele, só existe uma explicação para o produto durar tão pouco. A qualidade de hoje não é a mesma de antigamente; as escovas - assim como outros produtos, parece que são descartáveis e programadas para durar pouco tempo.
Indústria usa material sem qualidade
O administrador de empresas Lincoln Castro é gerente de marketing de uma indústria de Londrina que atua no segmento de escovas de dentes em todo território nacional. Ele confirma que realmente a vida útil das escovas está caindo e explica que o principal motivo é a economia de custos feita pela maioria dos fabricantes.
Castro afirma que as indústrias usavam um nylon especial para as cerdas das escovas, que, entre outras vantagens, era mais resistente à umidade. E hoje, o nylon usado é de menor custo. Segundo ele, a diferença é tanta que o nylon usado atualmente custa apenas 15% do nylon de boa qualidade usado anteriormente. Ele acrescenta que hoje, este nylton de segunda linha é importado da China.
O gerente de marketing aponta outro motivo para a redução da durabilidade das escovas: as indústrias estão reduzindo também a quantidade de material nas cerdas entre 10 a 30%.
Castro explica que as escovas deveriam ter condições de serem usadas pelo menos 270 vezes. Considerando o uso três vezes ao dia, a vida útil da escova seria de três meses. Mas segundo ele, a escova de boa qualidade pode durar até mais dependendo da força aplicada pelo usuário na hora da escovação e também da forma como é conservada. (E.A.)


