SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de dezembro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Boa parte da população está consciente de que as sacolas plásticas oferecidas pelos supermercados causam uma série de danos ao meio ambiente e sabe também que o uso das sacolas retornáveis poderia reduzir o problema de forma significativa. Mas a mudança de hábito não é algo tão simples quanto se pode imaginar em um primeiro momento. Os próprios consumidores colocam uma série de obstáculos. Na opinião de alguns deles, os supermercados deveriam oferecer as novas sacolas gratuitamente aos clientes especiais e outros alegam que precisariam sair do trabalho e passar em casa para pegar a sacola ou ainda citam que deixam a sacola em casa por falta de tempo.
A bancária Maria Concília Caccavella concorda que as sacolas plásticas usadas nos supermercados são prejudiciais ao meio ambiente e que deveria haver uma maior conscientização das pessoas em relação ao assunto. Ela disse que comprou uma sacola retornável há poucos dias em um supermercado, mas ainda não teve como usar a sacola. Você chega em casa depois do trabalho, tem que ir ao mercado, e naquela correria não dá tempo de pegar a sacola. Maria diz que considera interessante que as sacolas retornáveis estejam disponíveis no comércio, mas não é só isso que vai resolver os problemas. Acho que todo mundo tem que fazer a sua parte e contribuir para um mundo melhor.
A secretária Elaine Giroti usa as sacolas dos supermercados para colocar lixo orgânico e as sacolas que sobram ela coloca no lixo reciclável. Ela mora em um edifício na região Sul da cidade e lamenta que nem todos moradores separem o lixo. A gente vê muita coisa reciclável no lixo orgânico. Elaine acha louvável que o comércio ofereça as sacolas retornáveis a seus clientes, mas vê alguns obstáculos na adoção do novo hábito. Os nossos avós usavam as sacolas retornáveis porque as mulheres ficavam em casa e iam direto para o mercado. Agora, você trabalhando fora, tem que sair e passar no mercado e não vai levar a sacola de casa para o trabalho. Independente do detalhe, ela acha que é interessante o comércio ter este tipo de sacola à disposição dos clientes.
O vendedor Henor Mota se considera uma pessoa ecologicamente correta e concorda com a comercialização das sacolas retornáveis, mas faz uma ressalva. Se o mercado vender duas ou três mil sacolas a R$ 10,00, cada uma, estará tirando cerca de R$ 20 mil a R$ 30 mil de circulação, e o dinheiro se concentra cada vez mais nas mãos de poucos. Por isso, ele acha que os supermercados deveriam ter alguma forma de compensação com os clientes especiais, aqueles que vão ao mercado quase todos os dias. Antes, a gente comprava outras coisas em outras lojas; e hoje, até os eletrodomésticos a gente compra no supermercado. O nosso dinheiro fica todo aqui. Então, é preciso haver uma forma de conciliar os interesses. Acho que para estes clientes especiais, o supermercado deveria oferecer a sacola gratuitamente.
Resistência é natural, diz ambientalista
O presidente da Fundação Verde, Cláudio José Jorge, considera natural que haja uma certa resistência na substituição das sacolas plásticas pelas sacolas retornáveis. Há uma dificuldade de aceitação de qualquer coisa que seja diferente e, neste caso, a mudança implica em ir ao supermercado levando a própria sacola. Jorge lembra que alguns supermercados aboliram as sacolas plásticas pura e simplesmente e os clientes foram, de certa forma, obrigados a aceitar o novo sistema.
A Funverde é uma ONG ambientalista com sede em Maringá, que atua em âmbito nacional. Um de seus primeiros projetos foi sugerir a implantação das sacolas oxibiodegradáveis nos supermercados. Estas sacolas demoram apenas um ano e meio para se decompor no meio ambiente, enquanto as sacolas plásticas tradicionais demoram cerca de 100 anos. A Funverde considera que a adoção das sacolas retornáveis é uma etapa mais avançada no processo de conscientização.
Jorge sugere que os supermercados ofereçam algum desconto, como forma de estímulo, para os consumidores que utilizam a sacola retornável com maior freqüência, uma vez que as empresas estarão economizando na compra de sacolas plásticas.(E.A.)
PECHINCHA
Carne bovina
A carne bovina está aumentando de preço quase toda semana. Ontem, por exemplo, o consumidor encontrou os seguintes preços em uma rede de supermercados:
- Alcatra, R$ 13,89 kg;
- Coxão mole, R$ 10,99 kg;
- Patinho, R$ 11,65 kg.
Inversão
de valores
A maçã gala, que normalmente custa a metade do preço da maçã argentina, agora está quase o dobro: R$ 5,65. Até a pêra argentina está com o preço mais em conta: R$ 4,99 o quilo.
Leite longa vida
O preço do leite longa vida se mantém estável nos supermercados de Londrina. O litro custa entre R$ 1,35 a R$ 1,89.


