Londrina está acima da média nacional na proporção farmácias x número de habitantes e tem mais que o dobro da quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas isto nem sempre se traduz em bem-estar para a população. A maior parte das farmácias se localiza no Centro, enquanto em vários bairros da periferia a ausência é total. Mas não é só isso: às vezes, o consumidor faz uma verdadeira via sacra em busca de um remédio que precisa e não encontra.
A dona de casa Vânia Quaglio Garcia diz que Londrina tem uma boa quantidade de farmácias, mas acha que elas não estão bem distribuídas. Ela mora em um bairro da Zona Norte e cita que a Avenida Saul Elkind está bem servida de farmácias, mas os conjuntos próximos não.
Apesar de concentradas em alguns pontos, Vânia diz que o excesso de farmácias tem uma vantagem. ''O consumidor tem onde pesquisar'', argumenta. Ela afirma também que às vezes fica em dúvida sobre onde comprar porque ''as farmácias estão muito próximas umas das outras''.
Na opinião da comerciante Cleide de Oliveira Lopes, a quantidade de farmácias estimula a concorrência. ''Cada esquina no Centro tem uma, duas ou três farmácias; tem rua que tem uma farmácia a cada cem metros. Para o consumidor é bom porque elas ficam brigando entre si'', afirma. Apesar de morar em um bairro sem farmácia, ela diz que isso não é problema. ''Hoje tudo fica mais fácil com o serviço de entrega.''
E nem a concentração de farmácias estimula a comerciante a fazer pesquisa de preços. ''Se saio do médico e estou com dinheiro ou cartão, eu paro e compro na primeira farmácia que encontro. Às vezes, o remédio tem uma pequena diferença de preço, mas na maioria dos medicamentos a diferença é muito pequena'', afirma.
O fato de haver uma grande concentração de farmácias no Centro não é garantia, porém, de que o consumidor vai encontrar o que procura. A professora Kelly Matozo, por exemplo, passou por três estabelecimentos e não encontrou o aspirador nasal para seu filho pequeno. ''Me parece que estão sobrando farmácias e faltando medicamentos'', critica. Ela disse que em uma das farmácias a atendente chegou a ligar para outras lojas da rede e em nenhuma havia o descongestionante nasal.

‘Não há espaço para crescer mais’  
O presidente do Sindicato das Farmácias de Londrina, Jefferson Proença Testa, diz que a principal vantagem para o consumidor é que o número de estabelecimentos acima da média estimula a concorrência. Mas ele reconhece que o segmento está no limite máximo. ‘‘Não há espaço para crescer mais; a partir de agora, o crescimento será apenas vegetativo, ou seja, só abrem duas ou três farmácias quando se fecham duas ou três.’’
  O dirigente sindical confirma que o maior número de farmácias, cerca de 65% do total, se concentra no Centro em função da proximidade com clínicas e hospitais. Segundo ele, uma boa parte dos pacientes vem de outras cidades e estados e aproveita para comprar os remédios que precisam em Londrina mesmo.
  Testa afirma ainda que os outros 35% das farmácias que ficam na periferia também se concentram em algumas vias, como a Avenida Saul Elkind, na Zona Norte. Ele diz que há vários bairros sem nenhum estabelecimento e cita, como exemplo, o Jardim União da Vitória, na Zona Sul, ‘‘onde caberia uma farmácia com folga’’.
  O presidente do sindicato não considera estranho o fato de um consumidor procurar um remédio em várias farmácias e não encontrar. Ele explica que atualmente no Brasil são fabricados cerca de 40 mil tipos de medicamentos e as farmácias de porte médio trabalham com aproximadamente 20 a 30% deste volume, ou seja, entre 8 a 12 mil produtos. (E.A.)

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