Os pais e educadores se surpreendem com o desenvolvimento das crianças que acontece de forma precoce em todos os sentidos. Hoje em dia, é comum vê-las manipulando equipamentos eletrônicos tais como celulares, videogames e computadores. Mas as crianças estão se interessando também por leitura de jornais e livros. Tanto que as publicações voltadas para o público infantil estão entre os segmentos que mais crescem no mercado editorial. Nas livrarias é possível observar crianças ainda no colo querendo ouvir alguma história.
A dentista Yvi Striguer Bisotto gosta de levar sua filha Cecília, de três anos e meio, a uma livraria da cidade pelo menos a cada dois meses. ''Ela gosta de manipular os livros, ouvir histórias e ainda brinca um pouco com outras crianças''. Yvi diz que a menina tem vários livros infantis em casa e gosta de ouvir histórias todos os dias. ''Tem hora que até me canso de tanto ler. Se deixar, ela quer ouvir dez histórias todos os dias''.
Entre as histórias preferidas de Cecília estão alguns clássicos da literatura infantil, tais como A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e os Três Porquinhos. ''Acho que esse gosto pela leitura é de família porque meus pais são professores de português e eu também gosto muito de ler: se tenho um bom livro, não vejo televisão''. A dentista acha interessante que a livraria divida o espaço infanto-juvenil em dois. ''Os adolescentes não gostam muito de se misturar com crianças; eles preferem o cantinho deles''.
A telefonista Ângela Nunes Sawassato leva seus dois filhos com uma certa frequência à livraria. Felipe, de quatro anos, tem uma certa familiaridade com os livros; e Eduardo, de apenas um ano, já demonstra interesse pelas histórias. Por isso, a mãe acha necessário que as livrarias tenham um espaço reservado só para as crianças. ''Além de aprender a gostar de livros, as crianças ainda se divertem''. Ângela só não gosta mesmo é dos preços dos livros infantis. ''Os livros para as crianças deveriam custar mais baratos porque assim a gente podia comprar mais''.
O professor de Educação Física Sérgio Augusto Negri se orgulha do filho Gabriel, sete anos, que aprendeu a ler depois que passou a frequentar o espaço infantil em uma livraria da cidade. ''O detalhe de ter uma área específica para criança foi um incentivo para ele desenvolver a leitura e a escrita de forma mais rápida; com quatro anos, ele já lia''. O menino atualmente cursa o ensino fundamental e de acordo com o pai, gosta de enciclopédias, livros de curiosidades sobre animais e histórias ilustradas da Bíblia. Negri deixa seu filho à vontade na livraria. Para ele, é importante que haja um espaço exclusivo para crianças. ''É uma forma de incentivar a leitura, principalmente quando tem a contadora de histórias''.

Livraria terá espaço exclusivo para crianças
  A livraria Porto de Londrina vai criar uma área exclusiva para crianças, separando em duas a seção infanto-juvenil. A informação é do gerente do estabelecimento, Leandro Cavichiolo. Segundo ele, a medida se torna necessária porque as publicações direcionadas às crianças vêm crescendo de forma significativa. ‘‘As editoras estão investindo bastante neste segmento, com livros mais elaborados, mais interativos e que chamam muito a atenção e mexem com o intelectual das crianças’’.
  Cavichiolo disse que os adolescentes também terão seu espaço, evitando assim alguns pequenos ‘transtor-nos’ registrados atualmente. ‘‘O adolescente fica meio em dúvida quando se diz para ele que o livro juvenil está na mesma seção que o livro infantil’’.
  Segundo o gerente, a criação do espaço exclusivo vai incentivar que os pais levem seus filhos às livrarias com maior freqüência, principalmente aos domingos e feriados, quando há um aumento de cerca de 30% maior em comparação com outros dias da semana. (E.A.)

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