Os preços dos alimentos caíram, em média, 2,94% no mês passado em Londrina. A queda no custo da cesta básica interrompeu uma sequência de altas sistemáticas registradas nos últimos seis meses. Em fevereiro, uma família (dois adultos e duas crianças) gastou R$ 518,61 com os 13 itens pesquisados, enquanto uma pessoa desembolsou R$ 172,87. Com o índice negativo do mês passado, no ano os preços acumulam baixa de 1,83%, enquanto nos últimos 12 meses há uma alta acumulada de 14,16%.
Dos 13 itens que compõem a cesta básica, 7 tiveram seus custos reajustados: arroz, café, farinha de trigo, leite C, margarina, óleo de soja e pão francês. Outros seis produtos puxaram a queda de preços: açúcar, banana, batata, carne (coxão mole), feijão e tomate (veja quadro). ''É importante que os consumidores façam pesquisas em três ou quatro supermercados porque há uma diferença considerável de preços entre eles'', afirma o economista Flávio Oliveira dos Santos, professor da Universidade Pitágoras e coordenador da pesquisa.
Nove supermercados foram pesquisados. A diferença entre o estabelecimento mais caro e o mais barato foi de 33,94% ou R$ 150,98 (na compra para uma família). No supermercado com os menores preços os alimentos custaram R$ 448,46, enquanto no mais caro o custo foi de R$ 585,85. Além disso, alguns produtos apresentaram muitas variações no custo ao consumidor, como é o caso do tomate. O preço do quilo da hortaliça ficou entre R$ 0,59 e R$ 2,39, diferença de 305,08%. O quilo da batata também variou de R$ 0,79 a R$ 1,69, diferença de 113,92%.
Já o preço da carne, um dos produtos com maior peso no valor final da cesta básica, ficou entre R$ 7,99 a R$ 12,29, variação de 53,82%. O economista observou que o preço do óleo de soja já está mais caro nas gôndolas dos supermercados em função da alta de preços do grão no mercado externo. Segundo ele, o custo variou de R$ 2,67 a R$ 3,10, mas a maioria dos estabelecimentos já praticava preços acima de R$ 2,99. ''Acredito que não é ideal que os consumidores aproveitem as promoções e façam estoques. Isso pode fazer com que o preço do produto suba em função da demanda. O ideal mesmo é reduzir o consumo'', disse.

Para consumidoras, preço continua alto
A empresária Maria Gorete Monteiro acha que foi interessante a redução do preço do feijão porque, segundo ela, este produto tinha virado artigo de luxo na mesa dos brasileiros. ‘‘Ninguém conseguia comprar mais feijão com o preço do mais comum a R$ 4,00; ficou insustentável’’. Na opinião de Maria, o preço ideal do feijão seria em torno de R$ 2,00. Quanto à redução de quase 3% no valor da cesta básica, a avaliação dela é que ‘‘este percentual deveria ser ainda maior’’.
  A também empresária e nutricionista Nilde de Souza estava fazendo compras em um supermercado e acredita que o preço da cesta básica está muito alto, mesmo com a redução registrada no mês passado. ‘‘Deveria baixar um pouco mais porque as pessoas carentes precisam dos produtos da cesta básica. Deveria baixar não apenas o preço do feijão e da margarina, mas de tudo, porque tudo está caro’’. Nilde teme que a cesta básica volte a subir este ainda mês em função do reajuste do salário mínimo. ‘‘No fim, o que vai acontecer é que ficam elas por elas’’, concluiu. (Eli Araújo)

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