A dona de casa chega ao supermercado para comprar frango e observa bem os preços do produto congelado e também do resfriado. O congelado, que mais se parece com uma grande pedra de gelo, está quase sempre com um preço mais em conta. Porém, ao descongelar o produto, a dona de casa observa que - depedendo do caso, sobra um tanto de água, isto quando não ficam resíduos de partículas de gelo. Os consumidores, de modo geral, concordam que há excesso de água nos frangos congelados, mas tomam atitudes diferentes em relação ao assunto: enquanto alguns adotam ''alternativas'' próprias na hora da compra, outros mantêm a esperança de que algum dia o frango congelado não venha com tanta água.
A auxiliar administrativa Deonice Melandra resolveu medir, certa vez, a quantidade de água que havia no frango congelado. ''Encheu um copo de 300 mls''. Ela considera que o excesso de água ''é uma forma de enganar o consumidor'' e que o detalhe está sempre relacionado ao preço. ''Às vezes, o consumidor pega um frango que está em promoção, mas boa parte é água; por isso, a gente tem que ficar esperta com o produto congelado''. Ela disse que havia parado de comprar o frango congelado exatamente por não concordar com o excesso de água. ''Agora, estou comprando de novo para fazer uma experiência outra vez''.
A vendedora Silvia Maria Rodrigues disse que sempre observou o excesso de água quando está descongelando o frango, mas nunca teve a curiosidade de medir. ''Não sei o quanto, mas acho que deveria haver um limite para a quantidade de água no frango; na minha opinião, isto é falta de respeito com o consumidor''. Ela só lamenta que, neste caso, o consumidor não tem para quem reclamar. ''Para variar, a gente precisa comprar e não tem direito a nada; tem que pagar o que eles querem e fim. E se briga, ainda fica com fama de briguenta''.
O advogado Mauro Bernardo Barbosa diz que parou de comprar frango congelado há algum tempo por causa do excesso de água que encontrava no produto. ''É de ficar chateado porque a indústria busca levar vantagem à custa do consumidor; esse volume - tenho certeza, é proposital, e só para aumentar o lucro''. Segundo ele, não se justifica colocar água para congelar o frango. ''Acho que não deve haver tolerância na quantidade de água não; o frango tem que vir seco''. O advogado prefere comprar frango caipira na feira e, desde que notou que teve problemas com frango congelado, ele adotou uma estratégia para não ser enganado. ''Sempre peço para o açougueiro cortar o frango em pedaços; assim, só pago o que estou levando''.

Procon não recebeu nenhuma reclamação
  O coordenador do Núcleo de Proteção e Defesa do Consumidor de Londrina (Procon), Flávio Henrique Caetano de Paula, diz que não tem conhecimento de nenhuma reclamação de consumidor contra o excesso de água no frango congelado, embora o assunto seja muito comentado pelas donas de casa. Segundo ele, as pessoas não reclamam porque há um certo ‘‘comodismo’’. ‘‘A reclamação é um direito do consumidor no exercício da cidadania’’, afirma.
  Ele diz que os consumidores não podem ficar somente à espera da fiscalização dos órgãos oficiais ou das reclamações de outros consumidores. ‘‘O maior fiscal que existe é o próprio consumidor; é ele que está na ponta da relação de consumo’’.
  O coordenador do Procon afirma também que o consumidor deve pensar em termos de coletividade e não apenas em termos individuais. Ou seja, se ninguém reclama, a sensação que se passa ‘‘é que está tudo bem’’. Ele sugere que o consumidor guarde sempre a nota fiscal para uma eventual reclamação de qualquer produto. (E.A.)

mockup