Os biscoitos industrializados, popularmente conhecido como bolachas, estão chegando aos supermercados e outros pontos de venda em embalagens cada vez mais atraentes. Além da variedade de cores, as embalagens são ilustradas com personagens de filmes e desenhos animados. Pode parecer algo inocente, mas o simples detalhe interfere até no relacionamento da família: de um lado, os pais que já não sabem como administrar o consumo de bolachas e, de outro, as crianças cada vez mais atraídas tanto pelo paladar quanto pelo aspecto visual.
  A engenheira civil Mônica Harano não tem dúvida do que acontece se deixar seus filhos Isabela, de quatro anos, e Mateus, de nove, escolherem a alimentação. ‘‘Eles só comeriam bolacha’’, afirma. E acrescenta que existe apenas uma forma de controlar o consumo. ‘‘É não ter o produto em casa. Não adianta a gente falar come só um pouquinho. Se a gente se distrai ou não está por perto, eles mandam ver’’, ressalta.
  Mônica afirma também que não adianta um controle mais rígido porque o consumo é liberado sempre que as crianças vão às casas dos avós. A engenheira não havia notado nenhuma mudança nas embalagens das bolachas, mas reconhece que o apelo para consumo entre as crianças ‘‘é muito forte’’.
  A professora Lucimaria Antunes sabe que é muito complicado disciplinar o consumo de bolachas por parte de seus filhos Daniel, de sete anos, e Natália, de 12. O que ela evita é que as crianças comam bolachas antes das refeições. ‘‘Eles têm que se alimentar direitinho; comer arroz, feijão, verduras e frutas, porque se a gente deixar, eles comem bolachas o dia inteiro’’, diz. Natália confirma que gosta muito de bolachas, em especial as recheadas, e já notou alguma diferença nas embalagens. ‘‘Estão vindo com personagens de filmes, desenhos e até com brindes; elas estão mais bonitinhas e atraem a atenção das crianças’’.
  A estudante Camila Martins, de 14 anos, é apaixonada por bolachas de chocolate com recheio, tanto que come esse alimento todos os dias. Camila sabe que o excesso de bolachas pode causar alguns problemas de saúde. Por isso, tenta manter um certo controle. ‘‘Posso ficar um tempo sem comer que não dá vontade, mas depois volta tudo ao normal de novo’’.
  Camila observa que as embalagens de alguns produtos estão ilustradas com personagens de filmes ou desenhos animados. ‘‘Isto exerce influência sim. A embalagem bonita chama a atenção do consumidor, faz a nossa cabeça e a gente acaba comprando mais’’, afirma. Apesar disso, ela conta que compra sempre a bolacha que gosta, independente da embalagem.


Indústria associa produto a alguma celebridade
  O professor de Marketing, João Luiz Gilberto de Carvalho, diz que as embalagens exercem influência junto às crianças, independente da idade, porque desde cedo elas recebem um grande volume de informações através da televisão e da internet. Isso facilita associar um produto a alguma ‘‘celebridade’’. Ele explica que isto vem acontecendo não apenas com as bolachas, mas com uma série de outros produtos. Os mais evidentes no momento são os ovos de chocolate.
  Carvalho afirma que o uso de personagens célebres nas embalagens pode criar uma espécie de modismo porque haverá necessidade de uma atualização constante para manter o novo formato. (E.A.)

PECHINCHA
Preço em baixa
Se existe algo que o consumidor não pode reclamar é do preço do bacalhau. Ao contrário de anos anteriores, quando era comum o aumento de preços na Semana Santa, o que se pode verificar agora é exatamente o contrário.
Metade do preço
O quilo do bacalhau tipo Porto pode ser encontrado em oferta em alguns supermercados por R$ 33,00 e o quilo do tipo Saith por até R$ 13,00. É quase a metade do preço do ano passado.
Peças inteiras
Com o preço alto, o consumidor pensava duas vezes antes de comprar um pedaço de bacalhau. Agora, o que se pode observar – até com uma certa freqüência – é o consumidor comprando peças inteiras do produto.
Preço em alta
E o óleo de soja mantém a tendência de alta. No final de fevereiro, o litro do produto chegou a
R$ 3,00. Agora, já pode ser encontrado por até R$ 3,20 na maioria dos supermercados.
Tudo por conta da instabilidade no mercado internacional de soja.

Biscoitos têm gordura trans
  A maioria dos biscoitos industrializados contém alto teor de gordura, mas apresenta baixo teor de vitaminas, minerais e proteínas. Ou seja, é um alimento pobre em nutrientes. Os ingredientes básicos usados na fabricação de bolachas são farinha de trigo refinada, açúcar, gordura, ovos, leite e nata. As bolachas geralmente são fabricadas com gordura trans, o que contribui para o desenvolvimento de doenças cardíacas. A palavra hidrogenada que aparece na tabela de informações nutricionais significa que o produto contém gordura trans.Qualquer pessoa com tendência à obesidade ou que queira apenas manter o peso deve evitar este tipo de alimento. Mas como se trata de uma tarefa difícil, principalmente para as crianças, o que as nutricionistas recomendam é o consumo de bolachas com moderação. (E.A.)

mockup