Não são apenas as compras de fim de ano ou o pagamento do décimo-terceiro salário que têm contribuído para aumentar o movimento nos supermercados nos últimos dias. Boa parte dos consumidores está indo mais vezes a estes estabelecimentos por causa do calor. Para evitar que os alimentos estraguem em casa, eles compram os gêneros perecíveis em menor quantidade e com maior freqüência. E mesmo com todos cuidados na hora da compra, ainda acontece de comprar algum alimento já estragado.
  O calor mudou a rotina da secretária Silvana Duim, que passou a comprar frutas e verduras com maior assiduidade. Ela diz que antes ia ao supermercado uma vez por semana e agora vai duas vezes e intercala as compras na feira e no sacolão. Silvana tem um filho de dois anos e meio, o que a torna mais exigente em termos de qualidade. ‘‘Depois que ele nasceu, eu tomo um cuidado maior com a alimentação, não só com os perecíveis, mas com os outros também’’.
  A secretária diz que, apesar dos cuidados, já comprou alimentos com problemas. ‘‘Já aconteceu de pegar rapidinho e chegar em casa e a fruta estar amassada ou escura. E a minha mãe, que só compra ovos na feira, pegou alguns que estavam meio ‘esbranquiçados’, parecendo fora do prazo de validade’’. Ela diz que passou a consumir mais frutas, verduras, legumes, sucos e muito líquido com o aumento da temperatura.
  A pedagoga Silvana Amâncio já comprou vários alimentos com problemas causados pelo calor. ‘‘Comprei queijo, requeijão e até o ovo estava diferente, mole e meio estranho’’. Para evitar este tipo de situação, ela começou a fazer compras mais vezes durante a semana. ‘‘Venho ao mercado quase todos os dias e compro um pouquinho de cada vez para não estragar. A fruta não fica gostosa quando a gente armazena’’.
  E o leite é outro produto que passou a merecer uma atenção bem maior da pedagoga. ‘‘O leite estraga com facilidade se ficar guardado nesse calor muito forte. Por isso, compro leite para dois dias no máximo e até os iogurtes não compro em quantidade muito grande’’. Na opinião de Silvana, as pessoas devem se preparar bem para o verão que começa daqui a duas semanas. ‘‘O calor está muito forte’’.
  A vendedora Priscila dos Santos Dantas diz tomar uma série de cuidados com os alimentos quando a temperatura aumenta. A banana, por exemplo, ela enrola em papel aluminio para não estragar e as carnes em pequenas porções no congelador. Priscila muda seus hábitos de consumo nesta época. ‘‘A gente passa a consumir mais frutas, verduras, refrigerantes, suco natural e alimentos com menos gordura; sempre uma coisa mais leve’’. Para evitar problemas de desidratação.

Produto malconservado causa intoxicação
  A nutricionista Beatriz Ulate diz que a conservação adequada é importante para cada tipo de alimento. Os chamados alimentos ‘‘secos’’ devem ser guardados em lugar fresco e arejado, já os perecíveis e semi-perecíveis precisam obrigatoriamente ficar sob refrigeração’’. Os vegetais e frutas, por exemplo, são considerados semi-perecíveis, e as carnes, ovos, leite e derivados, estão no grupo dos perecíveis.
  Beatriz explica que os alimentos estragam com mais facilidade no calor porque as temperaturas altas, entre 35 a 40 graus, favorecem o aparecimento de microorganismos. Segundo ela, o maior risco de se consumir algum produto estragado ‘‘é a intoxicação alimentar, que é muito comum no verão’’.
  Quanto aos problemas com ovos, citados por duas consumidoras, a nutricionista afirma que isto acontece porque o produto estava fora do prazo d e validade. O tempo adequado para o consumo de ovos é de 15 dias, quando mantido sob refrigeração. ‘‘Fora disso, ele perde suas características’’, afirma. Caso o consumidor encontre ovos com este tipo de problema, deve voltar ao estabelecimento onde fez a compra para trocar o produto.
  A nutricionista recomenda que o mais importante nos períodos de calor é uma alimentação balanceada, à base de frutas e verduras, e a ingestação de bastante líquidos, principalmente água e sucos.(E.A.)

PECHINCHA
Haja diferença
O preço do leite longa vida pode sofrer variações de até 200% em Londrina. Ontem, por exemplo, uma rede de supermercados vendia uma marca do produto por R$ 0,99 o litro, enquanto os preços ‘‘normais’’ estavam entre R$ 1,35 e R$ 1,65. Porém, em algumas lojas de conveniência dos postos de combustíveis, o mesmo produto custa aproximadamente R$ 3,00.
Boato longa vida
Ainda o leite. Há um grupo de consumidores que continua com sérias desconfianças em relação ao leite longa vida e não se trata das recentes denúncias de adulteração do produto.
Vai e volta
Estes consumidores examinam de forma minuciosa o fundo de cada caixa do litro de leite para identificar que número consta entre 1 a 5. Eles insistem em afirmar que o tal número indica quantas vezes o leite foi ‘‘reprocessado’’.
Questão de lógica
Apesar de todos os desmentidos e dos cartazes colocados há algum tempo junto às gôndolas de leite longa vida, as pessoas ainda acreditam que as indústrias se dariam ao trabalho de embalar o leite mais de uma vez.

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