A maior parte dos consumidores compra alimentos industrializados porque eles são práticos e proporcionam economia de tempo. Mas o consumo diário destes produtos pode causar uma certa ‘‘dependência’’. É por isso que várias pessoas sentem falta de doces, bolachas, chocolates, café, macarrão instantâneo e refrigerantes, entre outros.
  A assistente social Andrea Mansano Ramos diz que gosta de chocolates, bolachas e doces em geral e sente uma certa ansiedade quando fica sem algo com açúcar. Mas tem um produto que não pode faltar em hipótese nenhuma. ‘
‘Acho que é uma dependência, mas o café, para mim, é o principal alimento’’. Ela toma café antes de sair de casa e durante toda a manhã no trabalho. ‘‘Sinto dor de cabeça se faltar caf钒. Andrea já tentou substituir o café por outros tipos de chá, mas não teve jeito. ‘‘Não tem como; eu gosto é do café mesmo’’.
  A veterinária Mariana dos Santos diz que consome alguns alimentos que ‘‘viciam’’, como alguns doces, chocolates e macarrão instantâneo. ‘‘Acho que estes alimentos são mais procurados pela praticidade’’. Ela evita café e refrigerantes para se manter em forma, mas garante que não abre mão de chocolate. ‘‘Sou absurdamente viciada em chocolate. Tenho que comer todo dia porque sinto falta. Como duas ou três vezes por dia e, aos domingos, como o dia inteiro’’. Mariana gosta de chocolate crocante e admite ser difícil escolher o produto diante de tanta variedade.
  O consultor de marketing Ricardo Marques morou nove anos nos Estados Unidos e durante dois anos foi diretor operacional de uma empresa que comercializa chocolates. Ele testava os mais variados tipos do produto de diversas origens, que depois seriam distribuídos aos franqueados da empresa. Apesar da rotina, ele não ficou viciado em chocolate. ‘‘Pelo contrário, tinha hora que eu nem podia olhar para chocolate’’, diz. Ele voltou ao Brasil há três meses e desde então não come mais o produto com freqüência. O consultor, em compensação, não consegue ficar sem refrigerante à base de cola. E, para evitar problemas, prefere os ‘‘zero açúcar’’.
  Marques estava em um supermercado com os filhos Lucas, de 5 anos, e Rebeca, de 6. Ele diz que toma todos os cuidados com os filhos e acha que é mais saudável alimentar as crianças no Brasil. ‘‘Nos Estados Unidos, a alimentação geralmente é mais calórica, e aqui a gente encontra mais fácil os produtos frescos, orgânicos e integrais’’.

‘Alguns produtos são pobres em nutrientes’
  A nutricionista Clísia Mara Carreira denomina os alimentos que causam algum tipo de dependência como ‘‘alimentos viciantes’’ e possuem o que define como ‘‘calorias vazias’’. ‘‘São alimentos com baixa quantidade de vitaminas, fibras e minerais, nutrientes essenciais à saúde; e são ricos em gordura, carboidrato e sal’’, explica. Os principais alimentos neste grupo citados pela nutricionista: chocolates, café, refrigerantes à base de cola e todos os produtos com gordura trans, entre eles os congelados, as batatas fritas e os biscoitos industrializados.
  Segundo ela, um dos maiores problemas é a falta de conhecimento dos consumidores sobre os prejuízos que estes alimentos podem causar à saúde. ‘‘As pessoas acham que estes alimentos são inocentes e comem com freqüência, sem preocupação’’, diz. Clísia afirma que a ingestão diária dos ‘‘alimentos viciantes’’ podem causar aumento de peso, alterações da pressão arterial e doenças cardíacas.
  A nutricionista explica que a vontade de ingerir estes produtos está associada à carência de uma substância que tem o nome de ‘‘serotonina’’, comum na fase de tensão pré-mestrual ou em pessoas deprimidas. Clísia cita, por exemplo, que o chocolate melhora os níveis de humor, mas alerta que as pessoas tentam acertar os problemas da carência, de um lado, mas podem criar problemas de saúde. A nutricionista afirma que a pessoa pode consumir entre 30 a 50 gramas de chocolate amargo por dia e sugere que o ideal, para mudanças de hábitos, seria a substituição dos doces por gelatinas e frutas da época. (E.A)


PECHINCHA
Preço do feijão
Os consumidores continuam assustados com o preço do feijão. Nas feiras e supermercados de Londrina, o quilo do feijão preto está variando entre R$ 3,50 e R$ 4,50 e do feijão carioca entre R$ 5,50 e R$ 6,50.
Ainda mais caro
Em um mercado municipal, entretanto, o quilo do feijão está ainda mais caro. Confira os preços de algumas variedades:
- Preto, R$ 5,50 kg;
- Rosinha, R$ 7,50 kg;
- Carioca, R$ 8,00 kg; e
- Bolinha, entre R$ 8,00 e R$ 9,00 kg.
Feijão x frango
O quilo do feijão, em situações normais, custa a metade do quilo do frango inteiro. Agora, a situação se inverteu completamente. Em vários supermercados, o quilo do frango está na casa de R$ 3,00.

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