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Os postos de combustíveis já foram reduto quase exclusivamente masculino. E um dos símbolos desta época eram as borracharias que ficavam ao lado dos postos, sempre enfeitadas com cartazes de mulheres nuas. Mas aos poucos, esta realidade mudou: as mulheres conquistaram a tão propalada igualdade de direitos e os postos tiveram que se adequar aos novos tempos. Hoje, a situação é inversa: quem garante o maior movimento em boa parte dos postos é o público feminino.
A empresária Marli Cestari Catori acredita que os postos, de maneira geral, passaram por algumas adequações para melhor atender esta nova clientela. ''A mulher está muito independente hoje em dia. Tenho que buscar meu filho na escola, tenho o meu trabalho e dependo muito de carro''. Mas segundo ela, os postos devem se preocupar com o bom atendimento para quem quer que seja.
''Para ser sincera, não exijo nada de diferente. O que acho é que tanto o homem quanto a mulher merecem respeito, e devem ser tratados com educação, em primeiro lugar''. Marli acha interessante que as lojas de conveniência dos postos façam parte destas mudanças. ''A única coisa que acho ruim é que, às vezes, eles exageram demais no preço. Agora mesmo deixei de comprar um suco porque em outro lugar é bem mais barato''.
A representante comercial Ana Maria Davidosk estima que o número de mulheres ao volante já supera o número de homens e para ela isto é motivo mais do suficiente para algumas mudanças. ''O hábito da mulher vir aos postos é sensacional. Hoje, você pode observar que 80% ou 90% das vezes é a mulher que está dirigindo os carros, até mesmo quando o marido está do lado''. Para ela, os postos devem manter o bom atendimento para cativar o público feminino. ''A mulher gosta disso, de ser bem tratada; e eles fazem isso para que a mulher volte sempre''. Ana Maria disse que evita os postos com atendimento ruim, com preço alto e baixa qualidade do combustível.
Para a administradora de empresas Vanessa Marromi é normal a mulher ir aos postos de combustíveis tanto quanto os homens. ''Sempre fui muito bem atendida e nunca tive problemas. E acho que, além do bom atendimento, o posto deve ter agilidade, rapidez''. Mesmo assim, ela disse que não se sentiria à vontade em alguns postos de beira de estrada, onde a predominância ainda é do público masculino. ''A gente fica meio intimidada nestes lugares, mas aqui no centro a mulher pode ir sem receio''. Na opinião de Vanessa, o posto também deve oferecer algum conforto para a mulher. ''Às vezes, a mulher precisa trocar o óleo do carro, conversar com alguém enquanto espera, ou apenas um lugar para comer um pão de queijo ou tomar um sorvete enquanto espera''.
Mulheres já garantem 40% do movimento
O presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Estado do Paraná, Roberto Fregonese, informa que as mulheres são responsáveis atualmente por 40% do movimento nos postos de combustíveis. E a maior presença do público feminino se deve, em parte, à instalação das lojas de conveniência nos postos. Segundo ele, o perfil dos setor mudou bastante nos últimos anos. Hoje há maior preocupação com a higiene, com a limpeza, com o ambiente mais claro, bem iluminado, com a segurança; e as lojas de conveniência foram as precursoras desta mudança de comportamento.
O empresário afirma que hoje cerca de 90% dos postos na área urbana possuem lojas de conveniência. Já o perfil dos postos instalados nas rodovias é bem diferente, porque no lugar da conveniência existem os restaurantes e a mini-lojas.
O presidente do Sindicombustíveis cita ainda que atualmente a participação da mulher é maior no mercado de trabalho. Há 10 ou 15 anos, era bem menor o número de mulheres ao volante; mas hoje, além de trabalhar fora, elas ainda buscam e levam os filhos para a escola.
Fregonese analisa também que hoje a mulher conhece melhor os pormenores de um veículo e dos serviços prestados em um posto de combustíveis. Hoje ninguém mais engana a mulher em um posto de gasolina; ela está bem mais ciente do que pode e do que não pode. (E.A.)





