SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de março de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
As cores sempre exercem influência em tudo o que a pessoa vai comprar, desde um simples objeto, passando por embalagens de alimentos, roupas ou até um carro. E esse comportamento, de certa forma, coloca homens e mulheres em lados opostos, acentuando a divisão de cores entre meninos e meninas que, geralmente, ocorre na primeira infância. Exemplos são comuns, como o de um homem de aproximadamente 70 anos que foi comprar um isqueiro e entre as várias alternativas de cores preferiu a azul. Ao ver o isqueiro de cor rosa, que estava ao lado, ele foi categórico: ''Este não!''.
Isto demonstra que as cores acompanham a pessoa por toda a vida e, mesmo sem perceber, é comum fazer distinção entre cores, mesmo sem dar conta deste detalhe. A assistente administrativa Carol Pieralisi diz que as cores exercem grande influência em tudo o que compra, principalmente quando se trata de moda. ''Observamos as tendências de cada estação e procuro acompanhar tudo o que está em alta'', afirma. Neste verão, ela tem usado as cores rosa, branca e amarela.
Carol acredita que a divisão de cores entre os homens e mulheres não acompanha as pessoas a vida toda, mas reconhece que é bem mais fácil a mulher usar uma blusa azul do que o homem uma camisa rosa. ''Ainda hoje, existe algum preconceito de cores para os homens, mas já não é uma coisa tão absurda; está um pouco mais aceitável o homem usar uma camisa rosa, por exemplo'', avalia.
O casal Roberto Gomes de Araújo e Cristiane estava em uma loja para comprar roupas para os filhos Henrique, de 2 anos, e Beatriz, de 8. Cristiane diz que as cores influenciam muito, no tipo de roupas que compra para seus filhos. ''Desde cedo fica estabelecido que a rosa é para a menina e o azul para o menino. Por isso, eu jamais compraria uma roupa de cor rosa para meu filho'', comenta.
Segundo ela, esta diferença já não faz sentido na vida adulta, mas o marido discorda. ''Na minha opinião, isto vale para a vida inteira. Não tenho discriminação contra a cor de roupas, mas tem algumas que eu não gosto e o rosa é uma delas; para mim, isso ainda tem a ver com machismo'', diz Araujo.
A promotora de vendas Evandra de Oliveira procura variar sempre as cores de suas roupas. ''As minhas cores preferidas são o branco e o preto e se vou comprar uma calça ou blusinha, procuro algo que combine com o que já tenho'', observa. Ela diz que, dependendo da estação, leva em conta também as tonalidades. ''Agora no verão, procuro cores diferentes, o verde e o amarelo, por exemplo, que combinem com a cor da minha pele'', diz.
Evandra afirma que não gosta da divisão de cores de acordo com o sexo, o que para ela não se justifica ainda mais na idade adulta. ''Eu acho que muitas meninas usam o rosa porque gostam mesmo, mas eu não me sinto bem com essa cor; entre o rosa e o azul, prefiro o azul'', observa.
Convenção tem origem desconhecida
O professor de Pintura e Desenho na Universidade de Londrina, Danillo Villa, afirma que não há nenhum registro do momento em que se estabeleceu a cor rosa para as meninas e a cor azul para os meninos. Segundo ele, esta convenção pode ter surgido por acaso apenas para facilitar a compra de um presente para o filho (ou filha) de uma pessoa conhecida. É uma forma de não errar, afirma.
O professor explica também que o estudo das cores não é algo tão subjetivo, como normalmente se pensa porque as elas exercem influência na vida das pessoas e até interferem no humor. Por isso, as cores nos hospitais são claras, mas não podem ser frias. Segundo ele, uma pessoa pode até se sentir bem em um ambiente com cores frias, mas com com o passar do tempo, ela pode se entristecer.
A professora de História da Moda, Cleuza Fornasier, confirma que não há registro da origem da distinção de gênero (masculino e feminino) em relação às cores. Segundo ela, é bem provável que a convenção de cores diferentes para meninas e meninos tenha surgido no começo do século 20 com o avanço do processo de industrialização. (E.A.)


