O racional fica de lado na hora de comprar o presente da mãe

  O mundo de hoje exige, de certa forma, que as pessoas sejam racionais em suas atitudes em relação a consumo, ao meio ambiente e ao modo de ser, entre outras coisas. Os comportamentos se tornam tão iguais que o resultado de tudo isso parece óbvio: pessoas ‘frias’, distantes e individualistas; às vezes, sem muita noção de valores. O detalhe, porém, é que nem tudo está perdido. Quando o assunto é mãe, por exemplo, parece que ainda resta alguma nobreza de sentimento. Algo tão nobre que os filhos até deixam de lado o aspecto racional na hora de comprar um presente.
  A estudante de direito Ana Paula Ferreira Cinagava é uma consumidora exigente. ‘‘Sempre observo o preço e a qualidade do produto, às vezes, pode estar barato, mas não tem a mesma qualidade’’. Ela também se define como uma pessoa ‘‘bastante racional’’ quanto a consumo. ‘‘Faço planejamento para tudo, não compro nada só porque estava na vitrine e achei bonito’’. Porém, todo este senso de razão vem por água abaixo no Dia das Mães. ‘‘Quando se trata da minha mãe, eu não sou tão ‘‘mão de vaca’’ assim; pesa muito mais o lado emocional que o racional’’. Ana Paula explica porque: ‘‘Mãe é uma pessoa especial na vida de qualquer pessoa e a minha nunca mediu esforços para me oferecer tudo de bom’’.
  A representante comercial Fabiana Rímoli diz que quase sempre planeja o que vai comprar, mas às vezes se excede um pouco. ‘‘Hoje em dia, com a facilidade de parcelar as compras no cartão de crédito, a gente até planeja, mas sempre gasta um pouco mais’’. Para ela, a qualidade é mais importante que o preço na hora da compra. ‘‘Muitas pessoas procuram pelo preço, mas têm coisas que podem estar baratas, mas sem qualidade’’. Fabiana já comprou o presente para o Dia das Mães, mas por enquanto ainda é segredo. ‘‘A minha mãe é uma pessoa muito especial para mim, sempre me ajuda e acho que ela merece o melhor. No meu caso, pesa o lado emocional; para ela, vale qualquer sacrifício’’.
  O ambientalista João Otávio Justus Barroso diz que procura ser o mais racional possível quando vai às compras e não apenas em termos de preço ou qualidade. ‘‘Acho que é importante evitar o consumismo; nós temos que dar a nossa parcela de contribuição ao meio ambiente, usando racionalmente os recursos disponíveis’’. Ele, inclusive, dá algumas dicas neste sentido. ‘‘Por exemplo, comprar frutas e verduras da época porque são mais baratas e escolher sempre produtos de empresas que tenham responsabilidade com o meio ambiente’’. Agora, se for um presente para a mãe, Barroso muda um pouco de opinião. ‘‘Aí a gente vai pelo emocional mesmo, sem pensar muito em valores’’. Neste caso, o meio ambiente fica em segundo plano? ‘‘(risos) Em primeiro lugar, a gente tem que pensar na mãe, e para mim, todo dia é dia das mães’’.

Consultor mostra o ‘outro lado’

  O consultor e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, de São Paulo, autor do livro ‘‘Terapia Financeira’’, considera arriscado trocar o racional pelo emocional na hora de comprar um presente. ‘‘Os filhos devem ter cuidado, pois, por mais que as mães mereçam, o que elas não desejam, com certeza, é que eles fiquem endividados em função de presentes. Muito pelo contrário, o maior presente que uma mãe pode receber é que seus filhos tenham estabilidade na vida, no que é fundamental a segurança financeira’’.
  Barroso afirma que as pessoas podem comprar presentes, mas dentro de um planejamento financeiro, sem o risco de causar algum descontrole. ‘‘Antes de comprar o presente, o consumidor deve olhar qual a sua situação financeira atual e ajustar a compra a esta realidade. O gesto de presentear ou lembrar a data vale mais do que o valor do presente, pode ter certeza’’.
  O consultor ainda sugere que a eventual compra a prazo deve ser avaliada em termos de comprometimento financeiro por um certo período e que a pessoa procure negociar, sempre, um valor menor do produto. (E.A.)

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