O período de alta temporada nem começou e as agências de turismo já registram aumento na venda dos pacotes de viagens. A procura é feita tanto por famílias que aguardam ou não as férias escolares. E independente do destino, da circunstância, da quantidade de dias, ou da forma de pagamento, o certo é que a decisão de uma viagem deixa as pessoas mais satisfeitas.
  O médico Luiz Fernando Piroli e a esposa Rosane voltaram há poucos dias de Salvador e estão planejando voltar ao Nordeste antes do fim de ano. Eles estavam em uma agência fazendo um levantamento de preços, mas ainda incertos quanto ao destino, que poderia ser Natal, Fortaleza ou Maceió. ‘‘A gente pretende voltar por causa das praias, do clima, da comida’’, afirma o médico, e a dona Rosane acrescenta que, ‘‘além da beleza, a água do mar é mais quente no Nordeste’’. Desta vez, o casal terá a companhia de seus dois filhos. ‘‘Agora, a gente vai levar nossas crianças, nossos nenezinhos, um de 20 e outro de 24 anos’’, diz o médico em tom de brincadeira.
  Rosane reclamou apenas do preço que, segundo ela, está subindo. ‘‘Acho que aumentou bastante em comparação com o final de outubro e o começo deste mês’’. O casal reconhece que há uma ‘‘tendência de alta’’, mas garantiu que isto não seria impedimento.
  O jovem Marcelino Del Conte foi para a Irlanda há pouco mais de um ano para estudar e trabalhar em uma fábrica de cerveja. Agora, em férias, ele retornou ao Brasil para rever a família que mora em Sertanópolis, perto de Londrina. O rapaz foi à uma agência de viagens para verificar o preço de um pacote para o Rio de Janeiro. Ele e o irmão, que também mora na Irlanda, vão presentear os pais com uma viagem, que irão embarcar em um avião pela primeira vez.
  Del Conte ficou surpreso com o preço do pacote. ‘‘Há poucos dias, vi que o preço da passagem aérea só de ida para o Rio de Janeiro estava em R$ 480,00. Agora, vou pagar R$ 650,00 a ida e a volta de avião, o hotel com café da manhã e tudo o mais’’. Chegando ao Rio de Janeiro, o rapaz pretende
‘‘dar um pulinho’’ também em Parati.
  Mas não é só a venda de pacotes que faz aumentar o movimento nas agências de viagens.
Há uma procura razoável também pelas passagens ‘‘avulsas’’. O administrador de empresas Edson Oliveira Martins e a namorada Débora Morgana foram comprar passagens aéreas para Macapá, capital do Amapá. A família de Débora morava em Londrina e se mudou para a Guiana Francesa e há três anos ela não vê seus familiares. ‘‘Quero matar a saudade. E a gente optou por ir de avião porque é muito longe e de outra forma a viagem ficaria muito cansativa’’, disse.
  Martins e Débora viajam de carro com certa freqüência para Minas Gerais, onde mora a família dele. ‘‘A gente procura estar sempre com os parentes no final de ano’’, disse Martins. O casal viaja para Macapá no dia 15 de dezembro e retorna no dia 5 de janeiro. Se não fosse o compromisso com familiares, eles pretendiam viajar para Maceió.

Viajar por pacote é mais vantajoso
  O professor Alexandre Campinha, do curso de Turismo e Hotelaria da Unopar, afirma que o movimento nas agências de viagem aumenta em torno de 20 a 30% nesta época. Ele explica que a procura maior é por pacotes de viagens com preços e períodos fechados porque ficam mais em conta que desmembrar os custos de passagens e hospedagem, por exemplo.
  Campinha diz que a alta temporada no Brasil compreende o período de férias escolares, ou seja, vai de dezembro até o Carnaval e também o mês de julho. Segundo ele, há alguns anos era grande a diferença de preços entre a alta e a baixa temporada, cerca de 30%, o que atualmente gira em torno de 10 a 15%.
  De acordo com o professor, a região mais procurada pelos turistas nesta época continua sendo o Nordeste e também o Rio de Janeiro, especialmente para o Reivellon e Carnaval. O professor cita que outras alternativas de passeio são os cruzeiros marítimos no litoral brasileiro, com duração entre 3 a 8 dias.
  Campinha afirma também que outra boa opção são as viagens para o Exterior por causa da estabilidade do dólar, mas lembra que ainda há dificuldade para obtenção do visto de entrada nos Estados Unidos. O professor diz ainda que outra vantagem para o consumidor é o pagamento parcelado. Algumas operadoras oferecem pacotes em até 12 vezes sem juros.(E.A.)

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