SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de maio de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A preocupação com a vida saudável faz aumentar a procura pelos produtos das linhas diet e light. É visível como estes produtos ganham espaço nas gôndolas dos supermercados. Só que a maioria dos consumidores tem uma certa dificuldade em saber quais são as diferenças entre os dois produtos e para que são indicados.
A nutricionista Monica Labrunie reconhece que, além da dificuldade natural em torno do assunto, os rótulos dos produtos nem sempre ajudam muito no sentido de esclarecer as dúvidas dos consumidores. Para ela, ter um espaço exclusivo nos supermercados já não resolve os problemas dos consumidores. Monica sugere que haja um atendimento diferenciado para estes clientes.
Para ela, é importante que antes de aderir ao estilo de vida saudável, o consumidor deve saber quais são as indicações dos produtos que vai comprar.
FOLHA: E quais são as indicações para os produtos diet?
Monica: O produto dietético, o diet, é aquele que tem a ausência de um nutriente: pode ser o açúcar, a gordura, a proteína ou o sódio. Isso vai ser específico para uma determinada população portadora de uma patologia. Não quer dizer, necessariamente, que seja um produto de menor caloria. Se a ausência for do açúcar, ele vai ser específico para o diabético; se for a proteína glúten, para o paciente que tenha doença celíaca; se for o sódio, para o portador de hipertensão. O produto dietético é sempre ligado a alguma patologia, não é para a população em geral.
E os produtos light?
O produto light terá, no mínimo, 25% menos calorias do que o produto convencional, de acordo com as normas da Vigilância Sanitária e a Sociedade Brasileira de Diabetes, mas pode chegar a 50% ou 70%. O produto light é indicado para as pessoas que querem consumir menos calorias, ter uma alimentação balanceada, ou para quem está fazendo o processo de reeducação alimentar.
Por isso é importante que as pessoas observem bem os rótulos?
Eu recomendo a leitura dos rótulos, mas é muito difícil porque a letra é muito pequena. Inúmeras vezes as pessoas têm que procurar um profissional da área para tirar dúvidas porque esses produtos são mais caros que os produtos convencionais e elas podem comprar ''gato por lebre''; gastam dinheiro a mais que o previsto no orçamento e não têm nenhum tipo de benefício nesse sentido. O glúten, por exemplo, é uma proteína específica para um número muito pequeno da população que tem a doença celíaca, mas a legislação enfatiza o uso do termo ''não tem glúten''. As pessoas, às vezes, compram algum produto que não tem a menor referência para o caso clínico dela, para o momento biológico que ela está vivendo. Ela compra, é mais caro e não vai valer nada para sua saúde.
Neste caso, então, o rótulo precisaria ser mais direto, mais claro?
Deveria haver um resumo mínimo para que a pessoa soubesse o que está comprando. Há uma margarina específica para os indivíduos que tenham colesterol alto. Ela vem com um encarte pequeno, um livrinho com uma linguagem bem fácil para o leigo saber se realmente ele precisa ou não daquele produto. Mas isso depende da indústria porque encarece a mercadoria.
As pessoas estão bem orientadas para o consumo dos produtos diet e light?
Eu acredito que não. A gente percebe no consultório que as pessoas vêm com muitas dúvidas. Elas confundem todos os produtos. Não existe nenhuma orientação da indústria ou do supermercado no sentido de orientar os clientes. O consumo está aumentando porque a mídia fala muito sobre mudança do estilo de vida, comer melhor, fazer atividade física, mas é sem uma orientação pessoal, sem uma coisa cientificamente direcionada para os indivíduos.
E como as pessoas deveriam fazer para ter essa orientação correta?
A pessoa não precisa vir à nutricionista para fazer um tratamento. Não é como ir a uma fonoaudióloga ou uma psicóloga. Ela pode vir uma ou duas vezes para receber uma orientação de acordo com o sexo, a idade, a atividade física, o momento biológico que está vivendo. A gente chama isso de reeducação alimentar. O indivíduo recebe uma orientação do que realmente deve consumir naquele momento de acordo com o estilo de vida que leva. E não sair comprando desenfreadamente os produtos sem ter a menor orientação.
Existem pessoas que acham que podem comer mais porque o produto é light. Isso também não é correto?
A maioria come, por exemplo, o pão francês, que tem 135 calorias. Uma fatia de pão light varia de 35 a 60 calorias. Dependendo do número de fatias que a pessoa comer daquele pão light, ela pode ultrapassar as calorias do pão francês. Só que o pão francês, em termos de custo no orçamento doméstico, atenderia suas necessidades, além de dar prazer. A gente não pode tirar um alimento, tem que sempre comparar as calorias. Mas para isso tem que ter, realmente, um profissional orientando. É muito difícil sozinho atingir esse equilíbrio.
Os espaços que os supermercados reservam para os produtos diet e light são satisfatórios ou não estão bem definidos?
Eu acredito que os espaços não estão bem definidos e acho que criam muita confusão. Antigamente você tinha uma prateleira para os produtos light, diet e naturais. Agora não. Você encontra a farofa light no meio da farofa normal, encontra pão light junto com outros pães, encontra o achocolatado light no meio de outros achocolatados. Então, fica muito difícil. Os supermercados deveriam ter um corredor específico, um funcionário treinado para que as pessoas pudessem ser melhor orientadas.
Há necessidade desse atendimento diferenciado para a linha diet e light?
Se houvesse essa possibilidade em nosso País, quem ganharia sem dúvida seria o consumidor. De maneira geral, nessa campanha de prevenção de saúde, seria muito bom. No supermercado deveria haver um funcionário treinado para fazer a triagem e até indicar a ajuda de um profissional caso a pessoa precisasse. O diabético, por exemplo, não pode consumir açúcar, e muitas vezes ele pode comprar um produto sem ler o rótulo que vai realmente prejudicar sua saúde. Ou seja, em vez de ajudar, vai piorar.


