SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de março de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Algumas empresas adotam atitudes totalmente diferentes nas relações com os consumidores. Na hora de vender um produto ou serviço, o cliente é tratado com atenção, respeito e cordialidade; mas depois que a compra se realiza, a situação se inverte. Se o consumidor precisar resolver um eventual problema por telefone, seja pelo número comercial ou o 0800, ele pode ser ignorado, ser tratado como um estranho e não receber nem o atendimento mínimo necessário.
O professor Roberto Romaneli não esperava que a compra do sonhado notebook se transformasse em um pesadelo. Ele diz que seu equipamento parou de funcionar com 40 dias de uso. Romaneli levou o produto à assistência técnica e a previsão de ficar pronto em uma semana não se confirmou. O que ele soube depois é que o notebook foi encaminhado à indústria, em Miami, e não tem perspectiva de retorno.
O professor já tentou obter outras informações pelo 0800 ou no ''fale conosco'' do site, mas não consegue completar a comunicação. Ele soube, pela pessoal da assistência, que a empresa poderia substituir o notebook, o que está fora de cogitação. ''O que quero, agora, é o meu dinheiro de volta para comprar outro equipamento de uma marca melhor e que tenha um 0800 para atender'', afirma.
A gerente administrativa Márcia Tiepo Alves diz que trocou o plano de telefone celular para a empresa onde trabalha, com a promessa de que ganharia dois novos aparelhos. Dois meses depois de confirmada a transação, ela ainda espera a contrapartida. ''Já liguei várias vezes no 0800 e é aquela demora toda. Eles te passam de um lugar para o outro até que o sistema caia e não atendem'', relata. Márcia diz que em algumas tentativas esperou mais de uma hora para ser atendida pelo telefone, mas acabou desistindo.
A gerente lamenta que algumas empresas tenham posturas completamente diferentes na hora de vender um produto e na hora de atender os clientes quando eles precisam.
A farmacêutica Adriana Beatriz Ogliari se excedeu um pouco nas compras no cartão de crédito e, por coincidência, teve uma redução da renda naquele mês. Resultado: a dívida com o cartão se acumulou, chegando a um ponto que ela conseguia pagar apenas os juros. ''Virou uma bola de neve que não consigo sair'', revela. Em certo momento, ela recebeu uma proposta da administradora do cartão para fazer um parcelamento sem acréscimo. Adriana diz que pagou a primeira parcela, mas no mês seguinte a empresa voltou atrás e fez uma nova proposta. ''Eles ofereceram para parcelar em 12 vezes, só que com o dobro da dívida que tenho hoje''.
Adriana teve outra surpresa desagradável quando ligou no 0800 para negociar. ''Fui muito mal atendida mesmo, a pessoa foi grosseira comigo e não deu alternativa. Quando disse que iria procurar o Procon, ela respondeu que eu poderia procurar o que quisesse.''
Atendimento será regulamentado
O Serviço de Atendimento ao Consumidor será regulamentado pelo Ministério da Justiça ainda este ano. A informação é do coordenador do Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor de Londrina, Flávio Henrique Caetano de Paula. Segundo
ele, a regulamentação desta vez será mais democrática que outras do gênero já publicadas pelo governo. É que tanto os consumidores quanto os representantes de entidades representativas poderão participar ativamente do processo.
A primeira reunião para elaborar a proposta inicial da regulamentação aconteceu no final de fevereiro e outras três estão previstas até o mês de maio. Já a consulta para a participação pública foi aberta há duas semanas e vai até o próximo dia 10 de abril. Os consumidores poderão se manifestar através do site do Ministério da Justiça (www.mj.gov.br/dpdc)
O coordenador do Procon diz que o Serviço de Atendimento ao Consumidor deixa muito a desejar, o que está aumentando a procura pelo órgão não apenas em Londrina, mas em todo o Brasil. Falta seriedade por parte de algumas empresas, justifica.
Segundo ele, o maior problema no que diz respeito à reclamação de atendimento é que o Procon não dispõe, até agora, dois meios adequados para atender o consumidor, o que espera ser resolvido com a nova regulamentação. (E.A.)


