SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A lista de compras das famílias brasileiras está cada vez mais diversificada, com o aumento de consumo de produtos considerados supérfluos, ou seja, que não fazem parte da relação de itens da cesta básica. Os brasileiros estão consumindo mais produtos de higiene e limpeza, bebidas, iogurtes e sobremesas prontas, entre outros, segundo mostra pesquisa feita pela LatinPanel. O levantamento acompanhou o comportamento de compra nos lares brasileiros em 67 categorias e mostrou crescimento de gastos com produtos mais elaborados no ano passado (veja quadro).
Os consumidores londrinenses admitem que compram bem mais alguns produtos que antes não estavam na relação de prioridades, mas reconhecem que o benefício não atinge toda a população. A estudante universitária Hadyle Cristine Moreira dos Santos diz que o consumo de produtos considerados supérfluos aumentou de forma considerável em sua casa, em especial pela praticidade. A gente deixa de preparar uma carne porque é mais demorado e opta pela batatinha frita, pizza e chips; refrigerante a gente toma direto e iogurte também.
A estudante diz que houve aumento de consumo também de alimentos de higiene e beleza. Quando vou pintar o cabelo, tenho que usar um produto mais caro porque o mais barato tem muito álcool e não dá certo com cabelo descolorido. Hadyle afirma que o aumento de consumo destes produtos se deve à uma melhora da renda familiar e à redução de preços forçada pela concorrência entre as marcas.
A assistente social Denise Galhardi relaciona os produtos que estão com consumo maior em sua residência: Estamos comprando mais iogurtes, frutas, produtos de higiene e beleza e também bebidas. Ela atribui esse aumento à necessidade das crianças e à melhora do poder aquisitivo da família. Isso incentiva o consumo e, mesmo sem querer, a gente passa a gastar mais. Mas têm ainda a diversidade de produtos e a concorrência que deixa alguns itens com preço mais acessível.
Ela não acredita, entretanto, que o aumento de consumo seja algo generalizado. Não creio que o poder aquisitivo de toda a população aumentou, mas, com certeza, de parte da população sim, afirma.
A gerente administrativa Ana Lúcia Portoliero afirma que o aumento de consumo de supérfluos realmente não chega a todos os consumidores. Não acredito neste aumento porque o poder aquisitivo das pessoas está diminuindo cada vez mais; eu mesma, compro só o necessário para casa. Ela acredita que o aumento do consumo destes produtos deve ser uma coisa localizada e que não beneficia toda a população de forma alguma.
Ana Lúcia diz que vem observando o contrário. Faço compra mensalmente e noto uma diferença muito grande de um mês para outro. Os preços de alguns produtos de primeira necessidade como o feijão e o óleo de soja, por exemplo, estão aumentando bastante, o que compromete a renda dos trabalhadores.
Estabilidade da economia aumentou poder aquisitivo
O economista Renato Pianowski de Moraes aponta dois motivos para o aumento de consumo de produtos que não fazem parte da cesta básica: o fim da inflação com a implantação do Plano Real em 1994 e a reposição salarial para a maioria dos trabalhadores. Com o fim da inflação, o cidadão começou a acrescentar alguns produtos que antes não estavam em sua lista de compras. Ele cita, por exemplo, que o desodarante era considerado um artigo de luxo no tempo da inflação alta e agora não é mais.
Moraes explica, porém, que o poder de comprar de supérfluos não beneficia toda a população. Algumas categorias, como os funcionários públicos, estão sem reajuste de salários há um bom tempo. Segundo ele, outro motivo para o aumento da venda dos supérfluos é a concorrência entre os fabricantes, o que contribui para a redução de preços. Na opinião do economista, o fim da inflação melhorou também a qualidade de vida de boa parte da população brasileira. (E.A.)
Vendas de supermercados sobem 8,63%
São Paulo - As vendas reais dos supermercados tiveram alta de 8,63% em fevereiro, em relação a igual mês de 2007, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados
(Abras). Em valores nominais, houve alta de 13,64%,
na mesma base de comparação. No período acumulado do ano até o mês passado, as vendas reais apresentam aumento de 8,31% e as nominais de 13,28%.
De acordo com o presidente da entidade, Sussumu Honda, o consumo das famílias em alta e a migração de compra para produtos de maior valor agregado foram fatores que contribuíram para a expansão das vendas em fevereiro desse ano. Além da manutenção do bom cenário macroeconômico, já é possível sentir nas gôndolas dos supermercados que o aumento da renda apresenta um efeito benéfico no consumo das famílias, diz.
Em relação a janeiro deste ano, as vendas reais registraram queda de 3,22%. No primeiro mês de 2008, o faturamento do setor apresentou alta de 8,28% sobre janeiro de 2007. (Agência Estado)


