A diferença de preços é o principal motivo para a proliferação de produtos piratas no Brasil. Enquanto um CD ou DVD original pode custar até R$ 30,00, em média, um similar pirata custa R$ 2,00 ou R$ 3,00. Mas se engana quem pensa que só existem CDs e DVDs piratas no mercado. A pirataria tem um forte esquema também no setor de informática, em especial na área de software.

Nesta segunda parte da entrevista sobre os cuidados na compra de computadores, o empresário Plácido Roberto Carmagnani classifica a pirataria no Brasil como uma ''questão cultural''. Segundo ele, o problema se tornou um círculo vicioso: as pessoas não compram os produtos originais porque são caros, e estes produtos permanecem caros exatamente porque o comércio é pequeno.Para Carmagnani, esta realidade só mudará a partir do momento em que as pessoas se conscientizarem dos efeitos nocivos da pirataria.

FOLHA: Como os produtos pirateados prejudicam a sociedade?
Carmagnani: A pirataria hoje é prejudicial para toda a sociedade. Ela tem um efeito devastador na indústria e no comércio. Se não houvesse pirataria, os preços poderiam ser um pouco menores. Têm muitas empresas que investem para combater a pirataria e isto acaba refletindo no custo dos produtos originais. Existem vários movimentos de combate à pirataria, dentre eles podemos destacar a ABES (Associação Brasileira de Empresas de Software), que vem fazendo um trabalho muito interessante. A pirataria está desvastadora mesmo é no setor de software. É muito comum hoje o cliente adquirir um produto e instalar um software pirata. Isso é crime.

E o que deve ser feito para combater a pirataria?
O consumidor precisa se conscientizar, cada vez mais, da importância de trabalhar com produto original. A pirataria acaba, de certa forma, ferindo os direitos autorais de quem fabricou, no caso a Microsoft. E existe todo aquele questionamento: ninguém compra porque é caro, mas é caro porque ninguém compra. Então, a sociedade como um todo precisa se conscientizar, cada um fazer a sua parte. É muito importante que o consumidor esteja consciente com relação ao combate à pirataria.

Por que a pirataria está acontecendo em tão larga escala?
O aumento da está relacionado também à acessibilidade da tecnologia. Como os produtos se tornaram cada vez mais baratos, consequentemente atingiram algumas classes que no passado não tinham condições de adquirir os equipamentos e em função do aumento do volume de produtos no mercado, aumentou também a pirataria. Ela também está relacionada à questão cultural. O Brasil é um dos países que tem o maior índice de pirataria do mundo. Mas é importante a sociedade se conscientizar que isso precisa ser mudado em prol da nossa evolução e da nossa cultura. E não é só isso: existem muitas empresas do setor que incentivam a pirataria. Às vezes, você encontra empresas que vendem produto e já instalam produtos piratas. Isso também é muito comum.

A gente percebe que há pessoas esclarecidas, que trabalham com informática há algum tempo e que também utilizam produtos pirateados...
Ocorre também. São pessoas que até têm consciência, pessoas que têm conhecimento que isso é um ato criminoso, ilícito, mas ainda por uma questão cultural, e muitas vezes as alegações são de que os custos do produto original são muito altos, acabam consumindo um produto pirata. Mas a gente percebe, entretanto, que isto está mudando. As pessoas tentam se conscientizar, as Ongs voltadas ao combate da pirataria estão trabalhando muito forte e já com alguma evolução. No caso de software, de maneira geral, as pessoas estão se conscientizando, cada vez mais, com relação aos problemas causados pelos produtos piratas. Mas ainda o volume é grande, a estatística é alta, e o Brasil precisa avançar muito neste sentido.

A diferença de preço entre o produto pirata e o original é muito grande?
É grande. E este é um dos motivos que estimula bastante o consumidor a comprar o produto pirata.

Seria, talvez, a mesma proporção dos CDs e DVDs piratas?
Talvez a proporção seja um pouco menor, mas a diferença é grande. Mas não é só isso: o consumidor também tem que ficar atento. Quando ele compra o produto pirata sabendo que é pirata, quer dizer, é a consciência dele. O problema é quando a empresa vende produto pirata e não informa isso ao consumidor.


Notebook recondicionado é vendido como novo

O empresário Plácido Roberto Carmagnani afirma que não é só a pirataria que está prejudicando o comércio no setor de informática atualmente. Ele alerta que o consumidor deve ficar atento também na hora de comprar um notebook, que hoje representa cerca de 70% das vendas de computadores. O problema é que existem empresas vendendo equipamentos recondicionados como se fossem novos.
  FOLHA: Na realidade, o que está acontecendo com o comércio de notebooks?
  Carmagnani: Hoje, o notebook está dominando o mercado. É uma tendência que as pessoas tenham computadores pessoais portáteis. Tudo isso em função da mobilidade. Mas o consumidor deve ficar atento porque existem muitos modelos recondicionados no mercado e que são comercializados por muitas empresas como se fossem novos. É comum ver no mercado alguns modelos com marcas muito conhecidas, famosas, mas com preço muito abaixo do preço de mercado. É dificil identificar esse produto porque por fora ele tem a carcaça do novo, mas por dentro é algum equipamento que já passou por algum conserto, alguma revisão e na verdade esse equipamento não poderia ser vendido como novo.
  Quais os problemas com os notebooks recondicionados?
  O problema não é vender o produto recondicionado, é legal. Você pode vender desde que informe, desde que oriente o cliente, falar que o produto é recondicionado, que a garantia do fabricante é menor. Porém, o que acontece é que o pessoal está vendendo o produto recondicionado, mas não está informando o consumidor. E quais são as conseqüências disso? No primeiro ano de garantia, a estatística mostra que o índice de problemas é muito baixo, mas no segundo no terceiro ou no quarto ano, os problemas são desencadeados. E o consumidor vai sofrer com isso.
  E o que o consumidor deve fazer neste caso?
  É muito difícil identificar o aparelho recondicionado, mas o consumidor deve buscar referências de onde está comprando. Existem empresas sérias, que têm credibilidade, que têm solidez no mercado e que não trabalham com notebooks recondicionados. E existem empresas que estão há pouco tempo no mercado, empresas aventureiras e sites não conhecidos que trabalham com notebooks recondicionados. O consumidor tem que ficar muito atento porque os problemas virão à tona.
  Ou seja, não é tão fácil assim comprar um computador hoje?
  Do ponto de vista da aquisição, sim; mas do ponto de vista de identificar se você realmente está fazendo uma boa aquisição, o consumidor tem que ficar atento a algumas questões. Justamente para não comprar gato por lebre. Isto está acontecendo muito no mercado.

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