SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O mercado de informática está se expandindo de uma forma sem precedentes. E os consumidores aproveitam esta onda para trocar o computador usado, comprar um segundo ou terceiro equipamento, ou então, adquirir o produto pela primeira vez.
Nunca esteve tão fácil entrar para o mundo da tecnologia. Se há alguns anos o computador básico custava em torno de R$ 3.000,00, o que era relativamente caro; hoje, o mesmo equipamento custa até três vezes menos e pode ser pago em suaves prestações.
O empresário Plácido Roberto Carmagnani, do ramo de informática, aponta uma combinação de motivos para o aumento na venda de computadores: os incentivos fiscais para os programas de inclusão digital, a desvalorização do dólar (já que os componentes para montagem são importados) e a produção em larga escala.
Segundo ele, diante de tantas facilidades, só não tem computador quem não quer. E é, então, que o consumidor deve redobrar os cuidados na hora da compra, principalmente para quem não tem familiaridade com o assunto.
FOLHA: Que cuidados as pessoas devem ter na hora de comprar um computador?
Carmagnani: Primeiramente, onde comprar. Têm muitas empresas que vendem gato por lebre. Isto é muito comum. São empresas orientadas somente para o preço. Mas além de vender produtos genéricos ou recondicionados, no caso de notebook, elas não cumprem com a garantia. Por isso, recomenda-se adquirir produtos de empresas especializadas no ramo e que tenham credibilidade. As estatísticas mostram que muitas empresas neste setor abrem e fecham a cada ano. E o consumidor precisa estar atento para não perder a garantia. É um ramo prostituído, até porque a importação é muito fácil. Se a pessoa quiser se aventurar e trabalhar com informática, ela compra de um distribuidor e vai vender.
Por que o consumidor nem sempre tem certeza se está comprando certo?
É realmente difícil porque as ofertas no mercado são grandes, são atrativas. Outro ponto que o consumidor deve estar muito atento é com os sites que oferecem preço muito abaixo do preço de mercado. Pode ser uma armadilha. Caso o consumidor queira adquirir o produto em sites, recomenda-se antes disso verificar a credibilidade e a confiabilidade desta empresa que oferece o produto virtualmente.
Como o consumidor pode se prevenir com relação a isso?
O principal ponto é a informação. Nunca adquira um produto somente pela atratividade do preço, pela propaganda, pela facilidade do pagamento. O consumidor quando vai comprar seu primeiro equipamento, deve buscar sempre referências com outras pessoas que já adquiriram o produto, que já têm alguma experiência. A gente sabe que hoje o computador é um bem de consumo que vai se tornar pessoal, a exemplo do celular. Se o consumidor não sabe ao certo o que fazer, ele vai comprar gato por lebre. E disso o mercado está cheio.
O consumidor vai comprar um produto de boa qualidade seguindo estas orientações?
Ele vai minimizar o risco. Certeza de 100% só conhecendo a empresa onde ele vai comprar. Se tiver experiência, boas indicações e seguir estas recomendações, a possibilidade de fazer um bom negócio é muito maior.
O consumidor também deve priorizar a aparência do produto?
A estética é um dos parâmetros de avaliação do consumidor. Entendo que a aparência é importante sim. Têm várias opções de equipamentos no mercado que oferecem designer sofisticado, futuristas, e isso é importante do ponto de vista da arquitetura, da estética. Agora, ele deve estar muito atento principalmente com o que está dentro do equipamento, com relação à questão da configuração dos produtos, da capacidade, e se aquele produto, mesmo tendo uma estética muito boa, vai atender à sua necessidade. De nada adianta ter um produto muito bonito na sua sala ou na residência e não funcionar da forma adequada.
A necessidade varia de acordo com a circunstância e a atividade de cada um?
Exato. Neste caso, antes de adquirir o equipamento, é preciso fazer uma avaliação da real necessidade e, com base nisso, informar a empresa onde vai comprar. E quando o consumidor consegue identificar a sua necessidade, mas é leigo do ponto de vista técnico, a gente recomenda comprar de uma empresa que tenha instalações físicas, que ele tenha um contato direto com o vendedor. Em um site você não vai conseguir esclarecer algumas dúvidas. E uma vez levantada essa necessidade, cabe à empresa que está vendendo, indicar um equipamento que atenda essas necessidades. É muito comum aparecer algum cliente que quer o melhor equipamento, mas nem sempre é necessário o melhor. Em outros casos, o cliente quer comprar uma máquina muito barata para rodar aplicativos muito pesados. O que a gente costuma dizer é que performance e desempenho com preço baixo não combinam.
E o prazo de validade dos computadores está sendo reduzido?
Há redução sim. E isso era considerado um ponto negativo em um primeiro momento. Há alguns anos, o equipamento durava muito tempo e hoje, em dois anos, o equipamento está obsoleto. Mas aqui tem um ponto positivo, tem uma vantagem: está se tornando obsoleto porque as tecnologias avançam em uma velocidade muito alta. Isto está relacionado à necessidade de novos benefícios por parte do consumidor. O tempo de pesquisa e desenvolvimento há cinco anos era um; hoje são destinados investimentos altíssimos para a área de pesquisa e desenvolvimento justamente para buscar inovações. Por isso, os equipamentos se tornam mais obsoleto em menos tempo.
O consumidor precisa trocar de equipamento se resolver aumentar sua capacidade?
Hoje, se você adquirir um computador com 1G de memória, a placa mãe, que é a plataforma, já vem preparada para a expansão de 2G ou 4G em alguns modelos. Então é possível aumentar a memória sem necessariamente precisaR trocar o equipamento. O HD, que é onde você armazena os dados, não é possível adicionar e sim trocar por um HD maior. E o processador, em alguns casos, também estão preparados para aceitar produtos com maior velocidade. Não há necessidade de troca quando o computador está lento, mas isto deve ser avaliado caso a caso.
Leia amanhã a segunda parte da entrevista.


