Já se foi o tempo em que as crianças esperavam passivamente a chegada de Papai Noel sem saber ao certo o que iriam ganhar, embora as opções não fossem muito além de simples bonecas e carrinhos. Hoje, há uma variedade muito maior, sem falar nos avanços em termos de design e tecnologia. Mas o fator surpresa deixou de existir porque as crianças sabem o que querem e os pais levam seus filhos para escolher os brinquedos. O que não mudou em nada mesmo é a fantasia: as crianças fazem questão que o presente seja entregue por Papai Noel.
  A fonoaudióloga Regina Onishi levou o filho Nícolas, de cinco anos, para escolher o brinquedo, mas nem precisava: o menino já havia decidido. ‘‘Ele está insistindo bastante: quer esses carrinhos’’, disse a mãe mostrando os brinquedos. Regina estava fazendo uma pesquisa, mas segundo ela os preços dos brinquedos permaneceram estáveis durante o ano. ‘‘Acho que não houve aumento com a aproximação do Natal; até parece que os preços estão tabelados’’. Além do presente, ela fará questão de atender outro pedido de Nícolas. ‘‘Ele espera que o Papai Noel entre pela janela para entregar o brinquedo como em um sonho mesmo. Acredito que para a criança é importante manter essa fantasia’’.
  A dona de casa Márcia Kely estava em uma loja de brinquedos com os filhos Murilo, de quatro anos, e Leonardo, de 11. Segundo ela, as crianças passaram o ano inteiro - literalmente - pedindo um carrinho com controle remoto e um vídeo game. ‘‘Eles até ‘pularam’ o Dia das Crianças porque a data mais esperada é o Natal; eles pensam que o Papai Noel vai trazer os presentes’’.
  Márcia observava os preços dos brinquedos e, na avaliação dela, não havia nada fora do normal. ‘‘Antes, a gente vinha na loja e achava um brinquedo com valor altíssimo, mas hoje há uma grande variedade e o preço está bastante atrativo, não assusta não’’. Embora admitisse que os filhos ganhariam os presentes desejados, Márcia disse que voltaria à loja outra hora - sem as crianças - para fazer uma ‘‘surpresa’’.
  O casal Gerley Renato de Oliveira, bancário, e Ana Paula Oliveira, assistente administrativa, levou os três filhos à loja de brinquedos: Estevan, de cinco anos, Mariá, de dois, e Manoela de apenas oito meses. O garoto, surpreendentemente, estava procurando um brinquedo inusitado: um estilingue. Ana Paula não sabe de onde surgiu a idéia, mas imagina que o menino viu o ‘‘brinquedo’’ em algum lugar.
  O pai, por sua vez, estava mais preocupado com os preços. ‘‘A gente está fazendo uma pesquisa antes para comprar os presentes adequados às nossas condições’’. Ele disse também que iria comprar os presente com antecedência para evitar ‘‘a correria dos últimos dias’’.
  Ana Paula destacou que comprariam os presentes, mas quem fará a entrega será Papai Noel. Oliveira lembrou que além dos filhos vai comprar alguns presentes também para sobrinhos e afilhados.

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