Há alguns anos, os consumidores passavam longe de produtos importados porque os preços eram invariavelmente altos, enquanto os produtos nacionais eram bem mais acessíveis à população. Hoje, entretanto, se observa uma situação inversa: várias mercadorias importadas estão com preços bem mais em conta que os similares nacionais, enquanto outros produtos típicos da agropecuária brasileira estão com preços bem acima do que seria considerado normal. Nos últimos meses, alguns produtos internos chegaram a dobrar ou triplicar de preço. Mas nem isso convence alguns consumidores a experimentar o que vem de fora.
A advogada Marisse Queiroz afirma que houve redução de preços de vários produtos importados. ''É comum a gente encontrar o vinho importado com a mesma qualidade e mais barato que o nacional; o azeite está com preços mais baixo que em outras épocas, e até alguns tipos de macarrão importado estão mais baratos que os nacionais''.
Marisse reclama que, ao contrário, alguns produtos nacionais estão com preços altos. ''O feijão quase triplicou de preço, e os ovos e o óleo de soja estão aumentando bastante''. Para ela, o aumento de preços se deve à redução da oferta de alguns produtos no mercado interno.
O fotógrafo Fransney Marcelino acompanha, pelos noticiários, a desvalorização do dólar em relação à moeda brasileira. Mesmo assim, ele pensa bem antes de comprar algum produto vindo de outro país. ''Só vou comprar uma mercadoria importada se ela tiver a mesma qualidade do produto interno e também se o preço estiver mais acessível''.
Marcelino não sabe explicar porque os preços de alguns produtos estão subindo tanto no mercado interno, mas tem algumas sugestões para voltar ao que era antes. ''Deveria haver uma maior fiscalização por parte do governo federal e a população deveria boicotar a compra desses produtos. A falta de consumo força, naturalmente, a redução dos preços''.
O mecânico Rogério de Abreu tem por princípio não comprar produtos importados porque tem como referência que são mais caros. ''Procuro sempre os produtos nacionais. O bacalhau, por exemplo, é uma mercadoria que nem procuro. Sei que o preço está mais em conta, mas acho que permanece alto mesmo assim''. Ele acredita que a elevação de preços de alguns produtos nacionais se deve a problemas relacionados com a agricultura ou com a ganância dos intermediários.
Para ele, só existe uma saída para normalizar o abastecimento interno. ''Deveria haver maior incentivo desde a hora do plantio das lavouras até a hora que as mercadorias chegam aos supermercados, em especial dos produtos da cesta básica''.

‘Situação é atípica’, diz economista
  A professora e economista Maria Eduvirge Marandola define a redução de preços de alguns produtos importados e o aumento de preços de outros produtos nacionais como ‘‘uma situação atípica’’. Para ela, se por um lado os consumidores reclamam do aumento de preços de produtos como o feijão e o óleo de soja - por exemplo; por outro reconhece que há um lado positivo na história: ‘‘Isto é bom para o produtor porque a agricultura estava descapitalizada’’.
  A economista afirma que é preciso levar em conta a conjuntura do momento para entender a ‘‘inversão de valores’’. ‘‘O Real está bem mais valorizado em relação ao dólar e isso faz com que os importados sejam relativamente mais baratos’’.
  Maria Eduvirge explica que está havendo uma demanda mundial pelo milho por causa da produção de etanol nos Estados Unidos. Segundo ela, isto acaba refletindo no mercado interno porque os agricultores preferem exportar seus produtos. ‘‘Assim, até o ovo fica mais caro’’, afirma. O milho e a soja são indispensáveis também para a ração animal, inclusive para as galinhas. (E.A.)

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